quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Férias na Aldeia

Chegadas as férias,  mudava de vida. Os pais achavam que lhe fazia bem mudar de ares e ir para aldeia  passar os meses de Verão, em contacto com uma realidade completamente diferente dos restantes meses do ano.
Ao chegar, a primeira coisa que fazia era atirar com os sapatos para debaixo da cama e percorrer, descalça, as ruas da aldeia saltitando de pedra em pedra, saudando efusivamente  os  habitantes que com ela se cruzavam.
Seguia depois pelas estreitas veredas  , pulando no borralho e  fazendo levantar uma pequema nuvem de poeira.
Depois, já no bordo da levada provocava a aflição dos familiares que receavam que ela, pouco habituada a estes estreitos carreiros  repletos de precipícios,  se desequilibrasse e caísse.
Nunca ia sossegada. As ervas  causavam-lhe impressão nas pernas e então  coçava uma com a outra para aliviar a comichão e todos se riam da sua forma desengonçada de andar, mas ela pouco se importava. Chegada à fazenda ia logo para a ribeira onde a tia lavava a roupa esfregando-a numa enorme pedra semi-submersa. Arrepiava-se ao molhar os pés na água fria do açude onde tentava apanhar os alfaiates que esvoaçavam à tona de água. Saltava de pedra em pedra e, por vezes,   escorregava nos lismos que a faziam cair dentro de água. A gargalhada dos familiares ecoava na ribeira, mas nada a demovia de usufruir daquela liberdade que só conseguia sentir quando estava na aldeia.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

7 comentários:

Patricia disse...

Olá Lourdes!!

É este o sentimento quando chegamos a nossa aldeia, "liberdade"!
Quando chegamos, respiramos fundo, como se nos sentíssemos aliviados e que bem que sabe, não nos preocupamos com mais nada, a não ser aproveitar cada bocadinho, pois o tempo voa e tarda nada temos de voltar a Lisboa
:(

Beijinhos.
Patricia.

Maria Teresa disse...

Lourdes:
Todas as sensações estão presentes nesse relato com jeito de memória... Texto bom de ler, de viver.
Beijos

alfacinha disse...

Engraçado para saber é que na sua narrativa, aqueles insectos que esvoaçavam à tona de agua têm na minha língua uma outra profissão,chamam-se escreventes.
cumprimentos de Antuérpia

Flora Maria disse...

Quem é "ela" ?
Muito feliz ficava, com certeza, nessa vida tão próxima da Natureza !

Beijo

João Celorico disse...

E porque é que eu não noto, os traumas de infância dessa criança? Para mais vivendo em tempos em que nem psicólogos havia...
Eram tempos difíceis, mas que tudo fazíamos para os tornar agradáveis, sem lamúrias, e hoje podemos olhar para trás e sentir um misto de orgulho e de nostalgia ao recordá-los.

Abraço,
João Celorico

Fernanda disse...

Era assim mesmo, amiga Lourdes, e que bom que era.
Mesmo agora vivendo pertinho da casa dos meus avós, o conceito é diferente, tudo é diverso e não tem o mesmo sabor.
Boas são as memórias aqui relatadas com tanto carinho.

Beijinho amiga.
Também não me esqueci, mas há tantas "casas" a visitar e o tempo foge...
Volta sempre, que eu sempre agradeço a quem não me esquece.

Luís Coelho disse...

Um texto muito agradável.
Foi ler e beber toda a liberdade dos dias de férias na aldeia.

Momentos que fizeram a nossa juventude e meninice. Lendo relembramos as nossas aventuras