sexta-feira, 6 de maio de 2011

Rústica

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Rústica
Eu q’ria ser camponesa;
Ir esperar-te à tardinha
Quando é doce a Natureza
No silêncio da devesa,
E só voltar à noitinha…

Levar o cântaro à fonte
Deixá-lo devagarinho,
E correndo pela ponte
Que fica detrás do monte
Ir encontrar-te sozinho…

E depois quando o luar
Andasse pelas estradas,
D’olhos cheios do teu olhar
Eu voltaria a sonhar,
P’los caminhos de mãos dadas.

E depois se toda a gente
Perguntasse: “Que encarnada,
Rapariga! Estás doente?”
Eu diria: “É do poente,
Que assim me fez encarnada!”

E fitando ao longe a ponte,
Com meu olhar cheio do teu,
Diria a sorrir pro monte:
“O cant’ro ficou na fonte
Mas os beijos trouxe-os eu…


Florbela Espanca - Trocando olhares



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.











4 comentários:

Fernanda disse...

Amiga Lourdes.

Adoro Florbela.
Obrigada por me ajudar a começar bem o dia com este belo poema.


Beijo

Luís Coelho disse...

Lindo poema que nos encanta e nos trás à recordação estas mesmas imagens ao Domingo à tardinha.

A água da fonte ainda era mais fresquinha........

Idanhense sonhadora disse...

Olá Lourdes , sempre gostei muito de F.Espanca ... Este é umdos seus belos poemas
Bj

SOL da Esteva disse...

Florbela é a minha Musa que cedo se partiu.
Esta Publicação faz uma singela Homenagem a uma das maiores Poetizas de dos nossos tempos.
Reler é como receber um Bálsamo de Amores

SOL da Esteva
http://acordarsonhando.blogspot.com/