segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A Cinderela (Em Gíria)

Escuto e esqueço; vejo e recordo; faço e entendo.
(Tao Te King)



Recebi ontem um e-mail que me têm enviado frequentemente. É a história da Cinderela narrada na gíria  utilizada por alguns dos actuais adolescentes e que, muitas vezes, me deixam  sem entender algumas das palavras que dizem.



" Há bué da time, havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil e que vivia com a chunga da madrasta e as melgas das filhas dela.
A Cinderela (Cindy p'ós amigos), parecia que vivia na prisa, sem tempo para sequer enviar uns mails. Com este desatino todo, só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta fazia-lhe bué da cenas. É então que a Cindy fica a saber da alta desbunda que ia acontecer: Uma rave!!! A gaja curtiu tótil a ideia, mas as outras chavalas cortaram-lhe as bases. Ela ficou completamente passadunte, mas depois de andar à toa durante um coche, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda baita bacana, ela ficou a parecer uma g'anda febra. Só que ela só se podia afiambrar da cena até ao bater das 12. Tás a ver, meu? A tipa mordeu o esquema e foi para a borga sempre a bombar. Ao entrar na party topou um mano cheio da papel, que era bom como milho e que também a galou logo ali. Aí a Cindy, passou-se dos carretos, desbundaram "ól naite long", até que ao ouvir as 12, ela teve de se axandrar e bazou. O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de frosques e foi atrás dela, mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama. No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi à procura de um chispe que entrasse no chanato. Como era um ganda cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para grande desatino das outras fatelas que ficaram a anhar."



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

5 comentários:

Fernanda disse...

Querida amiga Lourdes,

Adorei ver o meu selinho lá no topo, fica tão lindo :))))
Estou toda babada!!!

Ri-me imenso com essa história da Cinderela... mas se calhar devia chorar.
Agora todos curtem e mais nada.
Estranho, no mínimo.
Beijinhos

M. Lourdes disse...

Minha amiga
Estou de acordo consigo. Se calhar devíamos chorar.
É isso mesmo,eles curtem e os cotas ficam a ver o português pelas ruas da amargura.
Beijinhos
Lourdes

José Pinto disse...

Olá Mª Lourdes
Achei imensa graça ao texto. Trata-se dum fenómeno plenamente instalado na sociedade e tem uma explicação: hoje tudo tem de ser feito ao segundo! É uma linguagem descontextualizada das tradicionais regras de sintaxe. Vive de códigos, monossílabos, letras, gifs animados, emoticons, etc. Faz parte do vocabulário das gerações mais novas e não tem regulamentação possível. Está instalado na escrita, na comunicação verbal, por sms, etc. O fenómeno não é novo. Eu próprio comprei, em 1985, o Dicionário de Calão (Círc. Leitores), de Eduardo Nobre, onde já eram descodificados os vocábulos utilizados nos estratos sociais mais ou menos marginalizados, nomeadamente os associados ao mundo da droga. Foram inventados, claro está, para baralhar a polícia! Na altura era um livro interessante. Esse dicionário está hoje completamente desactualizado. Às vezes, farto-me de rir quando leio opiniões contrárias à adopção do novo Acordo Ortográfico. Olha lá a grande coisa! É que...a malta nova já anda muito mais à frente!
Um beijo.

Marli disse...

Olá miga!
Como está, muito samba no pè.
Por aqui tem muito samba, mas o calor não da para sambar.
Tenha uma linda semana,
Marli

M. Lourdes disse...

José
É bem verdade, o acordo ortográfico comparado com isto não é nada.
Beijinhos
Lourdes