quinta-feira, 23 de março de 2017

Vila Franca II

Localizada  a aproximadamente 30 Km da capital, a pitoresca  cidade de Vila Franca de Xira é sede de concelho, do qual fazem parte seis  freguesias: Alhandra, Calhandriz e São João dos Montes; Alverca do Ribatejo e Sobralinho; Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras; Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa; Vialonga e Vila Franca de Xira.
Toda a região onde se encontra implantada esta cidade, foi ocupada desde tempos ancestrais, como o comprovam  os achados arqueológicos  encontrados ao longo dos tempos, que nos remontam para perto de um milhão de anos.  
Bem mais tarde, foi ocupada pelos vários povos que invadiram e se fixaram no país. Na área ocupada pela cidade, surgiu a Vila de  Povos, uma povoação portuária onde os mercadores romanos faziam o seu comércio, chegando aos nossos dias vestígios de edifícios, ossos humanos e várias peças de cerâmica.
Os Mouros também  deixaram a  marca da sua presença, numa estrutura defensiva localizada  no Alto do Monte do Senhor da Boa Morte e o gosto na arte  de domar  cavalos selvagens e lidar  touros.
Durante a reconquista cristã, D. Afonso Henriques foi auxiliado por cruzados ingleses e,  como reconhecimento, doou-lhes  alguns   terrenos situados nas margens do Tejo.
Estes  fundaram então uma povoação onde predominava a  actividade mercantil, tendo como modelo as feiras francas nascendo assim Vila Franca.

No entanto, os ingleses não ficaram muito tempo e devolveram as terras ao rei.
Em 1195, D. Sancho I concedeu carta de foral à Vila de Povos e, preocupado com os constantes ataques muçulmanos, em 1206, entregou Vila Franca e a herdade de Cira a D. Froila, nora do rei de Leão e Castela e prima do rei português, para que implementasse o povoamento e defesa da região.
Em 1212, esta nobre fidalga concedeu foral a Vila Franca de Xira, unindo as suas propriedades que, mais tarde, doou à Ordem dos Templários. 
Até voltar à posse do reino, Vila Franca de Xira pertenceu ainda à Ordem de Cristo.
Com o passar dos tempos, a povoação de Portos foi perdendo importância enquanto Vila Franca se desenvolvia cada vez mais.
Foi durante a   época dos descobrimentos que Vila Franca de Xira viveu anos de maior notoriedade. Nos seus estaleiros foram construídos muitos dos navios que partiram à descoberta de novas terras  e, em 1487, dali partiu a armada de Bartolomeu Dias  que, pela primeira vez,  dobrou o Cabo da Boa Esperança.
Apesar de também ter sofrido grandes danos com o terramoto de 1755, Vila Franca de Xira acolheu um grande número de famílias nobres que fugiram de Lisboa.
Várias quintas agrárias surgem por toda a região mas é do outro lado do rio, em plena lezíria ribatejana que os vilafranquenses encontram o seu modo de vida. Os touros, os cavalos  e os campinos são a imagem de marca da região.
Durante a Terceira Invasão Francesa, a região periférica de Vila Franca de Xira teve uma importância primordial na defesa da cidade de Lisboa, com a construção das fortificações das Linhas de Torres.
Em 1823, esta localidade foi  palco duma rebelião. O  Infante D. Miguel, apoiado por sua mãe a rainha  Carlota Joaquina,  opôs-se à Constituição de 1822, querendo restaurar o absolutismo. Este  movimento,  conhecido por Vilafrancada, acabou por fracassar com a rendição dos revoltosos.
A industrialização e a construção linha-férrea que ligava Lisboa ao Carregado, provocaram novo grande  aumento da população.

As grandes famílias agrárias davam também trabalho sazonal a muitos trabalhadores, vindos de vários pontos do país e alguns acabaram por se fixar na região.
Em 1932, realiza-se a primeira festa do Colete Encarnado.

Devido à dificuldade de ligação entre as duas margens, que apenas se fazia de barco, há muito se pensava na construção duma ponte que ligasse as duas margens do Tejo. Assim, em  1951 foi construída a Ponte Marechal Carmona, que em muito beneficiou tanto os trabalhadores que diariamente se deslocavam para as  lezírias como para todos aqueles que se dirigiam para o Sul do país.
No que concerne ao património da cidade, para além dos citados no post anterior, podemos destacar:
- Alto do Senhor da Boa Morte

Este é um local onde  existem indícios de povoamento e necrópoles medievais e as ruínas  de um solar dos séculos XVI a XVIII, pertencente à família dos Ataíde, condes de Castanheira. Ali, foi construído um santuário com uma capela em honra do Senhor da Boa Morte, dos séculos XVI a XVII.

- Celeiro da Patriarcal

Este edifício foi construído em meados do século XVIII, para a Igreja Patriarcal de Lisboa. No  exterior, sobressai o remate da porta  e o frontão  que encima a sua fachada principal.Actualmente, é um local utilizado para exposições temáticas.

- Igreja da Misericórdia

Datado do século XVI, esta igreja aloja, no seu interior,  importantes obras de arte sacra, bem como  um importante conjunto de azulejos do século XVIII, alusivos às  Obras da Misericórdia.

- Pelourinho de Povos


Classificado como Imóvel de Interesse Público,  este pelourinho manuelino foi construído junto à Casa da Câmara da
antiga Vila de  Povos, no cruzamento da estrada real com a rua que dava acesso à Igreja Matriz de N. Sra. de Assunção de Povos.

- Pelourinho de Vila Franca de Xira

De estilo  manuelino, tem a esfera armilar,  símbolo das armas de D. Manuel, na parte superior.

 Obrigada pela sua presença. Volte sempre.





1 comentário:

Elvira Carvalho disse...

Vila Franca Graças a Deus conheço bem.
Um abraço e bom fim de semana