quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Torga e o Beirão III

Quanto maior a dificuldade, tanto maior o mérito em superá-la.
(H. W. Beecher)


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Mais um excerto que Miguel Torga dedicou ao beirão no seu livro PORTUGAL.


Pouco sensível à estética, o beirão não cuida da beleza dos seus burgos. Mas ela surge-lhe mesmo sem ele querer, como os coelhinhos brancos nas leis mendelianas. E temos Avô, Coja e Celorico, por exemplo.




- Avô -


Dessa pobreza artística que o marca, e da ingratidão dos materiais de que dispõe — nas zonas de xisto a inventiva pára automaticamente —, sofrem os monumentos as consequências. A pobreza do solo, a aspereza do clima e a configuração moral e mental do habitante não consentiram nunca nem os vagares da criação gratuita, nem os ócios da sua fruição. E é das coisas desconsoladas verificar que não aparece nas feiras da região um barro colorido, uma canga entalhada, um avental bordado.
Tudo é neutro como as pedras da serra, a que é preciso descobrir beleza na coesão dos átomos e na serenidade com que assentam no chão.




- Peça de barro mais usado na região -



Sendo uma região bastante pobre, o beirão lutava para matar a fome e punha de parte o conceito estético, mais acentuado noutras regiões do país. Devido ao isolamento a que estavam votados, utilizavam nas construções os materiais endógenos (tão apreciados nos dias de hoje).

- O xisto e o Piódão -



4 comentários:

Dulce disse...

Lourdes,
essa música me traz muita saudade de minha família, dos que hoje me são são apenas saudade, memória... meus pais, meus tios... minha infância...
Nascida no Brasil, tenho alma portuguesa e meus antigos me ensinaram o amor por esse seu lindo Portugal.
bjs.

Dulce disse...

Lourdes,
Andei passeando por seus blogs antigos e me encantei com "Crenças, rezas e tratamentos" e com as receitas do "Gastronomia". Pena que não tenha dado continuidade a eles.
beijos

Lourdes disse...

Olá Dulce.
Os blogs a que se refere são para acabar. A minha vontade é abrir tópicos no "Açor" com esses temas, pois dizem respeito a uma realidade ancestral da região,onde se situam as aldeias onde nasceram e cresceram meus pais. São aldeias muito pequeninas, em vias de desertificação, que procuro divulgar o mais possível, para que as minhas raízes perdurem no tempo.
A música não está nas melhores condições, pois foi gravada ao vivo, sem quaisquer condições. No entanto, achei oportuno ilustrar musicalmente o tópico em curso com algo genuíno da região.
Beijos

Dulce disse...

Lourdes, muito bonito e louvável esse seu trabalho e essa sua preocupação em preservar suas raizes.
Vou gostar de ver esses temas n'O Açor.
bjs