sábado, 21 de Março de 2009

Dia Mundial da Floresta


Árvore plantada com amor, nenhum vento derruba!
(Provérbio chinês)


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O dia 21 de Março é o Dia Mundial da Floresta.
As árvores são símbolos de vida pois, por si só, podem-nos trazer muitos benefícios que garantem a sobrevivência do nosso planeta.
Sendo elas tão ameaçadas, sofrendo todos os anos a acção dos incêndios, devemos tentar preservá-las.
Este ano, talvez devido às altas temperaturas que se fizeram sentir no final do Inverno, os incêndios começaram já a sua acção devastadora nas matas portuguesas. Por isso e para que o equilíbrio seja mantido, há que prevenir atempadamente. Todos nós temos um papel muito importante a representar, se tivermos em conta que uma grande parte dos incêndios florestais são originados por descuido ou negligência.
Como o reflorestamento só nos devolve os seus serviços e bens a longo prazo, nunca é demais lembrar que, entre outros devemos:

· fazer aceiros em redor das povoações;
· manter o espaço florestal limpo;

Não devemos:

. No período de 1 de Julho a 30 de Setembro fazer fogueiras e queimadas e nos restantes períodos só são autorizados mediante uma licença da camarária para efectuar queimadas;
. fumar ou fazer fogueiras nas matas;
. deitar fora pontas de cigarro pela janela do carro;
· fazer piqueniques nos locais não sinalizados para o efeito.
· lançar foguetes.

- Imagem dum dos incêndios em Sobral Magro -
( Fotografia da Ana Teresa)


Vamos então todos contribuir para a preservação das nossas árvores e sensibilizar os que nos rodeiam, para a problemática ambiental.


Proteja a floresta e os seus bens e em caso de incêndio, não o tente apagar sozinho. Chame os Bombeiros!




Obrigada pela sua visita. Volte sempre!





sexta-feira, 20 de Março de 2009

Bem-Vinda Primavera

Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira.
(Cecília Meireles)

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A Primavera chegou hoje um pouco antes do meio dia à minha casa, com o céu muito azul e uma temperatura amena.
O meu jardim apresenta já algumas flores que desabrocharam nos últimos dias. Ei-las:



Apesar de as previsões serem do regresso da chuva, sê bem-vinda Primavera!


Obrigada pela visita. Volte sempre.


Adeus Inverno


Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a Primavera inteira.
(Che Guevara)


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O Inverno está no fim.
Na serra do Açor, as encostas dos montes já anunciam a estação do ano que se aproxima. Aqui e além, tufos de flores silvestres dão um colorido mais alegre às colinas verdejantes.


- As acácias (mimosas) começam a florir -


Os passarinhos chilreiam nos beirais dos telhados e saltitam de ramo em ramo, transportando nos bicos penas e ervas secas para construírem os seus ninhos.




- Um passarinho no telhado -


O tempo vai aquecendo e os dias radiosos intercalam com dias de aguaceiros, dando às terras de cultivo as condições para as diversas culturas rebentarem.



- As batateiras aparecem à superfície do solo -


Os campos cavados e semeados mostram pequenas folhas que brotam da terra húmida , em busca do Sol, que as fará desenvolver até se transformarem em alimento de pessoas e animais
A Primavera está aí à porta. Adeus Inverno, até para o ano!





Obrigada pela visita. Volte sempre.



quinta-feira, 19 de Março de 2009

Dia do Pai


Espera de teu filho o que fizeste com teu pai.
(Tales de Mileto)


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É muito difícil para mim escrever sobre o meu pai, pois tudo o que disser ficará aquém daquilo que ele é para mim.
Por essa razão, socorri-me de Florbela Espanca na escrita e de Fábio Junior na música, para a minha homenagem ao meu pai e a todos os pais portugueses, que hoje festejam o seu dia.



Poema para o Dia do Pai


Ter um Pai! É ter na vida
Uma luz por entre escolhos ;
É ter dois olhos no mundo
Que vêem pelos nossos olhos!

Ter um Pai! Um coração
Que apenas amor encerra,
É ver Deus, no mundo vil,
É ter os céus cá na terra!

Ter um Pai! Nunca se perde
Aquela santa afeição,
Sempre a mesma, quer o filho
Seja um santo ou um ladrão ;

Talvez maior, sendo infame
O filho que é desprezado
Pelo mundo ; pois um Pai
Perdoa ao mais desgraçado!

Ter um Pai! Um santo orgulho
Pró coração que lhe quer
Um orgulho que não cabe
Num coração de mulher!

Embora ele seja imenso
Vogando pelo ideal,
O coração que me deste
Ó Pai bondoso é leal!

Ter um Pai ! Doce poema
Dum sonho bendito e santo
Nestas letras pequeninas,
Astros dum céu todo encanto!

Ter um Pai! Os orfãozinhos
Não conhecem este amor!
Por mo fazer conhecer,
Bendito seja o Senhor!


Florbela Espanca







Obrigada pela visita. Volte sempre.






quarta-feira, 18 de Março de 2009

Aniversário da Comissão de Vale do Torno


Ninguém pode ver nem compreender nos outros o que ele próprio não tiver vivido.
(Hermann Hesse)


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No passado Domingo, a Comissão de Melhoramentos do Vale do Torno realizou um almoço comemorativo do seu aniversário, no restaurante A Caneca dos Redondos . Esta Comissão foi fundada no mesmo dia que a de Sobral Magro. Essa é uma das razões pela qual nunca pude estar presente nas festas do seu aniversário. No entanto, este ano o almoço realizou-se no dia seguinte e então lá estive.
A refeição decorreu de uma forma descontraída e animada e pude matar saudades de alguns amigos do Vale do Torno que há muito não via.
Deste evento, são as fotos que se seguem, gentilmente cedidas pelo amigo Vítor Moreira.















Obrigada pela visita. Volte sempre.

terça-feira, 17 de Março de 2009

Soito da Ruiva

Brincar é condição fundamental para ser sério.

( Arquimedes )


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Da amiga Teresa Neves, do Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva, recebi a mensagem que passo a transcrever:

Caros amigos!

À semelhança dos anos anteriores o Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva organiza um Baile da Pinha a realizar no próximo dia 28 de Março, no Clube Desportivo da Ramalha (Almada).
Os pormenores do programa podem consultar em www.soitodaruiva.com
Contamos com a presença de todos os nossos conterrâneos e amigos para uma noite bem divertida.


Um abraço
Teresa Neves


( Foto d'O Rouxinol de Pomares)


Sendo este um dos grupos que mais divulga a nossa freguesia, penso que merecem todo o nosso apoio e , uma forma bem simples de o fazer, é estar presente.

Eis o Programa:





Obrigada pela sua visita. Volte sempre.




segunda-feira, 16 de Março de 2009

Aniversário da Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro





Não é um notável talento o que se exige para assegurar o êxito em qualquer empreendimento, mas sim um firme propósito.
(Thomas Atkinson)




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Decorreram no ambiente castiço do fado de Lisboa, as comemorações dos 57 anos de existência da Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro. Um grupo de naturais de Soito da Ruiva e do Vale do Torno juntaram-se aos sobralmagrenses, numa festa que é comum a muitas localidades da região do Açor, o aniversário dum movimento associativo implementado no século passado, que tinha por objectivo principal melhorar as condições de vida das suas aldeias, tão esquecidas que estavam, longe do progresso.

O Pastelinho de Benfica estava repleto e o serviço foi excelente.




Os fadistas eram muito bons. Fado castiço, aqui e além alternado com um fado mais popular, que os artistas aproveitavam para interagir com o público, pondo-os a cantar.
O Sr. João de Carvalho , presidente da colectividade, agradeceu a presença de todos , em especial aos naturais das aldeias vizinhas.
Ao longo da noite, durante os intervalos, foram oferecidas lembranças aos presentes. As senhoras receberam uma miniatura de barro e os cavalheiros um porta chaves com as cores da bandeira da Comissão de Melhoramentos.

Foram também distribuídos pastéis de nata, especialidade do Pastelinho de Benfica, que foram muito apreciados pois tinham acabado de ser confeccionados. Bem cobertos de canela estavam uma delícia!



Duas das senhoras, que colaboraram na organização do evento, entregaram ao Presidente da Direcção duas lembranças que fizeram para ajudar na decoração da Casa de Convívio em Sobral Magro: um quadro com logotipo da Comissão de Melhoramentos em ponto de Arraiolos, bordado pela Lídia Dias e uma placa de xisto com a capela de Sobral Magro, pintada pela Maria de Lourdes.

Esta foi uma iniciativa das duas senhoras mas que se podia tonar extensiva a outros naturais de Sobral Magro, onde não falta jeito para o artesanato.



Quase no final do espectáculo, cantaram-se os Parabéns à Comissão de Melhoramentos. O Sr. João apagou as respectivas velas, ao som de aplausos e o bolo foi distribuído pelos presentes, acompanhado por uma taça de vinho espumante.


Por fim, mais uma série de fados encerrou os festejos, numa noite muito agradável em que aproveitámos para rever conterrâneos e amigos que só quando se organizam estes eventos se podem encontrar, por se encontrarem dispersos pela região da grande Lisboa.


Esperamos por uma próxima iniciativa. Até lá,

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



domingo, 15 de Março de 2009

G.D.C. de Soito da Ruiva


Viver sem amigos é como tentar tirar leite de um urso para o café da manhã. Dá muito trabalho e não vale a pena.
(Zora Neale Hurston)

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No âmbito das comemorações do Dia da Mulher, evento organizado pela Associação dos Amigos da Cidade de Almada, o Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva vai actuar hoje no Museu da Cidade de Almada.
O espectáculo terá inicio ás 15h00 e dele constará, para além do Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva, a actuação do grupo de música tradicional portuguesa Comtradições, da Cova da Piedade.
O Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva merece o apoio de todos.
Compareçam.



Obrigada pela visita. Volte sempre.

sábado, 14 de Março de 2009

Aniversário de Comissões de Melhoramentos

O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.
(Mohandas Gandhi)


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O post de hoje é dedicado às Comissões de Melhoramentos de Sobral Magro e do Vale do Torno que completam, respectivamente 57 e 54 anos de existência.
Aos habitantes das referidas povoações, endereço os meus Parabéns. Faço votos que continuem a lutar por melhores condições de vida para as vossas aldeias, de braço dado com as respectivas Comissões de Melhoramentos, que sem a ajuda dos seus conterrâneos não conseguirão atingir os objectivos que todos pretendem.
Não posso deixarde mencionar que foram as Comissões de Melhoramentos as principais impulsionadoras do desenvolvimento que as aldeias da serra do Açor hohe apresentam a quem as visita. Foram os seus elementos os responsáveis pela construção de escolas, estradas, distribuição de água ao domicílio, saneamento e outras grandes obras.
As duas aldeias em festa organizaram eventos comemorativos da data. A Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro vai realizar um jantar com fados, hoje pelas 20 horas, no restaurante d'O Pastelinho de Benfica em Lisboa. Por seu lado a Comissão de Melhoramentos de Vale do Torno levará a efeito um almoço, amanhã (Domingo), no restaurante A Caneca Dos Redondos em Fernão Ferro.
Uma vez mais



Recados Para Orkut

RecadosOnline





Obrigada pela visita. Volte sempre.

sexta-feira, 13 de Março de 2009

Tradições da Serra: A Benta


Se quiseres,confia na pata do coelho: mas lembra-se de que ela não deu sorte ao coelho.
(R.E. Shay)


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Os habitantes das diversas aldeias da serra do Açor viveram, durante muitos anos, isolados nas aldeias onde nasceram. Muitos só de lá saíam para irem à feira ou a alguma romaria nas redondezas. As notícias chegavam apenas pelos almocreves que atravessavam as serras, ou quando algum dos seus habitantes mais destemidos migrava para Lisboa e vinha de visita à terra.
Pouco esclarecidos, viviam na crença dos mitos medievais que foram passando de geração em geração. Não conseguindo explicação para os problemas que lhes apareciam, tentavam encontrar respostas no sobrenatural.
Quando eram acometidos de algumas doenças que não conseguiam tratar pelos processos que vulgarmente utilizavam, acreditavam serem vítimas de almas penadas, pragas, ou mau olhado lançado por alguém.
Para ajudar nestas superstições, em quase todas as aldeias havia uma pessoa que diziam ter dotes sobrenaturais, a quem recorriam todos aqueles que se sentiam "atacados". Na região que melhor conheço chamavam-lhe a benta, mas geralmente era conhecida por bruxa. Esta ouvia as pessoas e dava indicações da forma como deviam proceder para se livrarem dos seus problemas. Normalmente a solução era ouvir Missas, queimar azeite, ou velas, fazer defumadouros, tomar purgas, ...
Quando a benta dava indicações sobre quem lançara o mal, as pessoas cortavam relações com aqueles de quem desconfiavam e arranjavam-se grandes zangas envolvendo famílias inteiras.



Recados para Orkut
RecadosOnline

Hoje, Sexta-Feira 13, é preciso muito cuidado. Como alguém disse um dia: "Eu não acredito em bruxas, mas que as há, há..."








Obrigada pela visita. Volte sempre.


quinta-feira, 12 de Março de 2009

Tradições da Serra: Promessas



Até onde perdemos a crença perdemos a razão.
(G. K. Chesterton)

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Continuando a escrever sobre as tradições das aldeias da serra do Açor, hoje vou-me referir às promessas, uma tradição religiosa, que consiste em agradecer a uma entidade divina uma dádiva pedida. este costume já vem de tempos muito remotosmasAinda hoje, quando algumas pessoas se encontram desesperadas, recorrem à protecção divina .
Umas vezes recorriam aos Santos da terra, outras aos santos mais conhecidos da região, como acontece com a Senhora Nossa Senhora das Necessidades ( do Colcurinho,ou do Cabeço), a Nossa Senhora das Preces (Vale de Maceira), ou a Nossa Senhora do Montalto (Arganil), havendo também casos em que se recorria à Nossa Senhora de Fátima.


- Nª Sª das Preces -

Essas promessas eram feitas umas vezes em géneros, outras em romarias (três voltas dadas à capela). Quando bem sucedidas, eram cumpridas religiosamente.
Recordo-me de ver, no Domingo do Espírito Santo, grandes grupos de romeiros cumprindo as suas promessas à volta da capela de Nossa Senhora das Preces e de ir a pé, com o meu avô até ao Cabeço. Lembro-me também, das excursões que o Tio Custódio fazia a Fátima, onde os sobralmagrenses iam agradecer à Virgem e cumprir as promessas que haviam feito em momentos de grandes dificuldades.


- Nª Sª das Necessidades -

(Foto da Voz do Goulinho)

Pessoalmente, não concordo com as promessas. Sou católica e penso que devíamos estar com Deus em todos os momentos da nossa vida e não apens em momentos de aflição e acho que da forma como são feitas as promesas parece que se está a fazer um negócio com Deus. Acho que é uma atitude arrogante da nossa parte, mas cada um tem a sua fé e estes costumes estão enraizados nas pessoas, em especial nos povos serranos.


- Nª Sª de Fátima -



Há outros tipos de promessas...
Coincidência ou não, estou neste momento a ouvir as notícias na televisão. Diz o locutor que faz hoje quatro anos que o nosso primeiro ministro tomou posse e, no seu discurso, prometeu, entre outras, melhores condições para o interior do país.
Onde é que estão?
Como diz a canção: Paroles, paroles, paroles,...




Obrigada pela visita. Volte sempre.



quarta-feira, 11 de Março de 2009

Alminhas



Para os crentes Deus está no princípio das coisas. Para os cientistas no final de toda a reflexão.
( Max Planc)

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Por toda a serra do Açor, à beira das estradas, nas encruzilhadas dos caminhos, nas pontes, ou na frontaria das casas , em vários locais das povoações, existem pequenos monumentos, onde estão colocadas pinturas, esculturas ou painéis de azulejos em honra das Almas do Purgatório, a que vulgarmente se chamam «alminhas».


- Alminhas num nicho em Porto Silvado -


Estes pequenos e simples monumentos de culto aos mortos lembravam, a quem por eles passava, da necessidade de rezarem pelas almas dos defuntos que vagueiam expiando os seus pecados no Purgatório, para os ajudar a alcançar a paz eterna.
Em alguns destes locais , é frequente verem-se velas acesas ou flores, em especial coincidindo com datas relacionadas com os defuntos.
A origem das alminhas perde-se nos tempos. Sendo manifestações essencialmente cristãs, há quem defenda a sua origem pagã.
As alminhas têm vindo a desaparecer quer por incúria do homem, quer por não resistirem aos estragos provocados pelo tempo. No entanto, há povoações que se têm preocupado em preservar ou reconstruir estes exemplos da cultura religiosa popular.






- Alminhas que eu pintei em azulejo, no Sobral Magro -





Obrigada pela visita. Volte sempre.




terça-feira, 10 de Março de 2009

Tradições da Serra: O Endireita





Aqueles que nunca sofreram não sabem nada; não conhecem nem os bens nem os males; ignoram os homens; ignoram-se a si próprios.
(François Fénelon)

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A vida da população serrana foi sempre muito dura. Os terrenos íngremes não permitiam a ajuda de animais nos trabalhos agrícolas. Os caminhos tortuosos, escaleiras estreitas esculpidas na rocha, ou feitas pedra sobre pedra eram um perigo constante para quem delas se servia. As quedas e maus jeitos eram inevitáveis. O trabalho árduo à custa dos próprios braços, grandes carregamentos à cabeça e às costas, fizeram com que músculos e ossos tenham sido, desde sempre, um grande problema que condicionava a saúde dos habitantes da serra.
Para além das rezas e do barbeiro, o endireita era também uma ajuda nos tratamentos.
O endireita era uma pessoa que possuía um vasto conhecimento dos ossos do corpo humano e que conseguia muitas vezes tratar ossos fracturados, entorses, vértebras deslocadas, ou músculos torcidos. Esta sabedoria era, muitas vezes, transmitida de pais para filhos.


-Imagem retirada da net -


Pessoalmente, conheci um endireita, o da Chamusca.
Estava a leccionar no Sobral Magro e, sendo uma das poucas pessoas com carro, um familiar meu, já farto de tantas dores, pediu-me para o levar ao endireita, pois tinha dores muito fortes numa perna e a terapêutrica que lhe tinha sido ministrada parecia não estar a resultar.
Parece que ainda o estou a ver. Agarrou-lhe na perna e deu-lhe dois esticões, ao mesmo tempo que a fazia rodar.
Um grito de tal forma lancinante ecoou na sala, que eu pensei que o meu familiar não ia resistir. Depois, colocou-lhe umas talas, ligou-lhe a perna e mandou-o para casa.
Não sei se foi do tratamento do endireita ou se foram os medicamentos que já estava a tomar há alguns dias, mas ele lá foi melhorando.
Apesar de entretanto terem surgido os fisioterapeutas e os osteopatas, ainda hoje há endireitas espalhados por todo o país, que resolvem com êxito problemas relacionados com os ossos e músculos.



O que é certo é que quando as pessoas se vêm aflitas, recorrem a tudo.




Obrigada pela visita. Volte sempre.

segunda-feira, 9 de Março de 2009

Tradições da Serra: Rezas

Conhecimento real é saber a extensão da própria ignorância.
(Confúcio)



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No capítulo das ancestrais crenças populares muito havia a escrever, pois o nosso país é fértil nesta matéria, mas o meu conhecimento sobre o o assunto é parco. A região do Açor não foge à regra do país e, antes de recorrer ao barbeiro ou ao médico, recorria-se às rezas.
A minha avó conhecia algumas que a mãe lhe ensinara e, ainda me lembro de a ver a fazer rezas, tentando aliviar o sofrimento de algumas pessoas do Sobral Magro.


Para o estortagado:


Quando alguém tinha algum problema de ossos ou dava algum mau jeito, arranjava-se um púcaro e uma bacia com água, um trapo, uma agulha e linha.
Com a linha enfiada na agulha, davam-se pontos no trapo enquanto se repetia três vezes a seguinte reza :

- Que cozo?
- Carne quebrada nervo torto.
- Por isso mesmo é que te coso, pelo poder de Deus e da Virgem Maria em louvor de milagres , o Santo António e o S. Gonçalo em louvor de S. Silvestre façamos coisa que preste, Nosso Senhor Jesus Cristo seja o nosso Divino Mestre.Pai Nosso, Avé Maria, Glória, Salvé Rainha.


Para a erisipela:

A Erisipela é uma doença de pele que se manifesta com o aparecimento de pequenas bolhas de cor avermelhada.
Para se tratar utilizava-se um terço, uma faca e um ramo de figueira que se molhava em azeite e se aplicava na parte doente fazendo cruz e rezando:


Nossa Senhora subiu à Serra e encontrou a Erisipela e perguntou-lhe:
- Para onde vais negra vermelhorra?
- Eu não sou negra e vermelhorra, eu sou branca e coradinha, vou para a terra, comer carne, chupar sangue, moer osso e dar face à terra fria.
Nossa Senhora respondeu-lhe:
- Pois eu digo-te que não vais à terra comer carne, chupar sangue, moer osso e dar face à terra fria.
Porque eu com estas continhas do terço haverei de te atalhar com esta faca te cortarei, com estes ramos de figueira te queimarei e ao mar te deitarei, onde não sintas sinos a tocar e galos a cantar.
(Por fim estas palavras eram repetidas três vezes e rezava-se uma Salve Rainha).

Para o Cobrão:


O Cobrão é também uma doença de pele, hoje conhecida pelo nome de Zona e manifestava-se sob a forma de borbulhas que provocam muita comichão e dores.
Dizia-se que aparecia devido a alguns bichos rastejantes( cobras, osgas, lagartos ou lagartixas ) passarem sobre a roupa que se encontrava a secar e lá deixarem a sua peçonha ( veneno) que depois provocava a doença.
Para o tratamento, arranjavam-se umas palhas de alho que se colocavam sobre um cepo. e se cortavam ao mesmo tempo que se rezava três vezes:


Que corto?


Cobra ou cobrão,
Sarda ou sardão,
Sapo ou sapão,
A tudo isso é que eu corto.
Aqui te corto a cabeça (cortava do lado esquerdo das palhas de alho)
o meio (cortava o meio)
E o coração (cortava do lado direito)


De seguida queimavam-se as palhas até ficarem reduzidas a cinza. Juntava-se azeite, amassava-se e colocava-se a pasta que se formava sobre o local doente, tapando-se com uma ligadura.


Para além destas, muitas outras rezas faziam parte das tradições da população serrana. Não esgoto aqui o assunto pois voltarei , numa próxima ocasião, a escrever sobre este tema.





Obrigada pela visita. Volte sempre.













domingo, 8 de Março de 2009

Fim de Semana no Açor

A grandeza de um país não depende da extensão de seu território, mas do carater do seu povo.
(Colbert)


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Como algumas pessoas repararam, estive ausente durante uns dias. Fui ao Porto Silvado levar os meus sogros e prolonguei o fim de semana. Lá não tenho net e, por essa razão, interrompi as postagens.
Estou de regresso, após uns dias de clima muito incerto. Fiz a viagem para a aldeia debaixo dum grande temporal. Chuva e ventos muito fortes faziam prever um fim de semana encostada à lareira. No entanto, na Sexta Feira o tempo foi melhorando e o Sábado amanheceu radioso e anormalmente quente para a época.
Deixo-vos três localidades da nossa bonita região que consegui fotografar.



- Avô -


- Entrada de Pomares -



- Agroal -



Obrigada pela visita. Volte sempre.

quinta-feira, 5 de Março de 2009

O Avarento



Não podemos escolher como vamos morrer. Ou quando. Podemos somente decidir como vamos viver.
(Joan Baez)

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Escrevendo sobre medicina popular, lembrei-me duma poesia a que sempre achei quase tanta graça como às anedotas do seu autor:Bocage.

O AVARENTO

Levando um velho avarento
Uma pedrada num olho,
Pôs-se-lhe no mesmo instante
Tamanho como um repolho.

Certo doutor, não das dúzias,
Mas sim médico perfeito,
Dez moedas lhe pedia
Para o livrar do defeito.

"Dez moedas! (diz o avaro)
Meu sangue não desperdiço:
Dez moedas por um olho!
O outro dou eu por isso."


Bocage



- Imagem retirada da net -





Obrigada pela visita. Volte sempre que eu volto no Domingo.


quarta-feira, 4 de Março de 2009

Tradições da Serra: Crenças e Rezas

Existem mais mistérios entre o céu e a terra do que a nossa pobre razão pode imaginar.
(Shakeaspere)



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Nas aldeias da nossa região, situadas numa zona montanhosa, longe de tudo e de todos, as pessoas acreditavam que as rezas e orações os podiam proteger, dos mais diversos males.
Crentes no sobrenatural acreditavam em bruxas, lobisomens e almas penadas, fruto das histórias que passavam de pais para filhos e que ouviam contar à noite, ao serão.
De entre as crenças destacamos algumas:
- Se numa família nascessem sete mulheres, sem que nascesse um homem pelo meio dizia-se que a última ou a primeira era bruxa.
Para que isso não acontecesse, a mais velha deveria baptizar a mais nova.
- Outra crença era a existência de lobisomens, que era o nome dado a uma criatura que em noites de lua cheia se transformava em lobo e vagueava na procura de alguém que pudesse atacar.
Por essa razão se dizia que não era aconselhável sair nessas noites.
Dizia-se também, que não se devia brincar com a própria sombra, porque podia provocar doenças; não se deviam contar estrelas porque fazia aparecer verrugas; quando apareciam borboletas em volta da luz, dizia-se que eram bruxas; no caso de se matar algum gato seguir-se-iam sete anos de azar na vida...
As orações, rezas ou benzeduras, eram o remédio para o tratamento de muitos problemas que afectavam os nossos antepassados. Havia diversas rezas: para a espinhela caída, mau olhado, estortagado, erisipela, cobrão,...
As rezas passavam de pais para filhos e diferiam de região para região. Por vezes, na mesma povoação havia várias versões da mesma reza, em virtude de alguns habitantes serem oriundos de outras localidades.
Actualmente, estes tratamentos caíram em desuso, mas ainda há quem os utilize, antes de recorrer ao médico.







- Arruda, planta que se utilizava para proteger do mau olhado -


Obrigada pela visita. Volte sempre.


terça-feira, 3 de Março de 2009

O Barbeiro

A quem dói um dente, vai à casa do barbeiro.
(Ditado Popular)



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Nas encostas da serra, em terrenos rochosos e com grandes declives, trabalhando a pulso, os habitantes da região serrana estavam sujeitos a problemas de saúde e a acidentes de trabalho. Longe de médicos e dos hospitais, com fracos rendimentos económicas recorriam frequentemente a pessoas com conhecimentos de medicina popular, muitas vezes passados de pais para filhos.
O barbeiro teve um papel preponderante na saúde dos povos serranos que a ele recorriam frequentemente. Para além de cortar cabelos e fazer as barbas, arrancava dentes, fazia sangrias aplicando sanguessugas ou ventosas, escalda-pés, clisteres e outros tratamentos.
Há muitos anos atrás, o seu trabalho chegou mesmo a ser reconhecido, ocupando o último lugar na hierarquia hospitalar.



- Imagem retirada da net -




Para além dos barbeiros da Benfeita e do Porto Castanheiro, aos quais se faz referência no livro "João Brandão", muitos foram os que exerceram a sua profissão na serra do Açor.

Pessoalmente, apenas me lembro de ouvir falar do barbeiro do Piódão, quando era ainda uma criança.





Obrigada pela visita. Volte sempre.


segunda-feira, 2 de Março de 2009

João Brandão II



Só o amor é germe e princípio da única revolução que não trai o homem.
(João Paulo II)



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Hoje vou concluir com a transcrição dum outro excerto do livro de João Brandão, onde mais uma vez se faz alusão ao meu avô.


“… Tinha acontecido que os homens , que formavam as duas anunciadas esperas, depois do tiroteio da Catraia da Fonte de Espinho, voltaram a unir-se para continuarem a montaria ao Ferreiro.
E assim foram desorientados até chegarem à aldeia do Sobral Gordo, sem saberem o rumo que ele tinha tomado.
Cansados e já sem esperança de o voltarem a avistar, porque ele era destro nesta espécie de estratégia, e conhecia melhor do que os seus adversários os ásperos e difíceis caminhos das montanhas, veio o acaso em auxílio deles.
O mesmo pequeno, José Filipe
(1), que havia estado com o Ferreiro, encontrou-se agora com João Brandão, e informou-o do estado de desespero em que ele ia, pelo que este concluiu que o dito Ferreiro, tendo necessidade de tratar do braço ferido devia ter seguido ou para o Porto Castanheiro, ou para a Benfeita, porque só nestas duas povoações é que poderia encontrar barbeiros (2) que lhe prestassem este auxílio.
Por isso, ordenou logo à sua gente que voltasse a fraccionar-se em dois grupos, devendo partir um, composto de cinco homens armados, para o porto castanheiro, e devendo seguir o outro, para a Benfeita..."


Foi nesta última povoação que o Ferreiro da Várzea foi preso e morto por um dos homens que acompanhava João Brandão.
Miguel Nunes Jorge foi salvo de morte certa, por uma senhora de Pomares em casa de quem se juntaram as milícias de João Brandão, após o homicídio, que não consentiu que em sua casa se matasse um homem.

- Miguel Jorge Nunes (o irmão do Ferreiro da Várzea) -



(1) José Filipe era o meu avô.
(2) Barbeiros eram homens entendidos em sabedoria popular, que para além de cortarem os cabelos, arrancavam dentes e tratavam certas doenças, substituindo em muitos casos o médico.


Obrigada pela visita. Volte sempre.

sábado, 28 de Fevereiro de 2009

João Brandão I



O conceito de inimigo não é completamente certo e claro, a não ser que o inimigo esteja separado de nós por uma barreira de fogo.
(Jean-Paul Sartre )


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Continuando a descrever a perseguição de João Brandão ao seu inimigo Ferreiro da Várzea, escreve J. Dias Ferrão:

"... O Miguel pôde então continuar a sua marcha pela via dolorosa e erma das serras, em procura do seu irmão Ferreiro.
Após muitas fadigas foi surpreendê-lo num lugarejo, que fica perto de Sobral Magro, denominado o Covão, dentro de um curral de porcos, que lhe tinha sido indicado como único albergue, por um pequeno, filho de Joaquim Filipe, de Sobral Gordo, que já ia a caminho em procura de um barbeiro para lhe tratar do braço ferido, cujas dores aumentavam de intensidade.


- O Covão -


Foi nesta situação desolada que Miguel Nunes Jorge foi surpreender o irmão.
Prevendo a aproximação dos carabineiros, que a estas horas já se tinham reunido no Casal das Poças da Moura, insistiu com o Ferreiro para continuarem a marcha até encontrarem melhor abrigo.
Mas o Ferreiro, extenuado de fadiga, falto de alimentação, porque, desde a ceia da noite nas Luadas, não tinha voltado a comer, e cheio de dores, preferia que o viessem assassinar ali, a dar mais um passo para se salvar na fuga. Não era homem a quem a morte metesse medo!
Após muitas instâncias, e para não expor a vida do irmão, que corria naquele momento os mesmos riscos,acompanhou-o através da Lomba do Soito da Ruiva, em direcção á estrada que vai para o Sobral Casegas, no concelho da Covilhã.
Porém, ao cimo da ribeira de Parroselos, retrocederam por detrás da Catraia, seguindo ao lado da Mata da Margaraça, aos Pardieiros, para a Benfeita, povoação mais populosa, de gente de boa índole, no concelho de Arganil, onde havia dois curandeiros e onde se lhes afigurava existir um asilo seguro..."


Neste trecho, o seu autor conta como o Ferreiro da Várzea chegou ao Covão, junto a Sobral Magro. A ajuda ter-lhe-ia sido prestada pelo filho de Joaquim Filipe, de Sobral Gordo( o meu avô paterno).
Cresci a ouvir contar a história das peripécias em que o meu avô esteve envolvido, era ele ainda criança.




Obrigada pela visita. Volte sempre.

sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

João Brandão

Olho por olho, e o mundo acabará cego .
(Mohandas Gandhi)



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Na Terça-Feira de Carnaval, estive entretida com a leitura de um livro que há muito tinha vontade de ler: "João Brandão" da autoria de J. Dias Ferrão.
Sabia que, nele se narravam algumas aventuras daquela personalidade complexa da Beira , passadas na nossa região. É de fácil leitura e os locais que tão bem conheço, desfilaram na minha mente em cada página que lia.

João Victor da Silva Brandão, natural do Casal da Senhora ( Midões) envolveu-se em lutas políticas e, se para uns foi considerado um herói, para outros não passou dum bandoleiro da pior espécie.



João Brandão e as suas milícias moveram uma feroz perseguição a um dos seus maiores inimigos políticos, João Nunes. Este era natural da aldeia do Casal dos Povos da Moura, antiga freguesia de Avô, ferreiro de profissão como os homens da família e casara com uma senhora da Várzea de Candosa. Por essa razão passou a ser conhecido por Ferreiro da Várzea. A sua divisa era: "Morrer ou matar João Brandão."
Não resisto a transcrever alguns excertos do livro em que se narra essa perseguição.
Esta cena iniciou-se na Catraia da Fonte Espinho, em casa do vendeiro José Nunes. Ali se esconderam alguns dos homens de João Brandão, à espera que por ali passassem o Ferreiro da Várzea e o irmão Miguel, que o acompanhava na sua fuga.

"... De repente, o Ferreiro largou a fugir e a gritar para o Miguel que fugisse também, porque estavam perdidos. Neste instante, os bandidos dispararam tantos tiros, que o dono da casa, cheio de susto, deitou-se no chão, e foi necessário que a mulher o fosse levantar, porque já se julgava sem vida, só com o estampido das detonações.
Desta descarga resultou que um tiro da carabina do Matos, mesmo a distância, partiu o braço esquerdo do Ferreiro, pelo antebraço, rés-vés com o cotovelo, continuando este sempre a fugir, sem largar a arma, até atingir o Galampo, que fica entre a Foz da Moura e o Sobral Gordo, se não estou em erro.Nesta altura já era noite cerrada, e já começava a sentir fortes dores no braço, o qual a aumentar de volume ia dificultar-lhe os movimentos, pelo que se viu obrigado a largar a carabina, que deixou sobre uma pedra para nunca mais a tornar a ver. E seguiu sempre a sua carreira até ao Sobral Magro.

Um outro tiro varou o bolso direito das calças de seu irmão Miguel, atravessando-lhe um lenço sem contudo o atingir, e sem que ele também afrouxasse a corrida.Porém, vendo-se quase alcançado pelos que vinham sobre ele, largou a arma ao pé da casa que pertencia a José António Lobo, de Avô, e foi esconder-se debaixo de um açude de madeira, mato e silvas, na Ribeira da Moura, ficando oculto por detrás da queda de água, na parte que estava em seco.

A caravana passou por cima do referido açude, em grande tropel, sem conseguir avistar o fugitivo, que assim se pode furtar às suas iras.

Cobriu-o a noite, com as suas vestes negras, salpicadas de estrelas brilhantes, como os antigos a representavam..."




- Sobral Magro, no passado -


Sobral Magro é a terra natal da minha falecida mãe e Sobral Gordo a de meu pai. As outras localidades de que se fala no texto são-me igualmente familiares e são-no também em relação a muitas das pessoas que visitam este meu blog.



Obrigada pela visita. Volte sempre.

quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Quaresma


Se permanecerdes na fé e na esperança, Deus fará convosco grandes coisas e exaltará os humildes.
(S. Jerónimo Emiliano)

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Ontem, Quarta-feira de Cinzas, iniciou-se no calendário católico, a Quaresma.
Desde o séc. IV que, durante os 40 dias que se seguem ao Carnaval, a Igreja prepara a Páscoa. Antigamente, este período era vivido duma forma mais austera, tendo como exemplo o espaço de tempo em que Cristo viveu no deserto. Actualmente, esta quadra é vivida duma forma mais ligeira mas sempre com o espírito de oração, a penitência e a caridade.




- Cerimónia do "Lava Pés" no Museu de Cera em Fátima -



Agora que o Carnaval já passou, há que esquecer os excessos e pensar na vida difícil que o Mundo atravessa e naqueles que mais precisam.





Obrigada pela visita. Volte sempre.







quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

Ainda o Carnaval

Por sabedoria entendo a arte de tornar a vida mais agradável e feliz possível .
(Arthur Schopenhauer)



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Como referi o meu carnaval deste ano foi passado em casa. Como tal, não pude apreciar , no terreno, o modo como se passou esta quadra festiva na região do Açor. Mas, a internet permite-nos, sem sair do conforto do lar, percorrer algumas das povoações e apreciar alguns carros alegóricos que desfilaram na nossa região.
Do Miradouro de Vila Cova (Vila Cova do Alva), retirei uma fotografia que nos mostra o carro alegórico do Centro de Dia, desfilando no corso daquela localidade.





Os seniores esmeraram-se e demonstraram que ainda podem ser úteis se os souberem orientar para actividades que ainda ainda estejam ao seu alcance.

Parabéns ao Centro de Dia de Vila Cova do Alva!



Obrigada pela visita. Volte sempre.


terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

Terça-Feira de Carnaval

Quem não dispõe de reservas em si próprio, é assaltado pelo aborrecimento que o espreita e em breve o dominará.
(Alain)




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Esta Terça-Feira acordou risonha, iluminada por um bonito sol de Inverno que foi aquecendo à medida que o dia ia avançando e fez as delícias dos foliões, que desfilaram em várias localidades do país.
Como já tinha previsto, passei esta terça feira-gorda no aconchego do lar. Ao almoço tive a companhia da filha e da neta. E lá vinha ela com o seu fato de sevilhana, toda ufana da figura que fazia.






A restante parte da tarde, passei-a refastelada no sofá da minha sala a ler e dando, de vez em quando, uma espreitadela na televisão, onde se viam os desfiles de Carnaval dos vários pontos do mundo.
Quanto ao nosso, foi um desfile de sátira política e mulheres com disfarces cada vez mais reduzidos, acompanhados de música brasileira.
Quanto a mim, muito pouco interessante. O mesmo de sempre...




Obrigada pela visita. Volte sempre.



segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Sonho de uma Terça-Feira Gorda


Sorria! Sorrir abre caminhos, desarma os mal-humorados, contamina. Mas sorria com a alma, não apenas com os lábios.

( Lea Waider)


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SONHO DE UMA TERÇA-FEIRA GORDA


Eu estava contigo. Os nossos dominós eram negros, e negras eram as nossas máscaras.
Íamos, por entre a turba, com solenidade,
Bem conscientes do nosso ar lúgubre
Tão contrastado pelo sentimento de felicidade
Que nos penetrava. Um lento, suave júbilo
Que nos penetrava... Que nos penetrava como uma espada de fogo...
Como a espada de fogo que apunhalava as santas extáticas.
E a impressão em meu sonho era que se estávamos
Assim de negro, assim por fora inteiramente de negro,
– Dentro de nós, ao contrário, era tudo claro e luminoso.

Era terça-feira gorda. A multidão inumerável
Burburinhava. Entre clangores de fanfarra
Passavam préstitos apoteóticos.
Eram alegorias ingênuas, ao gosto popular, em cores cruas.
Iam em cima, empoleiradas, mulheres de má vida,
De peitos enormes – Vênus para caixeiros.
Figuravam deusas – deusa disto, deusa daquilo, já tontas e seminuas.

A turba, ávida de promiscuidade,
Acotovelava-se com algazarra,
Aclamava-as com alarido.
E, aqui e ali, virgens atiravam-lhes flores.

Nós caminhávamos de mãos dadas, com solenidade,
O ar lúgubre, negros, negros...
Mas dentro em nós era tudo claro e luminoso.
Nem a alegria estava ali, fora de nós.
A alegria estava em nós.
Era dentro de nós que estava a alegria,
– A profunda, a silenciosa alegria...




Manuel Bandeira, Carnaval, 1919




Carnaval - Recados Para Orkut

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