sexta-feira, 21 de maio de 2010

Memórias de Infância


Logo após o meu nascimento, os meus pais tentaram alugar uma casa nas imediações da pastelaria. Os tempos eram difíceis, poucas mulheres trabalhavam fora de casa e era difícil um homem ganhar o suficiente para pagar a renda da casa e alimentar a sua família condignamente. Além disso, com a aquisição da quota da Bijou, os meus pais ficaram com uma dívida que teriam também que pagar.
Mesmo assim, ponderados os prós e os contras, alugaram um pequeno apartamento numa rua próxima da pastelaria. Não havia necessidade de gastos com transportes. A minha mãe bem como as outras senhoras casadas com os outros sócios ajudavam, em casa, fazendo panos, aventais, atoalhados e na lavagem dos mesmos. Em épocas de maior intensidade de trabalho como eram os casos do Natal, da Páscoa e da compra de frutos para conserva, davam também uma ajuda na pastelaria.


- Foi neste prédio, no bairro da Bica, que fui criada -


Sempre que a minha mãe precisava de fazer compras deixava-me com o meu pai e, na Bijou, sentia-me acarinhada por todos. Os sócios eram para mim parte da minha  família e os empregados eram os meus amigos. Gostava muito de limpar tabuleiros, colocar as bases e as cintas nos aros dos bolos de arroz, de fazer caixas artesanais com papel manteiga,... 
 Na altura as pessoas começavam a trabalhar ainda muito novinhos e na Bijou  havia sempre um ou mais  rapazes, quase sempre oriundos da aldeia, que começavam desde cedo a aprender o ofício. Era com eles que eu passava os melhores momentos. Localizada numa das zonas históricas da cidade, rodeada de vários palacetes, a Bijou tinha uma clientela de elite. Esses rapazinhos tinham a seu cargo, entre outros trabalhos, a entrega ao domicílio de artigos que se vendiam na pastelaria e eu acompanhava-os frequentemente. Fora da vista dos patrões, eu era cúmplice das suas brincadeiras. Fazíamos  tropelias que ainda hoje me fazem corar e pensar como  é que as caixas chegavam inteiras ao seu destino.
Não tinha grandes brinquedos, não tinha ainda televisão,  mas qualquer coisa  servia para fazer uma brincadeira e era feliz assim. 
E foi assim  o meu início de vida, entre a minha casa e a Bijou.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

8 comentários:

Fernanda disse...

Querida amiga Lourdes!

Que bom ler-te e ficar a saber coisas interessantes da tua infância.

Nascida e crescida entre doçuras só podias ser a pessoa doce que és.

Gostei muito
Beijinhos

direitinho disse...

As nossas recordações.
Parece que nos lembram mais aquelas antigas que vivemos na nossa meninice.
Coisas que nos aconteceram o ano passado e já nem nos lembramos como foram nem como se passaram.

alfacinha disse...

Na proximidade de garrotas,sempre os rapazes devem fazer brincadeiras. Relato muito divertidos. Cumprimentos

Anónimo disse...

Gostei de ver a tua casa na Rua do Almada
Não tens saudades?Eu tenho!!

Beijinhos
HORTENSE

Luis disse...

Querida Amiga Maria de Lourdes,
Que simples e bela foi a sua meninice! Tempos de outrora bem melhores do que os actuais. O novo-riquismo chegou em força e não desarma... Mas a Vida não é Bela, pelo contrário!
Um beijinho amigo e um bom fds.

Fernanda disse...

Querida Lourdes,

Espero que o fim de semana esteja a correr bem. Vamos aproveitar o bom tempo enquanto dura.

Amiga, tens um selo que eu creio que gostarás aqui -http://naquintadorau2.blogspot.com/.

beijinhos

Flora Maria disse...

Devia ser uma alegria viver em meio as delícias que, certamente, eram produzidas na Bijou !
Meu pai teve loja e também ficávamos muito tempo lá.

Doces lembranças, ou lembranças de doces...
Beijo

Dulce disse...

Mas que viagem mais linda fiz agora pelo tempo, minha amiga! Adorei poder estar com essa menina em seus momentos, em sua infância. Obrigada por repartir conosco essas doces lembranças,
Beijinhos