quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Estou Como o Tempo

Posso duvidar da realidade de tudo, mas não da realidade da minha dúvida.
(André Gide) 

Após um início de ano anormalmente calmo, deixei-me levar por uma estranha moleza e tenho permanecido em casa, sem vontade de sair. Será do tempo?
A chuva tem caído insistentemente  e as rajadas fortes de vento frio têm-me feito passar horas atrás das vidraças.
Olho para os pinheiros do terreno vizinho que  balançam ao sabor da ventania. De vez em quando, uma pinha cai e parte-se de encontro ao asfalto, assustando as minhas cadelas que logo se pôem a ladrar desalmadamente.
O jardim da Leonor ali está abandonado,  com os baloiços encharcados enquanto as bolas rebolam empurradas pelo vento, com mais força do que   se fosse pontapeada pelos seus pezitos.
Os passarinhos saltitam debaixo do telheiro da casa, abanando as suas asitas, para sacudir a água que lhes encharca as penas. Saltitam  e esvoaçam dum lado para o outro do telheiro. De vez em quando debicam alguns restos de comida das cadelas. Tão pequeninos, tão sensíveis e ali estão "fazendo-se à vida", enquanto   eu fico  qui, nesta melancolia, olhando para eles tão activos, insensíveis ao frio, ao vento  e à chuva.
O barulho da lenha que crepita na lareira embala os meus sentidos e ainda me motiva mais para permanecer naquela dormência, pensamentos à solta que, muitas vezes, me conduzem ao passado.


Não sendo saudosista,  não posso nem quero esquecer o passado. É recordando que dou valor ao meu presente e me torno mais tolerante,conformada e grata por tudo aquilo que Deus me tem dado ao longo da vida.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

1 comentário:

alfacinha disse...

Admiro a sua linguagem escrita, é tão adorável definida que agora fiquei com remorso.Cumprimentos