domingo, 13 de fevereiro de 2011

O Blog e as Minhas Memórias

Muitas vezes,  faço neste blog grandes viagens sem sair do local onde estou, não precisando nem de estradas nem de meios de transporte. Há dias em que sou atacada pela nostalgia e parto numa viagem  através das minhas memórias.
Hoje posso dizer que foi um dois em um. Tivemos que ir a Coimbra. A tia Leonilde fraturou o fémur e foi operada no Hospital Universitário. Sendo uma senhora solteira de 86 anos cuja família próxima são as sobrinhas, resolvi cumprir a minha obrigação e fui com o Fernando fazer-lhe uma visita e dar-lhe um pouco de conforto e coragem.
Saímos de Lisboa debaixo dum enorme temporal. A chuva que caía em grande intensidade obrigava a uma atenção redobrada e a uma velocidade controlada. Desta forma, a  viagem demorou um pouco mais. Íamos a meio do caminho e já falávamos no tempo que estávamos a demorar e do cansaço que sentíamos. E foi aí que começou a outra viagem. 
Vi-me com pouco mais de 6 anos, a caminho do Sobral Magro, dentro do primeiro carro do meu pai.
Apesar de adorar a aldeia, a viagem para mim era um tormento.  A estrada,  em mau estado em algumas partes do percurso, era uma sucessão de curvas  e contracurvas que pareciam não ter fim. O carro, comprado em segunda mão, antigo e completamente  carregado, de quando em vez arrastava no pavimento da estrada. Eu repartia o banco de trás, com vários sacos de mantimentos, que não havia à venda nas tabernas da aldeia  e  duas malas de roupa, sobre as quais ainda levávamos a gaiola dos canários.  Nessa altura, eu enjoava nas viagens de automóvel e, apertada entre as malas, balançava  para um lado ou para o outro conforme a curva,  ou saltava no assento  de cada vez que o carro passava sobre um buraco. Desesperada ainda  tentava segurar a gaiola onde os canários piavam e esvoaçavam aflitos. Era uma aventura que demorava sempre à volta de seis horas,  se não se desse o caso de termos um furo ou mesmo uma avaria, o que era raro. Nessas alturas, demorava muito mais.
E, bem lá no fundo das minhas memórias,  eu vejo-me  ansiosa e enjoada debaixo duma qualquer árvore na berma da estrada. Aguardo que o meu pai coloque um remendo, a tapar o furo na câmara de ar do pneu, para podermos prosseguir viagem até à terra ou até ao próximo furo. Era um ritual que tínhamos que cumprir em quase todas as viagens.
De regresso à realidade atual, dei graças a Deus pela acentuada melhoria que se verificou nas nossas estradas e pela construção da auto-estrada em que eu seguia e que, entretanto me fizera chegar a Coimbra sem qualquer anomalia, apesar do mau tempo.
 

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

3 comentários:

Luís Coelho disse...

Bom dia
Ainda há cerca de trinta anos as nossas viagens entre Leiria e Sernancelhe - Viseu demoravam quatro horas - duzentos e cinquenta quilómetros.

Quantas recordações me trouxe com esta história de outro tempo.

ELISABETE- disse...

GRAçAS A DEUS,TUDO MUDOU COM COISAS BOAS E MàS,CLARO.TENHA UM DIA FELIZ.BJINHO

Flora Maria disse...

Essas são as verdadeiras viagens, as viagens da mente onde o tempo e o espaço não existem e vivemos no momento presente o momento passado...

Eu também enjoava muito, quando vinha de ônibus para São Lourenço, rompendo a Serra da Mantiqueira e suas infindáveis curvas.

Belas lembranças, amiga.
Beijo