terça-feira, 5 de janeiro de 2010

As Minhas Festas Natalícias de Criança

Podemos chegar ao conhecimento das coisas por dois caminhos, a saber experiência e a dedução.
(René Descartes)


Está a chegar ao fim a quadra natalícia e embora a  tradição já não se cumpra como antigamente, muitos foram os blogs que deram notícia de aldeias, vilas e cidades que se empenharam em divulgar as suas tradições, pondo-as em prática, embora em alguns casos as adaptassem à actualidade.
No meu caso, nunca passei esta época como a maior parte das pessoas. A razão é simples. O meu pai era sócio duma pastelaria, a Bijou do Calhariz,  onde exercia a profissão de pasteleiro.
Por essa razão, na véspera de Natal e de fim de ano, levantava-se muito cedo. Durante a madrugada, confeccionavam grandes quantidades de  bolo-rei para, logo de manhã,  haver fartura para vender. Eram os melhores dias do ano para o negócio e tinham que se aproveitar. Viviam-se tempos de dificuldade e, quando havia quadras festivas, tinha que se aproveiatr ao máximo.  Quando chegava a noite e o meu pai aparecia em casa completamente exausto,  jantávamos  e íamos, quase de seguida, para a cama.


- O meu pai e a sua equipa na fábrica da Bijou do Calhariz -

Pelo Natal, eu ia satisfeita  porque os meus pais diziam que o Menino Jesus só vinha trazer os presentes, quando eu estivesse a dormir. Assim, eu lá ia mais ou menos convencida depois de ter colocado o meu sapato na chaminé. Ainda tentava ficar acordada na ânsia de ver o Menino Jesus, mas acabava sempre por adormecer. De manhã, assim que acordava, corria para a cozinha e lá tinha umas meias, uma camisola, um balão, ou uns rebuçados.
A  noite da passagem de ano era mais complicada. No apartamento ao lado morava um casal com os seus três filhos. Eram pessoas com grandes dificuldades. O meu vizinho era bombeiro e não ganhava o suficiente  para alimentar a famíla. Muitas vezes eram ajudados pela Igreja do bairro, tanto em alimentos como em vestuário. Pelo Natal, ofereciam-lhes roupas  bonitas  e, na noite da passagem de ano, desfilavam em minha casa, mostrando como estavam bonitos para irem passar o ano no baile dos Bombeiros.
A minha cabeça de criança não entendia porque razão os meus vizinhos, tão pobrezinhos, se arranjavam e iam festejar a passagem do ano, enquanto eu ficava em casa a dormir. E nessa noite era mesmo difícil adormecer.
Claro que no dia seguinte, perante os meus queixumes, os meus pais  explicavam-me as suas razões mas, só mais tarde, eu entendi a forma como eles encaravam a vida, para que nada de  verdadeiramente essencial me faltasse.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.




1 comentário:

Marli disse...

Olá amiga!
Vim para matar a saudades.
Com você está, tudo bem!
Aqui tudo bem, só um calorão de derreter em suor.
Espero que esse ano seja bem produtivo para nos todos.
tenha uma linda quinta feira.
beijão
Marli