terça-feira, 17 de maio de 2011

Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem

Rosas  
 

Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem
 
 
Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos"
Heterónimo de Fernando Pessoa



 

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

3 comentários:

Luís Coelho disse...

Bom dia

Quanto vale um sorriso de uma rosa que nos deixa um perfume de paz e um brilho diferente no olhar...?

Obrigado pelo seu carinho em lidacoelho. Bem haja.

Todos os dias devemos ver esse rio que canta para nós a canção do amor.
Nunca se chega antes nem depois, porque a linguagem do tempo é apenas uma - AMIZADE

Mariazita disse...

Bom dia, Lourdes
Fernando Pessoa (em qualquer de seus heterónimos) conhecia bem o ser humano.
Fizeste uma escolha óptima!

Continuação de boa semana. Beijinhos

Dulce disse...

Pois sorriem!... e provocam em nossa alma ternos e doces sorrisos...
Beijos, Lourdes e uma boa tarde para você