sexta-feira, 19 de março de 2010

A Aldeia do Meu Pai IV - Dia do Pai

Os nossos pais amam-nos porque somos seus filhos, é um fato inalterável. Nos momentos de sucesso, isso pode parecer irrelevante, mas nas ocasiões de fracasso, oferecem um consolo e uma segurança que não se encontram em qualquer outro lugar.
( Bertrand Russell )





Presente:
Foi muito difícil e prolongada  a luta dos habitantes de Sobral Gordo por melhores condições de vida e, a maior parte acabou por criar raízes na região metropolitana de Lisboa. Embora as férias e tempos livres fossem passados no Sobral Gordo,  os habitantes permanentes diminuiram substancialmente e, actualmente são muito poucos os que lá residem. No entanto, mesmo passando a maior parte do ano longe da sua aldeia, o povo sobralgordense não desiste de recordar e evidenciar orgulhosamente a história de vida dos seus antepassados.
Para isso, continuam a realizar a sua festa anual na aldeia, onde os momentos altos são a parte religiosa com a Missa e Procissão e a parte profana com os bailaricos e o piquenique na Eira Fundeira; organizam anualmente, no mês de Junho, um piquenique em Almada, onde matam saudades numa agradável confraternização e, no mês de Novembro, realizam uma excursão ao Sobral Gordo, onde fazem o seu convívio de S. Martinho.
Para manter ainda mais vivas as tradições da sua terra, criaram um grupo etnográfico onde tentam manter na memória e divulgar os usos e costumes da aldeia que os viu nascer, organizando vários eventos ao longo do ano.


- Grupo Etnográfico Raízes do Sobral Gordo-
(Foto: G.E.R. Sobral Gordo)

Foi nesta aldeia, vivendo a realidade duma região pobre, com estas pessoas, que o meu pai cresceu e se fez homem. Foi com eles que aprendeu que só aliando a inconformação, alguma ambição e muito espírito de sacrifício se consegue uma vida melhor.
Após o casamento, o meu pai foi adoptado pela terra da minha mãe,  uma aldeia vizinha com uma história muito semelhante. Durante muitos anos liderou a Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro e eu  cresci  acompanhando as suas lutas. Foi dele e da minha mãe que recebi o amor à região serrana, a instrução e  educação. Foram os valores  que  me passaram que  fizeram de mim a pessoa que hoje sou  e é  o seu   exemplo  que tento passar também aos meus filhos...
Obrigada Pai!

Concluo, hoje, uma das homenagens que resolvi fazer ao meu pai na internet, contando um pouco da história da sua terra, durante a semana em que se comemora, em Portugal, o Dia do Pai. No entanto, essa homenagem vai continuar presente, por algum tempo num dos  capítulos deste blogue que intitulei de Histórias de Vida e  onde ele é a fonte de inspiração das postagens.

E, como é comum dizer-se e eu sinto mesmo Dia do pai são todos os dias do ano.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

2 comentários:

Marli disse...

Olá Amiga!
Que fofinho seu pai, sabia que adoro os idosos, por aqui vivo abraçando e beijando os que conheço.
Gosto também de conversar com eles.
São pessoas maravilhosas.
Vim desejar um lindo fim de semana.
Marli

Fernanda disse...

Querida Lourdes,

Bela é a homenagem que decidiste fazer ao teu pai.

Parabéns pela ideia, que um dia se calhar ainda seguirei, quem sabe?

O meu pai faleceu no dia 13 de Janeiro e tinha feito 81 anos a 3 do mesmo mês, vítima de cancro.

Beijinhos minha querida,