segunda-feira, 10 de abril de 2017

Loriga

Numa das encostas da serra da Estrela, a cerca de 770 m de altitude, em frente à serra do Açor,  situa-se Loriga, uma vila portuguesa do concelho de Seia, do qual dista cerca de 20 Km.

Esta bonita vila foi fundada há mais de dois mil e seiscentos anos e crê-se ali ter existido  um castro lusitano, havendo mesmo quem defenda a teoria,  de ser o local do nascimento de  Viriato. 
Por ali passaram outros povos que invadiram a península  deixando  os seus vestígios.
Quando os romanos chegaram à região, a povoação estava dividida em dois aglomerados, estando o maior e mais antigo  rodeado por muralhas.

No século XII, Loriga  e arredores era couto senhorial, mas em 1248, passou para a posse da coroa e D. Afonso III concedeu-lhe foral e honras de vila e concelho.
Em 1474, recebeu novo foral concedido por D. Afonso V que , como prova de reconhecimento por serviços prestados,  doou o concelho ao fidalgo Álvaro de Machado. Finalmente, em 1514, D. Manuel I concedeu-lhe foral novo. Durante a guerra civil portuguesa, Loriga  deu o seu apoio aos Miguelistas contra os Liberais, o que originou que   deixasse de ser sede de concelho.
A partir do início do século XIX, Loriga tornou-se numa das localidades mais  
industrializadas da Beira Interior, devido ao grande número de empresas de lanifícios  que por ali prosperavam. Porém, durante a segunda metade do século XX, muitas delas entraram em decadência, acabando com muitos postos de trabalho 
Tentando colmatar o declínio industrial, Loriga direccionou-se para o turismo. Assim, tem tentando aproveitar  as   potencialidades da vila e região envolvente, como  é o caso  das  pistas e estância de esqui, as únicas existentes em Portugal.
Loriga pertence à rede de Aldeias de Montanha do Concelho de Seia e ao Parque Natural da Serra da Estrela.
 
O orago de Loriga é Santa Maria Maior e a paróquia  remonta  à época visigótica, quando pertencia  à diocese de Egitânia (Idanha a Velha).
A Igreja Matriz foi mandada construir por D. Sancho II, em 1233, no local duma pequena ermida visigótica. Desta foi   aproveitada uma pedra com inscrições visigóticas, que foi colocada por cima duma das portas laterais. Em 1755, foi praticamente  destruída pelo terramoto e, após a reconstrução,   aproveitaram-se  apenas  parte das paredes laterais e da torre.
No interior tem cinco capelas  dedicadas a Santo António, Nossa Senhora do Carmo, São Sebastião, Nossa Senhora Auxiliadora e  Nossa Senhora da Guia.
 

Do património de Loriga, para além da Igreja Matriz, destacam-se ainda:

- Capela Nossa Senhora da Guia

Esta capela foi construída em 1884, toda em xisto e era a santa devota  dos negociantes de lã desta localidade.
Situada num local atingido por ventos fortes, depressa se degradou e, por  ameaçar ruína, foi demolida e, no seu lugar, foi construído um novo templo.
Até aos dias de hoje, tem sido alvo de várias transformações e, actualmente, poucas semelhanças tem com a capela inicial.


-  Capela Nossa Senhora do Carmo  
  

A capela da Nossa Senhora do Carmo fica situada no centro do Bairro de São Ginês. É uma capela muito antiga, da qual se desconhece a data de construção. Pelos escritos encontrados,  em 1758 já estava construída e já se fazia referência à capela, embora dedicada a San Gens. 
Em 1938, por estar em avançado estado de degradação, foi de novo reconstruída.

- Capela São Sebastião


Esta capela foi construída há mais de duzentos anos e, na altura, situava-se num local afastado da povoação.
Inicialmente, era um templo de pequenas dimensões, mas com o passar dos anos sofreu várias  alterações, até  ser construída uma nova no lugar da antiga. 

- Capela da Nossa Senhora Auxiliadora

A capela da Nossa Senhora Auxiliadora é um templo particular que faz parte do Solar da Redondinha. Foi construída nos primeiros anos do século XX, pelo Industrial Augusto Luís Mendes. Esta capela destinava-se ao culto religioso da família mas,  uma vez por mês, era aberta à  população que pretendesse assistir à missa dominical.

- A ponte romana

Esta ponte, dum só arco, fica situada sobre a Ribeira das Naves e não se sabe ao certo a data da sua construção. Sabe-se sim, que é um dos vestígios da presença romana na região.

Um outro vestígio romano são  alguns troços de calçada romana que atravessam alguns locais da vila e que  faziam parte da estrada que ligava Loriga a Sena e Conimbriga.

- O Pelourinho 

O Pelourinho inicial será originário do  século XVI,  mas pouca informação existe da  sua construção.
Terá sido demolido em finais do século XIX reconstruído em 1998.


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