terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os ribeiros da minha Aldeia

A serra do Açor é fértil em barrocos, ribeiros e ribeiras.
Na serra da minha Aldeia, cada fio de água que por ela escorre vai-se juntando a outros até formar pequenos e depois grandes rios, de tal forma que podemos sentir no Tejo, aqui tão longe, um pouquinho das águas da nossa serra.
Eis uma descrição feita em poesia por um poeta da serra do Açor.
Os ribeiros da minha Aldeia

Na serra da minha Aldeia,
brotam lindos fios d'água,
ir p'ró mar, sua odisseia,
demanda de sonho e árdua.

Brotam: o Souto, o Cabeiro,
o do Meio e o Tornadouro,
afluentes do ribeiro,
o Cebola,  um leito d'ouro.

Porque ao Cebola rogaram,
passagem para seu fim,
por seu leito demandaram,
rumo ao caudal do Porsim.

Em Porsim já instalados,
vão por curvas sinuosas,
e em modos extasiados,
beijam as ribas formosas.

Mas, seu estado retraiu,
quando para forte espanto,
um grande caudal surgiu,
sorvendo o sublime encanto.

Era o Zêzere o caudal,
que bem lesto se aprontou,
e num gesto paternal,
em sua água os montou.
Longo percurso vencido,
e fatigante viagem,
foi p'lo grupo decidido,
repousar numa barragem:

A do Castelo de Bode,
manto d'água aquietada,
em que no seu seio eclode,
um encanto de pousada.


E pós poiso repousante,
em caudal, fluxo cerrado,
levaram demanda avante,
rumo ao sonho desejado.

Pelo Zêzere alertados,
sobre um gigante caudal,
os ribeiros agrupados,
se induziram de moral.

Agrupados e sem pejo,
alma aberta, sem pavor,
afluiram para o Tejo,
o Caudal Adamastor.

O Tejo, monstro amoroso,
na junção, logo os amou.
e num gesto generoso,
para o mar os transportou.

E eu, o José Loureiro,
da minha casa em Almada,
olho o Tejo, prazenteiro,
pois em si, há terra Amada


Já bem no mar envolvidos,
desfrutando nova vida,
os Fios são esquecidos,
e demanda concluída.

Singular contradição,
pois na minha bela Aldeia,
mesmos fios brotarão,
retomando a odisseia.

É a vida em movimento,
os ciclos d'água em função,
dar aos fios alimento,
numa eterna mutação.
José Loureiro

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

 

3 comentários:

Luís Coelho disse...

Um poema com sabor à Serra e aos recantos por onde passa e se agiganta.
Pequenas lágrimas formam ribeiros que juntos formam correntes.

Flora Maria disse...

Muito bonito !

Acompanhar o trajeto pelas aldeias, passo a passo, ou melhor, gota a gota enriquece o conhecimento do seu lugar e do seu rio.

Beijo

Artes e escritas disse...

Um poema encantador para contar fatos deliciosos de serem lembrados. Um abraço, Yayá.