domingo, 26 de setembro de 2010

Era uma Tarde de Outono

( Foto da Net )

Em Portugal já se notam as características do Outono.
Embora já não haja estações climáticas definidas com antigamente, o que é certo é que o tempo está mesmo outonal.
Ao fim da tarde, um vento fresquinho empurra as folhas douradas caídas das árvores e já apetece ficar em casa e ler um bom livro. E porque não a poesia de Olavo Bilac?...
Era uma Tarde de Outono


Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...
Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?

A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...


Olavo Bilac, in "Poesias"


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

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