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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A Bica: Brincadeiras de Antigamente

(Imagem da Net)

Continuo no meu bairro, desta vez para recordar as brincadeiras da minha infância.
No bairro predominavam as famílias humildes. Exceptuando um ou outro caso, todas viviam com dificuldades e os brinquedos não abundavam. Brincávamos muitas vezes ao "faz de conta" e, por isso, valorizavam-se as pequenas coisas.  Normalmente eu brincava com as vizinhas do apartamento do  lado esquerdo, no patamar da escada ou à janela com as vizinhas do prédio em frente. Como as ruas eram estreitas, falávamos e brincávamos de janela para janela, como se estivéssemos na mesma casa. 
Ao fim de semana havia menos trânsito de automóveis e as nossas mães permitiam que saíssemos para a rua enquanto elas nos vigiavam das janelas.  Jogávamos ao lencinho, à macaca, à barra do lenço, saltávamos à corda  ou fazíamos simplesmente danças de roda.

O meu vizinho, como era rapaz, brincava quase sempre na rua. Juntava-se com outros rapazes e saltavam ao eixo, jogavam à carica, ao "bilas" (berlinde), à bola (com uma bola de trapos), ou faziam corridas nas ruas e travessas mais inclinadas, com uns carros que eles próprios faziam,  com uma tábua e quatro rodas, parando no fundo da rua, usando os pés cujos sapatos ficavam  sem sola num ápice. Os mais endiabrados iam para o Largo do Calhariz, ou para a rua da Bica Duarte Belo, andar na "pendura" nos carros eléctricos ou do elevador.

(Imagem da Net)

Outros  momentos que recordo da minha infância passaram-se nos primórdios da televisão em Portugal. Raras eram as pessoas com possibilidades para ter uma TV em casa mas, nas tabernas e nalgumas pastelarias existia um aparelho. A minha mãe, de vez em quando, dava-me uma moedinha para eu ir com as vizinhas à Bicaense, onde assistíamos às séries mais populares da época. A Lassie, Bonanza, Dr. Kildare e outras deixavam-nos de olhos pregados no aparelho, enquanto comíamos tremoços e bebíamos um pirolito.

(Imagem da Net)
Mas, nas minhas recordações aparece agora o Jardim de Santa Catarina. Bem pertinho de minha casa, ali  passei muitas tardes a brincar com as minhas vizinhas, enquanto as nossas mães , sentadas num banco do jardim, conversavam e faziam renda ou tricô, à sombra  do Gigante Adamastor.
Muitas foram as vizinhas e mais tarde as colegas da escola que ali brincavam comigo e, dessa época, recordo para além da parte lúdica, a extraordinária vista que dali se desfrutava.


Ainda hoje quando vou ao bairro gosto de fazer uma visita ao Jardim. No entanto, o riso de meninos e meninas a brincar já não se ouve como outrora. Outros interesses despertam a curiosidade das crianças e os actuais frequentadores deste local também desmotivam as mães para ali se deslocarem com os filhos.


(Imagem da Net)



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Lisboa: O Elevador da Bica



Um dos ex-libris da Bica é sem dúvida o seu elevador que, desde 2002, juntamente com os outros ainda  existentes em Lisboa,  é considerado monumento nacional. 
Este meio de transporte existe desde 1892 e é composto por duas carruagens que sobem e descem alternadamente a Rua da Bica Duarte Belo, entre  a Rua de São Paulo, situada na parte baixa do bairro, e o Largo do Calhariz.
O seu percurso, feito na depressão que resultou do terramoto de 1597  é bastante íngreme. Através das vidraças ou das portas abertas, podem-se apreciar várias ruas, becos, vielas  e escadinhas que formam este bairro  típico, hoje tão descaracterizado pelos graffitis que teimam em espalhar por tudo quanto é sítio.  


- A Rua da Bica Duarte Belo -

Muitas foram as vezes que  utilizei  este elevador ao longo da minha vida. Em pequena, quando vinha com a minha mãe das compras, que íamos fazer ao Mercado da Ribeira, mais tarde quando vinha do liceu e agora, sempre que me desloco à Bijou do Calhariz e utilizo  o barco que atraca  no Cais do Sodré. Normalmente, só o utilizava na subida, porque "a descer todos os santos ajudam" e poupava-se o dinheiro do bilhete da descida.
Nas minhas viagens, curtas porque o percurso é pequeno, muitas vezes assistia a cenas engraçadas. Uma delas repetia-se várias vezes ao dia. Os rapazes brincavam na rua e uma das brincadeiras preferidas era andarem na pendura  isto é, agarravam-se aos meios de transporte em andamento e seguiam viagem escondendo-se do condutor. Era o que se passava no elevador. Às vezes o condutor  via-os e  tinha que interromper a viagem para os obrigar a descer. Depois, era uma corrida desenfreada, fugindo pela ladeira abaixo,  para se prepararem para uma nova tentativa, quando o outro elevador subisse.
Outra das cenas foi passada comigo, numa viagem que fiz com a minha vizinha Nanda.
Como este transporte não tem paragens na subida, logo que chegavam perto de suas habitações, os passageiros saltavam em andamento, evitando ir até ao cimo da rampa para depois ter que descer parte dela.
Mais velha,  e mais habituada a desenvencilhar-se  na rua que eu, a minha vizinha saltava do elevador em andamento com uma agilidade que eu invejava. Um dia, ela deu-me várias instruções de como eu tinha que proceder para saltar sem cair. Ao passar junto à travessa do Sequeiro, ela saltou e eu fiquei a pensar nas crianças que  já tinha visto cair ao querer fazer o mesmo. De olhar fito na calçada que fugia sob o elevador e  balançando tentando ganhar impulso, ouvia a voz da Nanda, cada vez mais longe, gritando:
- Salta Lourdes! Salta, salta.
E eu saltei, mas apenas quando o elevador parou.
Quando cheguei ao pé dela fartámo-nos de rir da minha azelhice e falta de coragem.



Ontem ao passar a caminho da Bijou, vi um elevador diferente, estranho. Já não é amarelo. Está todo espelhado. Disseram-me que é um projecto temporário da Carris, que terminará no final de Junho e que pretende dar um  look artístico aos elevadores lisboetas. Para tal, convidou vários artistas plásticos para o fazerem. A intensão do artista que projectou esta ideia era  reflectir  no espelhado as ruas, os prédios, os peões,  a vida do bairro.  Pode ter sido uma ideia muito original mas, confesso que me habituei a vê-los sempre amarelos e não gostei do que hoje vi.

- O  aspecto temporário do elevador da Bica -



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Lisboa: Animação na Minha Rua

Continuo na minha  rua, onde o movimento diário não era só relacionado com o trabalho. Quase diariamente, passavam os "ceguinhos" tocando concertina  e cantando fados "de faca e alguidar", normalmente com letras dramáticas, descrevendo a trágica vida de algumas mulheres ou então dos  seus "desamores". Vinham acompanhados normalmente por uma pessoa do sexo oposto, ou por uma criança que traziam folhetos com as letras das canções que cantavam, para vender.


- Os "Robertos" -

Outras vezes vinham  os "Robertos" que traziam uma enorme alegria às crianças e eram  uma espécie de fantoches de madeira, que os artistas  manejavam, escondidos entre dois biombos que montavam assim que chegavam ao local do espectáculo. Ao mesmo tempo, dramatizavam cenas falando com vozes alteradas e estridentes.  Quase sempre a cena acabava em pancadaria,  provocando grandes risadas na pequenada.
Outros artistas que apareciam com frequência eram os saltimbancos,  uma espécie de mini-circo cujos artistas actuavam na rua. Havia contorcionistas, equilibristas, palhaços, malabaristas, ilusionistas,...

- Um Saltimbanco -

Era mais um momento em que as crianças se animavam, rindo e batendo muitas palmas. De vez em quando, a actuação era interrompida para dar passagem a algum automóvel, o que provocava o descontentamento geral. Mas, após a passagem do veículo, o espectáculo prosseguia enquanto um dos artistas na esperança  de ser contemplado com umas moedas, passava junto às janelas onde as pessoas assistiam ou dos pais que se encontravam na rua acompanhando os filhos.
Chegados ao mês de Junho, a rua ganhava uma animação diferente. Os Santos Populares eram festejados em toda a Bica e a minha rua  enfeitada com festões e balões coloridos, colaborava na festa.

- Uma Cascata -

As senhoras enfeitavam as janelas com vasos de manjericos; junto à taberna, improvisava-se uma pequena esplanada, onde se vendia caldo verde e  sardinha assada, acompanhados por um copo de três;
os jovens, faziam fogueiras que saltavam em alegre algazarra; as crianças faziam cascatas à porta dos prédios onde moravam, muito bem ornamentadas com os três santos populares e   disputando os peões que desciam a rua, gritando:
- Dê-me um tostãozinho para o Santo António.
E depois havia as marchas populares. O meu bairro era um dos que participava sempre nos concursos e desfiles na Avenida e no antigo Pavilhão dos Desportos, tendo saído várias vezes vencedora, dando azo a grandes festejos no bairro.

- A Marcha da Bica de 2010 -



Nota: As Imagens foram tiradas da Net



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A Minha Rua: Pregões

Ao longo do dia, na minha rua a azáfama começava cedo. Dentro de casa, fazendo qualquer tarefa caseira,  apercebíamo-nos dos vendedores ambulantes que passavam na rua, pois ouvíamos os pregões das diversas profissões da época.
Eu achava graça à forma como gritavam cantarolando:
- Seculooó Notícias! Olh'ó Diário Popular!- era o ardina com a sacola cheia de jornais pendurada no ombro que descia a rua a correr disputando com outros o  melhor posto de venda. Ao mesmo tempo, fazia rolos com alguns jornais que atirava para a janela de alguns clientes certos.

- O Ardina -

De vez em quando,  ouvia-se também:
- Quem tem trapos ou garrafas para vender? - era o ferro velho que cantarolava, tentando recolher objectos velhos que depois vendia nas feiras.
Havia um pregão que me encantava que era o do cauteleiro, talvez porque o senhor tinha uma voz muito sonora e afinada, que cantava:
- Ó meninas desta rua
Venham todas à janela
Se quiserem ser felizes
Comprem-m'aqui uma cautela.

- Amolador -

- Amolador! - gritava um homem, seguindo-se uma música característica tocada numa de gaita de beiços. Ao mesmo tempo, empurrava uma caranguejola onde trazia entre outros, uma pedra de amolar. Quando alguém precisava de afiar facas ou tesouras ele impulsionava a roda através duma espécie de pedal. Arranjava também chapéus de chuva, substituindo alguma vareta partida.
- Funileiro à porta!- era um homem vestido com um fato de ganga meio enxovalhado, que aguardava pelas senhoras qur tivessem  tachos ou panelas com pequenos furos que eles tapavam com um pingo de solda ou pratos e tachos de barro partidos,  onde eles punham uns gatos, deixando-os de novo aptos para servir.

- Varinas -

 - Ó viva da Cooooosta! Há carapau e sardinha linda! Olha a faneca linda!- gritava a varina com a canastra à cabeça.
- Fava ricaaaa! - uma mulher transportava um cesto à cabeça onde trazia uma grande panela desta sopa, bem embrulhada para se manter quentinha, que vendia de porta em porta.
- Ollh' à língua da sogra! - este era um dos pregões que eu ansiava ouvir pois, por vezes, a minha mãe mesmo contrariada, lá me comprava uma. É sempre assim. Eu tinha acesso aos excelentes bolos que o meu pai fazia na Bijou, mas eram aqueles que despertavam o meu desejo.

- Vendedora de fava-rica -

Sazonalmente apareciam  outros vendedores.
- Quem quer figos quem quer almoçar? Ó figuinho da capa rota!- era a mulher da fruta que aparecia ao cimo da rua com o cesto cheio de fruta.
Cada fruto tinha o seu pregão que ia mudando conforme a época em que mais abundava. Ainda hoje me lembro do cheirinho característico daquela fruta, vinda directamente da árvore sem ir ao frigorífico. Na fruteira lá de casa perfumava a casa inteira.


- O Vendedor de castanhas -

Havia  um pregão  que  anunciava o Outono:
- Quentes e Boas!- era um senhor que carregava às costas um cesto forrado com serapilheira onde transportava castanhas quentinhas. Mais tarde, já trazia   um carrinho com um fogareiro, onde ia assando castanhas que depois metia num cartucho que fazia,  com papel de jornal velho.
Também  o Verão era anunciado por um pregão:
-  Esquimó fresquinho! Frut'ó chocolate! - o vendedor, montado numa bicicleta com um carrinho onde transportava o sorvete, que fazia as delícias da pequenada.
As senhoras desciam a escada e vinham à porta comprar o que lhes fazia falta, mas as mais idosas e as que moravam  nos andares mais altos dos prédios, lançavam pela janela um cestinho preso por uma corda, onde o vendedor colocava o produto pretendido. Depois as senhoras içavam o cesto, fazendo a mesma operação para enviar o dinheiro do pagamento.
- Vendedor de esquimós -

A vida mudou. Claro que não tenho saudades nenhumas das dificuldades que sentíamos na altura,  mas é com uma pontinha de nostalgia que recordo as vivências da minha infância, pois elas fazem-me valorizar  aquilo que consegui alcançar.

Nota: As imagens foram todas tiradas da net.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

domingo, 10 de outubro de 2010

Lisboa: A Minha Rua



Quem entra agora na  rua do Almada, a rua onde eu cresci, não faz ideia do que foi a vida naquele lugar no tempo em que ali morei. Nessa época,  era habitada por muitas pessoas, umas já ali nascidas e outros vindas de variadíssimos locais do país. Na maior parte das habitações viviam várias gerações da mesma família, pois a vida era bastante difícil e não permitia a qualquer um alugar uma casa só para si. Assim, os filhos casavam e ficavam  a viver em casa dos pais, onde nasciam depois os respectivos filhos. Havia gente para todas as idades e, como a rua era estreita, quase víamos o que se passava na casa dos vizinhos. A proximidade era tal que todos se conheciam e era vulgar as senhoras irem para a  janela  falar umas com as outras.
Com tanta gente a morar, havia necessidade de  comércio para abastecer os moradores o que tornava a rua muito movimentada.
Logo no início, havia uma padaria onde logo que nascia o dia se começava a vender o pão. Ao mesmo tempo, saíam os padeiros ambulantes carregando um grande cesto cheio de pão quentinho, para levarem a casa das suas freguesas habituais. Mesmo em frente, na Rua Marechal Saldanha, os estebelecimentos sucediam-se. Do lado direito  logo no princípio da rua, a pastelaria Orion, propriedade dum conterrâneo nosso, iniciava um conjunto de lojas variadas: uma taberna, uma mercearia, outra taberna e carvoaria e uma drogaria. Na união da rua do Almada com a Marechal Saldanha, um lugar de fruta e hortaliça separava as duas ruas.

- O lugar da fruta - 
(Imagem da Net)

Descendo a minha rua, no prédio onde eu morava havia uma barbearia e em frente  um alfaiate. Na esquina do quarteirão seguinte havia um depósito/estufa de bananas; em frente uma casa de móveis e logo a seguir uma casa de ferragens. Numa das esquinas com a travessa da Laranjeira, havia uma taberna que era o ponto de encontro de muitos homens da rua e,  na esquina com a travessa da Portuguesa havia a mercearia  do Sr. Amadeu. Nas ruas transversais  havia também  carpintarias, marcenarias, vidraceiros,...

- A primeira porta do lado esquerdo era a barbearia -
(Foto da Net)

Todos estes estabelecimentos necessitavam de ser abastecidos. Em determinadas horas do dia, as camionetas  provocavam grande congestionamento no trânsito, pois enquanto descarregavam não podia circular nenhum veículo. Para  atrapalhar ainda mais  os moradores estacionavam os seus automóveis à porta dos prédios.  Sendo uma rua  estreita, as camionetas invadiam o passeio, obrigando os transeuntes a refugiarem-se no vão das escadas.
Hoje o movimento na rua é pouco. O trânsito automóvel só é permitido aos residentes ou para cargas e descargas rápidas. A população envelheceu, os filhos já não ficam a morar com os pais, os muitos estabelecimentos que existiam fecharam as portas ou deram lugares a cafés e restaurantes. Apenas a mercearia mantém o comércio original, embora tivesse necessidade de se adaptar à actualidade, modernizando-se tanto em aspecto como em móveis e utensílios.

- Encontro da Rua do Almada com a Marechal Saldanha -

As ruas, outrora  movimentadas, perderam todo aquele   bulício por vezes irritante, mas que significava vida que pulsava e que, apesar de tudo, me  deixa muitas saudades.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.




sábado, 9 de outubro de 2010

Mais Uma Iniciativa do Soito da Ruiva

A Comissão de Melhoramentos do Soito da Ruiva vai  realizar um fim de semana convívio no dia 30 de Outubro na sua aldeia.
O Programa é o seguinte:

COMISSÃO DE MELHORAMENTOS DE SOITO DA RUIVA

Fim-de-semana de Todos os Santos no Soito da Ruiva

30 Out. – 14h30 – Saída do Centro Sul-
de autocarro – para o Soito da Ruiva

31 Out. – Dia de Convívio
– Almoço – Cozido à Portuguesa
– Jantar – Sopa da Pedra e petiscos vários

– Animação com a tocata do GDC Soito da Ruiva

01 Nov. – Almoço (ementa a definir)
- 15h00 – Saída do Soito da Ruiva em direcção a Almada

Preço:
Adultos – 40 Euros
Crianças até 12 anos – Grátis

Inscrições:
Adelina Niz – 918296863
Teresa Neves – 96394800

Os amigos do Soito da Ruiva prepararam mais uma iniciativa que decerto irá agradar a todos os que quiserem partilhar com eles este fim de semana. Por isso, não faltem e façam já as vossas inscrições.





Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Efemérides da Minha Aldeia

Tal como expliquei num outro post, vou recuperar algumas das notícias do extinto jornal da nossa freguesia: O Notícias de Pomares.
É uma forma de alguns recordarem o passado e outros se aperceberem do quão difícil era a vida na região, podendo assim valorizar o trabalho dos nossos antepassados na construção de aldeias com melhores condições de vida.
A notícia de hoje transporta-nos para o ano de 1960.
Com muito empenhamento da Comissão e uma inexcedível colaboração dos habitantes da povoação de Sobral Magro, nesse ano, conseguiram-se transformar dois sonhos em realidade.

O primeiro foi o cemitério. 
A partir de então, corpos dos defuntos continuariam a permanecer na aldeia para além da morte. A construção do cemitério chegara ao fim e ia ser inaugurado. A cerimónia realizou-se faz hoje precisamente 50 anos.

- Inauguração do Cemitério -

O Segundo era dotar o chafariz da povoação de água potável.
Na aldeia, em que a água escasseava, só havia um chafariz mas a água era imprópria para consumo. À noite, após um dia de trabalho duro no campo, as mulheres tinham que ir com o seu cântaro,à mina, esperando a sua vez em longas filas, para levarem água para casa.
Também neste caso, a Comissão de Melhoramentos e o povo construíram uma fonte e canalizaram a água da mina. A fonte inicial, foi colocada num outro local ficando os sobralmagrenses com a tarefa da água mais facilitada.

- A fonte do Largo da Barroca -

- A fonte na barroca de S. Domingos -

É da inauguração destas obras, a notícia que recuperei do Notícias de Pomares do mês de Novembro de 1960.






Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Naperon em Ponto de Cruz com Picô

Iniciei há tempos uma série de trabalhinhos para oferecer  às minhas amigas pelo Natal.
Pensava eu que se os fizesse ia ajudar a combater a crise, poupando alguns euros, pois não tinha que pagar a minha mão de obra. Puro engano.
Já fiz uma série de naperons e panos de cozinha e, por curiosidade, fiz contas. Ia-me dando uma coisinha má...
Afinal os materiais para as artes manuais estão muito caros e conseguimos em qualquer loja trabalhos idênticos feitos em fábricas bastante mais baratos.
No entanto, como são prendinhas para as amigas, não me arrependo da opção que tomei.



O naperon para cozinha que hoje vos mostro,  faz parte do lote das ofertas.
Fui buscar a ideia do picô ao blog  Ponto Preso  da Norminha, onde vou frequentemente procurar inspiração.


O bordado, em ponto de cruz recuperei do que resta duma revista  da minha falecida mãe, da qual já não  tenho identificação, pois está muito velhinha.


Agora, só espero que as minhas amigas fiquem satisfeitas, pois a mim tem-me dado muito prazer fazer algumas das minhas prendas de Natal.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Tenho uma grande constipação


Estive na aldeia. O dia estava bonito e ensolarado e pedia para passearmos pelos caminhos da povoação. No entanto em Outubro, o Sol não é nada saudável para quem como eu, não tomou as devidas precauções.
Hoje estou "de molho". Não me apetece fazer nada. Tenho febre, arrepios, espirros, olhos a lacrimejar, o nariz a escorrer,...
Enfim, faço minhas as palavras de Fernando Pessoa, através do seu heterónimo Álvaro de Campos.


Tenho uma Grande Constipação
E toda a gente sabe como as grandes constipações
Alteram todo o sistema do universo,
Zangam-nos contra a vida,
E fazem espirrar até à metafísica.
Tenho o dia perdido cheio de me assoar.
Dói-me a cabeça indistintamente.
Triste condição para um poeta menor!
Hoje sou verdadeiramente um poeta menor.
O que fui outrora foi um desejo; partiu-se.


Adeus para sempre, rainha das fadas!
As tuas asas eram de sol, e eu cá vou andando.
Não estarei bem se não me deitar na cama.
Nunca estive bem senão deitando-me no universo.

Excusez un peu... Que grande constipação física!
Preciso de verdade e da aspirina.


Álvaro de Campos, in "Poemas"


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Parabéns Pai



Cheguei há pouco da aldeia onde fui passar o dia de anos do meu pai.
Já lá vão 82 anos e ele continua activo, lúcido e saudável. Ainda conduz e vai à caça, embora já não tenha a resistência de outros tempos.
Quem olha para ele, não diz que durante 15 anos ele tomou conta da minha mãe, doente de Alzheimer, numa luta inglória contra a evolução da doença. Nunca desanimou e ainda foi  ele que me transmitiu o seu exemplo de coragem, nos momentos em que eu desesperava.
Hoje, com uma vida mais calma, faz alguns trabalhos no campo, dedica alguns momentos ao artesanato  e não abandona o seu cantinho senão na altura das festas de Natal  que vem passar connosco.
Espero tê-lo entre nós por muitos mais anos com saúde e lucidez.
Parabéns Pai.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

domingo, 3 de outubro de 2010

Hoje é Dia de Selos

Hoje  é dia de selos. Como há muito não coloco nenhum  n' O Açor  vou mostrar o   da amiga Anabela  do seu Blog da Anabela Jardim.




Esta amiga blogueira  distinguiu-me com um outro selo.

Este tem regras a  cumprir e é isso que vou passar a fazer.
Tenho que o repassar para 9 pessoas, que como eu terão que repassá-lo para mais 9, com a seguinte regra:
- Contar 9 coisas sobre você que seus amigos não sabem.

Então vamos lá.
1 - Detesto a mentira, a arrogância e o oportunismo.
2 - Não sou capaz de estar parada. Até a ver televisão tenho que estar a fazer outra coisa. É quando aproveito para fazer algumas rendinhas e bordados.
3 - Adoro  uvas. A minha sorte é que agora há uvas nos supermercados durante o ano inteiro.
4 - Não gosto de temperaturas extremas, por isso as estações que prefiro são a Primavera e o Outono.
5 - Não passo sem a minha família. São o meu suporte, o meu porto seguro.
6 - Sou muito emotiva e choro por qualquer coisa. Basta ver alguém a chorar para chorar também.
7 - Apesar de ter nascido e ter sido criada na cidade, é com o campo que me identifico.
8 - Adoro viajar, conhecer novos locais e novas culturas. Aproveito, sempre que posso, para fazer uns passeios por locais que não conheço. Depois, gosto de partilhar com os amigos que seguem o blog, as minhas experiências e descobertas.
9 - A internet tornou-se uma companhia e já é difícil passar sem ela o que, muitas vezes, me leva a deitar  tarde.

Agora vou repassar a 9 amigos que tirei à sorte, da minha lista de seguidores:
 Maria Teresa  - Ouvindo Meus Botões
 Maria - Divagar Sobre Tudo um Pouco
 Luís - A Tulha do Atílio
 Dulce - Em Prosa e Verso
 Sandra - Curiosa
 Marli - Louca Por Artes
 Flora Maria - Flora da Serra - Raízes da Mantiqueira
 Mariazita - A Casa da Mariquinhas
 Ana Martins - Ave Sem Asas


O selo seguinte é da amiga Marli  do lindo blog Louca por Artes que completou 2 aninhos.



Parabéns Marli. Vou fazer força para que complete muitos mais , para poder partilhar connosco os seus bonitos trabalhos.

Estes dois blogues merecem uma visita. Ambos são brasileiros mas diferentes nos seus conteúdos. No entanto são bastante interessantes e pedagógicos.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


sábado, 2 de outubro de 2010

Fim de Semana com Poesia


Velhas Árvores

Olha estas velhas árvores, mais belas
Do que as árvores moças, mais amigas,
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...
O homem, a fera e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres da fome e de fadigas:
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.
Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo. Envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem,
Na glória de alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!

(Olavo Bilac)



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Seixal II



Enquanto o barco sulcava as águas do mar da Palha, as imagens sucediam-se na minha lembrança.
Quando logo de manhãzinha chegava com os meus pais ao cais do Seixal,  tínhamos já  alguns familiares à nossa espera, para seguirmos para o mercado a fim de fazermos as compras para o almoço.
Na altura,  o mercado situava-se na zona ribeirinha, num edifício muito antigo. O barulho era  intenso. Os gritos dos pregões das varinas misturava-se com os dos pescadores que chegavam, com o peixe acabadinho de pescar.
Feitas as compras seguíamos para a casa onde residiam os meus familiares. Atravessávamos o Jardim e seguíamos junto aos muros da fábrica Wicanders, até virarmos à direita,  junto ao antigo cemitério,  a caminho do Bairro Novo.

- O Jardim do Seixal -

Logo que chegávamos o entusiasmo era enorme. Naquela época não havia possibilidades para grandes distracções e, era na família que se procurava a forma mais agradável de passar os dias de descanso. A  comida, a bebida e a boa conversa eram suficientes para animar a família. Cada qual contava as notícias que recebiam da "terra" e ficavam assim completamente informados do que se ia passando na aldeia diminuindo assim as saudades.
Os meus familiares,  viviam praticamente todos numas águas furtadas, onde os pequenos apartamentos eram ligados por um grande terraço, que era um espaço comum. Era nesse local que todos se juntavam e passavam as tardes de Domingo, sempre que o tempo o permitia.

- A rua onde morava a minha família no Bairro Novo -
Eu adorava estas visitas aos familiares do Seixal, onde  todos me acarinhavam. Eram  pessoas de poucas posses mas muito ricos de carinho e amor.  Um casal de primos da minha mãe tinha uma filha mais ou menos da minha idade com a qual eu me identificava bastante. Enquanto os adultos conversavam, nós passávamos   agradáveis tardes de tropelias e brincadeiras que jamais esquecerei. Já mais velhinhas, dávamos grandes passeios  fazendo as confidências próprias da idade, umas vezes   pela vila outras por uma estrada ladeada por idílicas quintas, a caminho de Paio Pires, sem sequer sonharmos que eu, alfacinha de gema, tinha o meu destino para sempre ligado ao Seixal. 

- Recanto numa das ruas do Seixal -

Os anos passaram e ao fim de dez anos a leccionar em várias escolas, no meu primeiro concurso para efectivação, fiquei colocada exactamente nesta localidade. Daí a mudar a residência para a margem sul  foi um pequeno passo e actualmente encontro-me a viver numa das freguesias que formam o concelho do Seixal.


- A escola onde me efectivei -


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.