terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Regresso

No post anterior foi contada uma estória comum a uma grande parte das mulheres da Serra do Açor na primeira metade do século passado. Os homens rumavam à cidade onde procuravam emprego que muitas vezes  era  temporário. Assim, as mulheres ficavam na aldeia a trabalhar na agricultura para poderem garantir o sustento nas alturas em que não havia trabalho em Lisboa. Para além de se dedicarem  à agricultura, tinham também animais que criavam. Era normal terem  grandes rebanhos de cabras e ovelhas, um ou dois porcos, galinhas e coelhos. Era uma vida muito dura em que, em alguns anos, as colheitas nem sequer  compensavam o trabalho que tinham tido.


Com o passar dos tempos, alguns homens conseguiram empregos efectivos  e exigiram a presença das suas mulheres em Lisboa. No entanto, longe da sua terra natal, viviam com o desejo de um dia regressarem. Economizavam o mais que podiam  e, empregavam as suas economias na  construção  duma casa na aldeia. Finalmente, quando atingiam a idade da reforma  e os filhos já estavam "amparados" regressavam ao local que os vira nascer, para ali passarem os últimos tempos de vida. 
Este desejo era comum aos naturais de muitas aldeias e  Miguel Torga, que viveu durante algum tempo em Arganil, retrata como ninguém esse desejo no poema :



Serra do Açor
Regresso

Regresso às fragas de onde me roubaram.
Ah! minha serra, minha dura infância!
Como os rijos carvalhos me acenaram,
Mal eu surgi, cansado, da distância!




Cantava cada fonte à sua porta:
O poeta voltou!
Atrás ia ficando a terra morta
Dos versos que o desterro esfarelou.




 Depois o céu abriu-se num sorriso,
E eu deitei-me no colo dos penedos
A contar aventuras e segredos
Aos deuses do meu velho paraíso. 

MIGUEL TORGA


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

3 comentários:

ELISABETE- disse...

EM TRAS-OS-MONTES,AINDA é ASSIM.AS VEZES PARECE-ME QUE AINDA VIVEM NA PRIMEIRA PARTEDO SECULO PASSADO.NAO PELO TRABALHO,MAS PELA MANEIRA DE SER.VER UMA RAPARIGA K FALA COM UM RAPAZ(NAMORA COM ELE)SE FOR DO AGRADO DOS PAIS,TUDO BEM.NAMORAR é LONGE DA PORTA(SE NAMORAR A PORTA,O RAPAZ JA COMEU* A RAPARIGA).SE DUAS PESSOAS QUE NAO SE FALEM SE CRUZAREM E QUE UMA DELAS FOR ACOMPANHADA DE OUTRA PESSOA QUE FALA COM AS DUAS(ESSA TERCEIRA PESSOA NAO DIZ BOM DIA)VISTO AS OUTRAS DUAS NAO SE FALAREM.ETC,ETC.TENHO MUITAS HISTORIAS DESSAS.BJINHO

Manuela disse...

: *´¨)
¸.·´¸.·*´¨) ¸.·*¨)
(¸.·´ (¸.·` ** Bejinhu no seu...
__00000___00000___
_0000000_0000000__
_000000000000000__
__0000000000000___
___00000000000____
_____0000000______
_______000________
________0_________
_________0________
___________0______
::
.*´¨)
¸.·´¸.·*´¨) ¸.·*¨)
(¸.·´ (¸.·` **********

Desejo uma feliz noite, vim só deixar o meu coração para você, beijo grande .
Manuela

Campista selvagem disse...

A sua terra é muito parecida com a minha neste aspecto, com a diferença que os meus conterranios partiram não para lisboa mas para frança, colónias e ou canadá, tambem por aqui deixaram familiares á espera, uns já voltaram outros por lá ficam pois os seus familiares ganharam raizes.
estes são dramas comuns que quase todas as lucalidades do interior tiveram que soperar, os mais válidos partiam em busca de melhores condições os restantes ficavam á espera que a vida tivesse piédade.
só encontro piores histórias quando me deparo com as povoações piscatorias como vila do conde (exemplo)esses viram e vêm os seus desaparecer no mar o que realmente é ainda mais ingrato.
minha cara este foi e é um pais de (e) imigrantes é uma sina que nos foi declarada na altura das descobertas dos caminhos maritimos.
sempre fomos pequenos com vontade de crescimento, nunca coubemos neste quadrado que os antepassados dos espanhois nos concederam.
teremos que viver iternamente com esta realidade?