sábado, 28 de fevereiro de 2009

João Brandão I



O conceito de inimigo não é completamente certo e claro, a não ser que o inimigo esteja separado de nós por uma barreira de fogo.
(Jean-Paul Sartre )


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Continuando a descrever a perseguição de João Brandão ao seu inimigo Ferreiro da Várzea, escreve J. Dias Ferrão:

"... O Miguel pôde então continuar a sua marcha pela via dolorosa e erma das serras, em procura do seu irmão Ferreiro.
Após muitas fadigas foi surpreendê-lo num lugarejo, que fica perto de Sobral Magro, denominado o Covão, dentro de um curral de porcos, que lhe tinha sido indicado como único albergue, por um pequeno, filho de Joaquim Filipe, de Sobral Gordo, que já ia a caminho em procura de um barbeiro para lhe tratar do braço ferido, cujas dores aumentavam de intensidade.


- O Covão -


Foi nesta situação desolada que Miguel Nunes Jorge foi surpreender o irmão.
Prevendo a aproximação dos carabineiros, que a estas horas já se tinham reunido no Casal das Poças da Moura, insistiu com o Ferreiro para continuarem a marcha até encontrarem melhor abrigo.
Mas o Ferreiro, extenuado de fadiga, falto de alimentação, porque, desde a ceia da noite nas Luadas, não tinha voltado a comer, e cheio de dores, preferia que o viessem assassinar ali, a dar mais um passo para se salvar na fuga. Não era homem a quem a morte metesse medo!
Após muitas instâncias, e para não expor a vida do irmão, que corria naquele momento os mesmos riscos,acompanhou-o através da Lomba do Soito da Ruiva, em direcção á estrada que vai para o Sobral Casegas, no concelho da Covilhã.
Porém, ao cimo da ribeira de Parroselos, retrocederam por detrás da Catraia, seguindo ao lado da Mata da Margaraça, aos Pardieiros, para a Benfeita, povoação mais populosa, de gente de boa índole, no concelho de Arganil, onde havia dois curandeiros e onde se lhes afigurava existir um asilo seguro..."


Neste trecho, o seu autor conta como o Ferreiro da Várzea chegou ao Covão, junto a Sobral Magro. A ajuda ter-lhe-ia sido prestada pelo filho de Joaquim Filipe, de Sobral Gordo( o meu avô paterno).
Cresci a ouvir contar a história das peripécias em que o meu avô esteve envolvido, era ele ainda criança.




Obrigada pela visita. Volte sempre.

2 comentários:

Anónimo disse...

já ouvi algumas histórias sobre joão brandão mas èsta não conhecia

Nós tivemos no Goulinho uma santa senhora que éra natural desse lugar chamado de Covão éra casada com o tio Manuel Lourenço tio do nosso Relojoeiro a senhora chamava-se Maria da Conceição mas nós só lhes chamava-mos TIA DO COVÃO boa senhora que a terra lhe seja leve

Foi só para lembrar..
Antonio Assunção

Dulce disse...

Lourdes
Só vim lhe desejar um bom dia.
bjs