sexta-feira, 9 de abril de 2010

Histórias da Serra

Amar é encontrar na felicidade de outrem a própria felicidade.
(Gottfried Wilhelm Leibniz)

Os  dias e meses passavam iguais a tantos outros. Era costume na aldeia, à hora da chegada do carteiro, as pessoas  juntarem-se na loja do tio Pereira, na ânsia da chegada de uma carta que desse para matar saudades dos familiares que trabalhavam em locais distantes.
                                      


- A loja do tio Pereira -

Naquela manhã invernosa, era ela quem esperava a correspondência que a mãe costumava receber do marido ou do filho.
O tio Pereira, com uma carta na mão, chamava cada nome escrito no envelope. Logo de seguida, surgia alguém que  a agarrava, exibindo um largo sorriso de felicidade.
Ela encostada a um canto, esperava ouvir o nome da mãe e, quando ouviu o dela, nem se apercebeu que era para si a carta que o ti Pereira levantava no ar ao mesmo tempo que dizia:
- Ó rapariga, tu não ouves?
Incrédula, recebeu a carta e apressou-se a  abandonar o local, tentando perceber de quem era aquela caligrafia que ela não conhecia.  Só quando saiu da loja virou a carta para descobrir o remetente. (Na altura, o remetente era escrito na parte de trás do envelope).
Entrou em casa e foi de imediato esconder-se no quarto, onde leu ansiosamente cada palavra escrita por aquele rapaz,  dono dos olhos  que não lhe saíam da cabeça, que lhe manufestava um amor sincero e cheio de boas intenções.
O seu desejo foi responder logo, "na volta do correio" mas, na época, não era de bom tom responder-se logo afirmativamente na primeira carta e, foi com alguma tristeza e revolta que cumpriu o papel "de se fazer difícil".
Ao fim de algum tempo e de algumas cartas de insistência,  iniciou-se o namoro com o devido consentimento paterno.
Ele, apesar dos seus 19 anos, ansiava por uma vida familiar que lhe desse a segurança e apoio necessários  para investir na sua vida profissional futura. No entanto, não o queria fazer sem ter a sua família organizada, pois pensava que só com uma companheira, com a qual tivesse uma grande cumplicidade, conseguiria atingiros seus ojectivos  que, por serem bastante ambiciosos, se avizinhavam difíceis.
Então no dia 20 de Novembro de 1948, com apenas 20 anos, os dois uniram as suas vidas com a cumplicidade dos  famíliares de ambas as partes. Após alguns dias, abandonaram a aldeia  e rumaram para Lisboa, onde iriam dar início a uma nova  vida.

montagem de fotos


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


3 comentários:

ELISABETE- disse...

ola lourdes mas que bela historia de amor,hein.naquela altura,apesar dos tempos serem dificeis,havia magia,ou somos nos a ver-mos esses tempos com alguma magia.hoje parece nao existir nada,a gente casa sabendo o que vai ser o casamento,nao ha discussao,ha gritos.mudam-se os tempos e perde-se muita coisa boa,a dita magia.como gostava de ter vivido uma bela historia de amor dessas com magia,até isso me passou ao lado.enfim,nao é para todos,nao é?.bjinho e um excelente fim de semana

Maria Teresa disse...

Lourdes:
As cartas que vinham em envelopes lacrados e com remetente e tudo sempre traziam essa emoção escondida, não é? Não digo as das contas e dos extratos bancários, mas aquelas manuscritas, onde havia um naco de história a ser compartilhada...
Beijos

Flora Maria disse...

Linda história de amor, à moda antiga.
Primeiro se conheciam, depois se gostavam, depois namoravam, depois noivavam, depois casavam, depois faziam sexo, depois nasciam os filhos. (Pelo menos comigo foi assim...)
Agora a ordem mudou, não é ?

Por aqui, o remetente é no verso do envelope, e é muito gostoso receber cartas.
Mas os emails suprem essa necessidade da surpresa, pois é muito bom receber mensagens e comentários nos blogs.

Beijo, e estou acompanhando com interesse essa história tão bonita.