terça-feira, 6 de julho de 2010

Matilde Rosa Araújo





Hoje o dia amanheceu com a notícia de mais uma figura da literatura portuguesa que partiu. Matilde Rosa Araújo, de 89 anos,  deixou-nos após uma prolongada doença.
Era uma das escritoras que desde cedo chegou ao conhecimento de todos os portugueses. Especializada em literatura infantil, muitos são os textos que povoam a nossa memória pois, muitos deles fizeram parte dos manuais escolares de Língua Portuguesa.
Muitos foram os prémios com que foi distinguida ao longo da sua vida dos quais destaco o Prémio de Literatura para Criança da Fundação Calouste Gulbenkian ex-aequo com Ricardo Alberty, em 1980; Prémio atribuído pela primeira vez, para o melhor livro estrangeiro (novela O Palhaço Verde), pela associação Paulista de Críticos de Arte de São Paulo, Brasil, em 1991; Prémio para o melhor livro para a Infância publicado no biénio 1994-1995, pelo livro de poemas Fadas Verdes, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian, em 1996; Grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

Paz à sua alma.

Em sua homenagem deixo  uma das suas poesias, que se adapta perfeitamente ao ambiente que vivo no local onde resido.



BALADA DAS VINTE MENINAS FRIORENTAS



Vinte meninas, não mais,
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.



Vinte meninas, não mais,
Eu via naquele muro:
Tinham cabecinha preta,
Vestidinho azul escuro.



As minhas vinte meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Chegaram na Primavera
E acenaram lá dos céus.



As minhas vinte meninas
Dormiam quentes num ninho
Feito de amor e de terra,
Feito de lama e carinho.



As minhas vinte meninas
Para o almoço e o jantar
Tinham coisas pequeninas,
Que apanhavam pelo ar.



Já passou a Primavera
Suas horas pequeninas:
E houve um milagre nos ninhos.
Pois foram mães, as meninas!



Eram ovos redondinhos
Que apetecia beijar:
Ovos que continham vidas
E asinhas para voar.



Já não são vinte meninas
Que a luz do Sol acalenta.
São muitas mais! muitas mais!
Não são vinte, são oitenta!



Depois oitenta meninas
Eu via ali no beiral:
Tinham cabecinha preta
E branquinho o avental.



Mas as oitenta meninas,
Capinhas dizendo adeus,
Em certo dia de Outono
Perderam-se pelos céus



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

2 comentários:

Luis disse...

Amiga Maria de Lourdes,
Linda homenagem a quem tanto deu para as crianças e para a Lingua Portuguesa. Paz à sua Alma!
Um beijinho amigo e solidário.

Maria Teresa disse...

Que delicadeza de poema, Lourdes! Não a conhecia, mas vou procurar por ela para saborear mais...
Abraços