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segunda-feira, 16 de março de 2009

Aniversário da Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro





Não é um notável talento o que se exige para assegurar o êxito em qualquer empreendimento, mas sim um firme propósito.
(Thomas Atkinson)




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Decorreram no ambiente castiço do fado de Lisboa, as comemorações dos 57 anos de existência da Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro. Um grupo de naturais de Soito da Ruiva e do Vale do Torno juntaram-se aos sobralmagrenses, numa festa que é comum a muitas localidades da região do Açor, o aniversário dum movimento associativo implementado no século passado, que tinha por objectivo principal melhorar as condições de vida das suas aldeias, tão esquecidas que estavam, longe do progresso.

O Pastelinho de Benfica estava repleto e o serviço foi excelente.




Os fadistas eram muito bons. Fado castiço, aqui e além alternado com um fado mais popular, que os artistas aproveitavam para interagir com o público, pondo-os a cantar.
O Sr. João de Carvalho , presidente da colectividade, agradeceu a presença de todos , em especial aos naturais das aldeias vizinhas.
Ao longo da noite, durante os intervalos, foram oferecidas lembranças aos presentes. As senhoras receberam uma miniatura de barro e os cavalheiros um porta chaves com as cores da bandeira da Comissão de Melhoramentos.

Foram também distribuídos pastéis de nata, especialidade do Pastelinho de Benfica, que foram muito apreciados pois tinham acabado de ser confeccionados. Bem cobertos de canela estavam uma delícia!



Duas das senhoras, que colaboraram na organização do evento, entregaram ao Presidente da Direcção duas lembranças que fizeram para ajudar na decoração da Casa de Convívio em Sobral Magro: um quadro com logotipo da Comissão de Melhoramentos em ponto de Arraiolos, bordado pela Lídia Dias e uma placa de xisto com a capela de Sobral Magro, pintada pela Maria de Lourdes.

Esta foi uma iniciativa das duas senhoras mas que se podia tonar extensiva a outros naturais de Sobral Magro, onde não falta jeito para o artesanato.



Quase no final do espectáculo, cantaram-se os Parabéns à Comissão de Melhoramentos. O Sr. João apagou as respectivas velas, ao som de aplausos e o bolo foi distribuído pelos presentes, acompanhado por uma taça de vinho espumante.


Por fim, mais uma série de fados encerrou os festejos, numa noite muito agradável em que aproveitámos para rever conterrâneos e amigos que só quando se organizam estes eventos se podem encontrar, por se encontrarem dispersos pela região da grande Lisboa.


Esperamos por uma próxima iniciativa. Até lá,

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



domingo, 15 de março de 2009

G.D.C. de Soito da Ruiva


Viver sem amigos é como tentar tirar leite de um urso para o café da manhã. Dá muito trabalho e não vale a pena.
(Zora Neale Hurston)

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No âmbito das comemorações do Dia da Mulher, evento organizado pela Associação dos Amigos da Cidade de Almada, o Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva vai actuar hoje no Museu da Cidade de Almada.
O espectáculo terá inicio ás 15h00 e dele constará, para além do Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva, a actuação do grupo de música tradicional portuguesa Comtradições, da Cova da Piedade.
O Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva merece o apoio de todos.
Compareçam.



Obrigada pela visita. Volte sempre.

sábado, 14 de março de 2009

Aniversário de Comissões de Melhoramentos

O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.
(Mohandas Gandhi)


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O post de hoje é dedicado às Comissões de Melhoramentos de Sobral Magro e do Vale do Torno que completam, respectivamente 57 e 54 anos de existência.
Aos habitantes das referidas povoações, endereço os meus Parabéns. Faço votos que continuem a lutar por melhores condições de vida para as vossas aldeias, de braço dado com as respectivas Comissões de Melhoramentos, que sem a ajuda dos seus conterrâneos não conseguirão atingir os objectivos que todos pretendem.
Não posso deixarde mencionar que foram as Comissões de Melhoramentos as principais impulsionadoras do desenvolvimento que as aldeias da serra do Açor hohe apresentam a quem as visita. Foram os seus elementos os responsáveis pela construção de escolas, estradas, distribuição de água ao domicílio, saneamento e outras grandes obras.
As duas aldeias em festa organizaram eventos comemorativos da data. A Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro vai realizar um jantar com fados, hoje pelas 20 horas, no restaurante d'O Pastelinho de Benfica em Lisboa. Por seu lado a Comissão de Melhoramentos de Vale do Torno levará a efeito um almoço, amanhã (Domingo), no restaurante A Caneca Dos Redondos em Fernão Ferro.
Uma vez mais



Recados Para Orkut

RecadosOnline





Obrigada pela visita. Volte sempre.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Tradições da Serra: A Benta


Se quiseres,confia na pata do coelho: mas lembra-se de que ela não deu sorte ao coelho.
(R.E. Shay)


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Os habitantes das diversas aldeias da serra do Açor viveram, durante muitos anos, isolados nas aldeias onde nasceram. Muitos só de lá saíam para irem à feira ou a alguma romaria nas redondezas. As notícias chegavam apenas pelos almocreves que atravessavam as serras, ou quando algum dos seus habitantes mais destemidos migrava para Lisboa e vinha de visita à terra.
Pouco esclarecidos, viviam na crença dos mitos medievais que foram passando de geração em geração. Não conseguindo explicação para os problemas que lhes apareciam, tentavam encontrar respostas no sobrenatural.
Quando eram acometidos de algumas doenças que não conseguiam tratar pelos processos que vulgarmente utilizavam, acreditavam serem vítimas de almas penadas, pragas, ou mau olhado lançado por alguém.
Para ajudar nestas superstições, em quase todas as aldeias havia uma pessoa que diziam ter dotes sobrenaturais, a quem recorriam todos aqueles que se sentiam "atacados". Na região que melhor conheço chamavam-lhe a benta, mas geralmente era conhecida por bruxa. Esta ouvia as pessoas e dava indicações da forma como deviam proceder para se livrarem dos seus problemas. Normalmente a solução era ouvir Missas, queimar azeite, ou velas, fazer defumadouros, tomar purgas, ...
Quando a benta dava indicações sobre quem lançara o mal, as pessoas cortavam relações com aqueles de quem desconfiavam e arranjavam-se grandes zangas envolvendo famílias inteiras.



Recados para Orkut
RecadosOnline

Hoje, Sexta-Feira 13, é preciso muito cuidado. Como alguém disse um dia: "Eu não acredito em bruxas, mas que as há, há..."








Obrigada pela visita. Volte sempre.


quinta-feira, 12 de março de 2009

Tradições da Serra: Promessas



Até onde perdemos a crença perdemos a razão.
(G. K. Chesterton)

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Continuando a escrever sobre as tradições das aldeias da serra do Açor, hoje vou-me referir às promessas, uma tradição religiosa, que consiste em agradecer a uma entidade divina uma dádiva pedida. este costume já vem de tempos muito remotosmasAinda hoje, quando algumas pessoas se encontram desesperadas, recorrem à protecção divina .
Umas vezes recorriam aos Santos da terra, outras aos santos mais conhecidos da região, como acontece com a Senhora Nossa Senhora das Necessidades ( do Colcurinho,ou do Cabeço), a Nossa Senhora das Preces (Vale de Maceira), ou a Nossa Senhora do Montalto (Arganil), havendo também casos em que se recorria à Nossa Senhora de Fátima.


- Nª Sª das Preces -

Essas promessas eram feitas umas vezes em géneros, outras em romarias (três voltas dadas à capela). Quando bem sucedidas, eram cumpridas religiosamente.
Recordo-me de ver, no Domingo do Espírito Santo, grandes grupos de romeiros cumprindo as suas promessas à volta da capela de Nossa Senhora das Preces e de ir a pé, com o meu avô até ao Cabeço. Lembro-me também, das excursões que o Tio Custódio fazia a Fátima, onde os sobralmagrenses iam agradecer à Virgem e cumprir as promessas que haviam feito em momentos de grandes dificuldades.


- Nª Sª das Necessidades -

(Foto da Voz do Goulinho)

Pessoalmente, não concordo com as promessas. Sou católica e penso que devíamos estar com Deus em todos os momentos da nossa vida e não apens em momentos de aflição e acho que da forma como são feitas as promesas parece que se está a fazer um negócio com Deus. Acho que é uma atitude arrogante da nossa parte, mas cada um tem a sua fé e estes costumes estão enraizados nas pessoas, em especial nos povos serranos.


- Nª Sª de Fátima -



Há outros tipos de promessas...
Coincidência ou não, estou neste momento a ouvir as notícias na televisão. Diz o locutor que faz hoje quatro anos que o nosso primeiro ministro tomou posse e, no seu discurso, prometeu, entre outras, melhores condições para o interior do país.
Onde é que estão?
Como diz a canção: Paroles, paroles, paroles,...




Obrigada pela visita. Volte sempre.



quarta-feira, 11 de março de 2009

Alminhas



Para os crentes Deus está no princípio das coisas. Para os cientistas no final de toda a reflexão.
( Max Planc)

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Por toda a serra do Açor, à beira das estradas, nas encruzilhadas dos caminhos, nas pontes, ou na frontaria das casas , em vários locais das povoações, existem pequenos monumentos, onde estão colocadas pinturas, esculturas ou painéis de azulejos em honra das Almas do Purgatório, a que vulgarmente se chamam «alminhas».


- Alminhas num nicho em Porto Silvado -


Estes pequenos e simples monumentos de culto aos mortos lembravam, a quem por eles passava, da necessidade de rezarem pelas almas dos defuntos que vagueiam expiando os seus pecados no Purgatório, para os ajudar a alcançar a paz eterna.
Em alguns destes locais , é frequente verem-se velas acesas ou flores, em especial coincidindo com datas relacionadas com os defuntos.
A origem das alminhas perde-se nos tempos. Sendo manifestações essencialmente cristãs, há quem defenda a sua origem pagã.
As alminhas têm vindo a desaparecer quer por incúria do homem, quer por não resistirem aos estragos provocados pelo tempo. No entanto, há povoações que se têm preocupado em preservar ou reconstruir estes exemplos da cultura religiosa popular.






- Alminhas que eu pintei em azulejo, no Sobral Magro -





Obrigada pela visita. Volte sempre.




terça-feira, 10 de março de 2009

Tradições da Serra: O Endireita





Aqueles que nunca sofreram não sabem nada; não conhecem nem os bens nem os males; ignoram os homens; ignoram-se a si próprios.
(François Fénelon)

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A vida da população serrana foi sempre muito dura. Os terrenos íngremes não permitiam a ajuda de animais nos trabalhos agrícolas. Os caminhos tortuosos, escaleiras estreitas esculpidas na rocha, ou feitas pedra sobre pedra eram um perigo constante para quem delas se servia. As quedas e maus jeitos eram inevitáveis. O trabalho árduo à custa dos próprios braços, grandes carregamentos à cabeça e às costas, fizeram com que músculos e ossos tenham sido, desde sempre, um grande problema que condicionava a saúde dos habitantes da serra.
Para além das rezas e do barbeiro, o endireita era também uma ajuda nos tratamentos.
O endireita era uma pessoa que possuía um vasto conhecimento dos ossos do corpo humano e que conseguia muitas vezes tratar ossos fracturados, entorses, vértebras deslocadas, ou músculos torcidos. Esta sabedoria era, muitas vezes, transmitida de pais para filhos.


-Imagem retirada da net -


Pessoalmente, conheci um endireita, o da Chamusca.
Estava a leccionar no Sobral Magro e, sendo uma das poucas pessoas com carro, um familiar meu, já farto de tantas dores, pediu-me para o levar ao endireita, pois tinha dores muito fortes numa perna e a terapêutrica que lhe tinha sido ministrada parecia não estar a resultar.
Parece que ainda o estou a ver. Agarrou-lhe na perna e deu-lhe dois esticões, ao mesmo tempo que a fazia rodar.
Um grito de tal forma lancinante ecoou na sala, que eu pensei que o meu familiar não ia resistir. Depois, colocou-lhe umas talas, ligou-lhe a perna e mandou-o para casa.
Não sei se foi do tratamento do endireita ou se foram os medicamentos que já estava a tomar há alguns dias, mas ele lá foi melhorando.
Apesar de entretanto terem surgido os fisioterapeutas e os osteopatas, ainda hoje há endireitas espalhados por todo o país, que resolvem com êxito problemas relacionados com os ossos e músculos.



O que é certo é que quando as pessoas se vêm aflitas, recorrem a tudo.




Obrigada pela visita. Volte sempre.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Tradições da Serra: Rezas

Conhecimento real é saber a extensão da própria ignorância.
(Confúcio)



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No capítulo das ancestrais crenças populares muito havia a escrever, pois o nosso país é fértil nesta matéria, mas o meu conhecimento sobre o o assunto é parco. A região do Açor não foge à regra do país e, antes de recorrer ao barbeiro ou ao médico, recorria-se às rezas.
A minha avó conhecia algumas que a mãe lhe ensinara e, ainda me lembro de a ver a fazer rezas, tentando aliviar o sofrimento de algumas pessoas do Sobral Magro.


Para o estortagado:


Quando alguém tinha algum problema de ossos ou dava algum mau jeito, arranjava-se um púcaro e uma bacia com água, um trapo, uma agulha e linha.
Com a linha enfiada na agulha, davam-se pontos no trapo enquanto se repetia três vezes a seguinte reza :

- Que cozo?
- Carne quebrada nervo torto.
- Por isso mesmo é que te coso, pelo poder de Deus e da Virgem Maria em louvor de milagres , o Santo António e o S. Gonçalo em louvor de S. Silvestre façamos coisa que preste, Nosso Senhor Jesus Cristo seja o nosso Divino Mestre.Pai Nosso, Avé Maria, Glória, Salvé Rainha.


Para a erisipela:

A Erisipela é uma doença de pele que se manifesta com o aparecimento de pequenas bolhas de cor avermelhada.
Para se tratar utilizava-se um terço, uma faca e um ramo de figueira que se molhava em azeite e se aplicava na parte doente fazendo cruz e rezando:


Nossa Senhora subiu à Serra e encontrou a Erisipela e perguntou-lhe:
- Para onde vais negra vermelhorra?
- Eu não sou negra e vermelhorra, eu sou branca e coradinha, vou para a terra, comer carne, chupar sangue, moer osso e dar face à terra fria.
Nossa Senhora respondeu-lhe:
- Pois eu digo-te que não vais à terra comer carne, chupar sangue, moer osso e dar face à terra fria.
Porque eu com estas continhas do terço haverei de te atalhar com esta faca te cortarei, com estes ramos de figueira te queimarei e ao mar te deitarei, onde não sintas sinos a tocar e galos a cantar.
(Por fim estas palavras eram repetidas três vezes e rezava-se uma Salve Rainha).

Para o Cobrão:


O Cobrão é também uma doença de pele, hoje conhecida pelo nome de Zona e manifestava-se sob a forma de borbulhas que provocam muita comichão e dores.
Dizia-se que aparecia devido a alguns bichos rastejantes( cobras, osgas, lagartos ou lagartixas ) passarem sobre a roupa que se encontrava a secar e lá deixarem a sua peçonha ( veneno) que depois provocava a doença.
Para o tratamento, arranjavam-se umas palhas de alho que se colocavam sobre um cepo. e se cortavam ao mesmo tempo que se rezava três vezes:


Que corto?


Cobra ou cobrão,
Sarda ou sardão,
Sapo ou sapão,
A tudo isso é que eu corto.
Aqui te corto a cabeça (cortava do lado esquerdo das palhas de alho)
o meio (cortava o meio)
E o coração (cortava do lado direito)


De seguida queimavam-se as palhas até ficarem reduzidas a cinza. Juntava-se azeite, amassava-se e colocava-se a pasta que se formava sobre o local doente, tapando-se com uma ligadura.


Para além destas, muitas outras rezas faziam parte das tradições da população serrana. Não esgoto aqui o assunto pois voltarei , numa próxima ocasião, a escrever sobre este tema.





Obrigada pela visita. Volte sempre.













domingo, 8 de março de 2009

Fim de Semana no Açor

A grandeza de um país não depende da extensão de seu território, mas do carater do seu povo.
(Colbert)


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Como algumas pessoas repararam, estive ausente durante uns dias. Fui ao Porto Silvado levar os meus sogros e prolonguei o fim de semana. Lá não tenho net e, por essa razão, interrompi as postagens.
Estou de regresso, após uns dias de clima muito incerto. Fiz a viagem para a aldeia debaixo dum grande temporal. Chuva e ventos muito fortes faziam prever um fim de semana encostada à lareira. No entanto, na Sexta Feira o tempo foi melhorando e o Sábado amanheceu radioso e anormalmente quente para a época.
Deixo-vos três localidades da nossa bonita região que consegui fotografar.



- Avô -


- Entrada de Pomares -



- Agroal -



Obrigada pela visita. Volte sempre.

quinta-feira, 5 de março de 2009

O Avarento



Não podemos escolher como vamos morrer. Ou quando. Podemos somente decidir como vamos viver.
(Joan Baez)

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Escrevendo sobre medicina popular, lembrei-me duma poesia a que sempre achei quase tanta graça como às anedotas do seu autor:Bocage.

O AVARENTO

Levando um velho avarento
Uma pedrada num olho,
Pôs-se-lhe no mesmo instante
Tamanho como um repolho.

Certo doutor, não das dúzias,
Mas sim médico perfeito,
Dez moedas lhe pedia
Para o livrar do defeito.

"Dez moedas! (diz o avaro)
Meu sangue não desperdiço:
Dez moedas por um olho!
O outro dou eu por isso."


Bocage




- Imagem retirada da net -




Obrigada pela visita. Volte sempre que eu volto no Domingo.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Tradições da Serra: Crenças e Rezas

Existem mais mistérios entre o céu e a terra do que a nossa pobre razão pode imaginar.
(Shakeaspere)



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Nas aldeias da nossa região, situadas numa zona montanhosa, longe de tudo e de todos, as pessoas acreditavam que as rezas e orações os podiam proteger, dos mais diversos males.
Crentes no sobrenatural acreditavam em bruxas, lobisomens e almas penadas, fruto das histórias que passavam de pais para filhos e que ouviam contar à noite, ao serão.
De entre as crenças destacamos algumas:
- Se numa família nascessem sete mulheres, sem que nascesse um homem pelo meio dizia-se que a última ou a primeira era bruxa.
Para que isso não acontecesse, a mais velha deveria baptizar a mais nova.
- Outra crença era a existência de lobisomens, que era o nome dado a uma criatura que em noites de lua cheia se transformava em lobo e vagueava na procura de alguém que pudesse atacar.
Por essa razão se dizia que não era aconselhável sair nessas noites.
Dizia-se também, que não se devia brincar com a própria sombra, porque podia provocar doenças; não se deviam contar estrelas porque fazia aparecer verrugas; quando apareciam borboletas em volta da luz, dizia-se que eram bruxas; no caso de se matar algum gato seguir-se-iam sete anos de azar na vida...
As orações, rezas ou benzeduras, eram o remédio para o tratamento de muitos problemas que afectavam os nossos antepassados. Havia diversas rezas: para a espinhela caída, mau olhado, estortagado, erisipela, cobrão,...
As rezas passavam de pais para filhos e diferiam de região para região. Por vezes, na mesma povoação havia várias versões da mesma reza, em virtude de alguns habitantes serem oriundos de outras localidades.
Actualmente, estes tratamentos caíram em desuso, mas ainda há quem os utilize, antes de recorrer ao médico.







- Arruda, planta que se utilizava para proteger do mau olhado -


Obrigada pela visita. Volte sempre.


terça-feira, 3 de março de 2009

O Barbeiro

A quem dói um dente, vai à casa do barbeiro.
(Ditado Popular)



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Nas encostas da serra, em terrenos rochosos e com grandes declives, trabalhando a pulso, os habitantes da região serrana estavam sujeitos a problemas de saúde e a acidentes de trabalho. Longe de médicos e dos hospitais, com fracos rendimentos económicas recorriam frequentemente a pessoas com conhecimentos de medicina popular, muitas vezes passados de pais para filhos.
O barbeiro teve um papel preponderante na saúde dos povos serranos que a ele recorriam frequentemente. Para além de cortar cabelos e fazer as barbas, arrancava dentes, fazia sangrias aplicando sanguessugas ou ventosas, escalda-pés, clisteres e outros tratamentos.
Há muitos anos atrás, o seu trabalho chegou mesmo a ser reconhecido, ocupando o último lugar na hierarquia hospitalar.



- Imagem retirada da net -




Para além dos barbeiros da Benfeita e do Porto Castanheiro, aos quais se faz referência no livro "João Brandão", muitos foram os que exerceram a sua profissão na serra do Açor.

Pessoalmente, apenas me lembro de ouvir falar do barbeiro do Piódão, quando era ainda uma criança.





Obrigada pela visita. Volte sempre.


segunda-feira, 2 de março de 2009

João Brandão II



Só o amor é germe e princípio da única revolução que não trai o homem.
(João Paulo II)



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Hoje vou concluir com a transcrição dum outro excerto do livro de João Brandão, onde mais uma vez se faz alusão ao meu avô.


“… Tinha acontecido que os homens , que formavam as duas anunciadas esperas, depois do tiroteio da Catraia da Fonte de Espinho, voltaram a unir-se para continuarem a montaria ao Ferreiro.
E assim foram desorientados até chegarem à aldeia do Sobral Gordo, sem saberem o rumo que ele tinha tomado.
Cansados e já sem esperança de o voltarem a avistar, porque ele era destro nesta espécie de estratégia, e conhecia melhor do que os seus adversários os ásperos e difíceis caminhos das montanhas, veio o acaso em auxílio deles.
O mesmo pequeno, José Filipe
(1), que havia estado com o Ferreiro, encontrou-se agora com João Brandão, e informou-o do estado de desespero em que ele ia, pelo que este concluiu que o dito Ferreiro, tendo necessidade de tratar do braço ferido devia ter seguido ou para o Porto Castanheiro, ou para a Benfeita, porque só nestas duas povoações é que poderia encontrar barbeiros (2) que lhe prestassem este auxílio.
Por isso, ordenou logo à sua gente que voltasse a fraccionar-se em dois grupos, devendo partir um, composto de cinco homens armados, para o porto castanheiro, e devendo seguir o outro, para a Benfeita..."


Foi nesta última povoação que o Ferreiro da Várzea foi preso e morto por um dos homens que acompanhava João Brandão.
Miguel Nunes Jorge foi salvo de morte certa, por uma senhora de Pomares em casa de quem se juntaram as milícias de João Brandão, após o homicídio, que não consentiu que em sua casa se matasse um homem.

- Miguel Jorge Nunes (o irmão do Ferreiro da Várzea) -



(1) José Filipe era o meu avô.
(2) Barbeiros eram homens entendidos em sabedoria popular, que para além de cortarem os cabelos, arrancavam dentes e tratavam certas doenças, substituindo em muitos casos o médico.


Obrigada pela visita. Volte sempre.