quarta-feira, 4 de julho de 2012

Hoje há Poesia

Identidade

Matei a lua e o luar difuso.
Quero os versos de ferro e de cimento.
E em vez de rimas, uso
As consonâncias que há no sofrimento.

Universal e aberto, o meu instinto acode
A todo o coração que se debate aflito.
E luta como sabe e como pode:
Dá beleza e sentido a cada grito.

Mas como as inscrições nas penedias
Têm maior duração,
Gasto as horas e os dias
A endurecer a forma da emoção.

Miguel Torga, in 'Penas do Purgatório'
Miradouro de Santa Lizia


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

1 comentário:

Luís Coelho disse...

Bom dia
Agradeço as simpáticas palavras em lidacoelho.
Nós ainda apanhámos muitas batatas, feijão e milho, mas hoje os meninos pensam que o leite e todos os produtos nascem nas grandes superfícies comerciais.

Este poema de Miguel Torga é um grito de inquietação. Transcrevo:

"E luta como sabe e como pode:
Dá beleza e sentido a cada grito."