sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Catástrofe


A natureza não é benévola, e é com determinada indiferença que de tudo se vale para os seus fins.
(Lao-Tsé)



Durante a semana, várias vezes tentei escrever algo sobre o recente terramoto  no Haiti, mas os acontecimentos são de tal maneira trágicos e as imagens de destruição e morte que nos chegam em catadupa são tão horríveis, que me faltam as palvras para escrever o que quer que seja.
Mais uma vez me fui valer de um autor bastante conhecido, que gerou controvérsia entre a classe religiosa da  época, mas que descreveu num poema uma catástrofe semelhante, ocorrida em Lisboa em 1755.


Poema sobre o desastre de Lisboa

 

(...)Ó infelizes mortais! Ó deplorável terra!
Ó agregado horrendo que a todos os mortais encerra!
Exercício eterno que inúteis dores mantém!
Filósofos iludos que bradais «Tudo está bem»;
Acorrei, contemplai estas ruínas malfadas,
Estes escombros, estes despojos, estas cinzas desgraçadas,
Estas mulheres, estes infantes uns nos outros amontoados
Estes membros dispersos sob estes mármores quebrados
Cem mil desafortunados que a terra devora,
Os quais, sangrando, despedaçados, e palpitantes embora,
Enterrados com seus tectos terminam sem assistência
No horror dos tormentos sua lamentosa existência!
Aos gritos balbuciados por suas vozes expirantes,
Ao espectáculo medonhos de suas cinzas fumegantes,
Direis vós: «Eis das eternas leis o cumprimento,
Que de um Deus livre e bom requer o discernimento?»
Direis vós, perante tal amontoado de vítimas:
«Deus vingou-se, a morte deles é o preço de seus crimes?»
Que crime, que falta cometeram estes infantes
Sobre o seio materno esmagados e sangrantes?
Lisboa, que não é mais, teve ela mais vícios
Que Londres, que Paris, mergulhadas nas delícias?
Lisboa está arruinada, e dança-se em Paris.(...)
Voltaire (excerto traduzido)



- Que futuro? -

De entre as muitas imagens que circulam na net, escolhi para ilustrar o post,  uma das menos horríveis, a imagem duma criança.
Espero que, a boa vontade dos homens que, muitas vezes só nos momentos trágicos se unem, possam ajudar os que ficaram, a construir o seu futuro,  fazendo renascer dos escombros a sua cidade.
Que ninguém se esqueça que os acontecimentos do passado podem, de novo, bater-nos à porta a aqualquer instante...

 
 

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

8 comentários:

Marli disse...

Olà amiga!
Estou pássando para te desejar um bom fim de semana e te deixar uma beijokinha.
Marli

Dulce disse...

Já eu, minha amiga, ainda não consigo escrever nada. Então transformo em orações minha tristeza...
Beijos

M. Lourdes disse...

Marli
Bom fim de semana também para si, minha amiga.
Beijinhos

M. Lourdes disse...

Dulce
Ninguém consegue ficar indiferente perante tamanha tragédia. Concordo consigo , só nos resta rezar.
Beijinhos

Manuela disse...

Olá amiga, desculpe-me só responder agora, mas acho que ainda vou a tempo.
Eu faço-lhe o selo do Aniversário do seu blog.
Mande-me uma imagem para email:
manuela.cardoso@hotmail.com

bj~Bom fim de semana
Manuela

Fernanda disse...

Amiga Lourdes,

Não consigo deixar de pensar naquelas imagens terríveis que vi na TV.
Desgraçados os que são assim vítimas de semelhante horror. São nossos irmãos!
Resta-nos chorar os mortos, e esperar que a ajuda internacional chegue efectiva e rapidamente para evitar que mais morram a cada instante à míngua dos bens mais fundamentais.

M. Lourdes disse...

Manuela
Agradeço a boa vontade. Vou mandar assim que possível.
Obrigada
Lourdes

M. Lourdes disse...


É isso que penso também, mas vejo a ajuda tão demorada que até me custa a acreditar no que se está a passar.
Que Deus tenha compaixão daquela pobre gente.
Beijinhos