segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Lenda do rio Alva

Das muitas lendas que povoam o nosso país, algumas dizem respeito à região onde se situa a  minha aldeia.
Na lenda seguinte , entram três rios: o Mondego, o Alva e o Zêzere, todos nascidos na Serra da Estrela que se  envolveram, numa grande discussão sobre qual seria o mais valente. Resolveram fazer   uma corrida que esclareceria a questão: quem chegasse primeiro ao mar seria o vencedor.
O Mondego levantou-se cedo e... começou a deslizar silenciosamente para não atrair as atenções. Passou pela Guarda e pelas regiões de Celorico, Gouveia, Manteigas, Canas de Senhorim e pela Raiva, onde se fortaleceu junto dos ribeiros seus primos, chegando por fim a Coimbra.
O Zêzere, que estava atento, saiu ao mesmo tempo que o seu irmão. Oculto, por entre os penhascos, foi direito a Manteigas, passou a Guarda e o Fundão, mas logo depois se desnorteou e, cansado, veio a perder-se nas águas do Tejo.
O Alva passou a noite a contar as estrelas, perdido em divagações de sonhador e poeta. Quando acordou, era já muito tarde mas ainda a tempo de avistar os seus irmãos ao longe.
Tempestuoso, rompeu montes e rochedos, atravessou penhascos e vales, mas quando pensava que tinha vencido deparou com o Mondego, no momento que este já adiantado chegava ao mar. O Alva ainda tentou expulsar o seu irmão do leito, debatendo-se com fúria e espumando de raiva, mas o Mondego engoliu-o com o seu ar altivo e irónico.
Este lugar onde os dois rios lutaram ficou para sempre conhecido como Raiva, em memória da contenda entre os dois irmãos.


Av


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

3 comentários:

Luís Coelho disse...

Mais uma bonita lenda.
Todos os meses passo pelo Porto da Raiva que tem uma Capelinha pequena.
Não sei se se trata da mesma lenda.
Ali tudo é verde e muito bonito. Depois começamos a subir para a barragem da Aguieira.

João Celorico disse...

Olá, Lourdes!
É nestas lendas que o povo foi pôr, e buscar, o seu saber, transpondo para elas o que da vida ia conhecendo. São estórias de amor, ódio ou amizade, onde se põem em evidência os valores, os bons e os maus, personalizando o mundo que o rodeia. São lições para quem as saiba e queira entender. O Povo ... é sábio!

Abraço,
João Celorico

Campista selvagem disse...

QUALQUER DELES MERECE O SEU LEITO,
ESSA HISTORIA CONTA-SE POR AQUI MAS EM RELAÇÃO AO MINHO, DOURO TEJO E GUADIANA, SÃO LENDAS QUE NOS COMÓVEM,E NOS FASEM SORRIR.
(os figueirences não vão ficar contentes, o Mondego não chega ao mar em Coimbra)