terça-feira, 6 de setembro de 2011

No Entardecer dos Dias de Verão



No entardecer dos dias de Verão

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...

Ah!, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos...


Mas Graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma coisa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma coisa a menos,
E deve haver muita coisa
Para termos muito que ver e ouvir...

Alberto Caeiro ( Heterónimo de Fernando Pessoa )
in O Guardador de Rebanhos


Soito da Ruiva e Sobral Magro


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.






5 comentários:

Luis disse...

Querida Amiga Lourdes,
Fernando Pessoa mantém-nos sempre em suspense com as suas imagens. Aprecio a sua obra, por vezes apresentando nelas situações estranhas mas sempre com um fundo a obrigar-nos a pensar, como aqui é o caso!
Beijinhos amigos.

Artes e escritas disse...

A imperfeição é uma criação em si mesma, um poema reflexivo e belíssimo. Um abraço, Yayá.

Luís Coelho disse...

Que beleza de foto. Enche-nos o olhar.

O poema é soberbo. Obra de mestre.

Ilusão dos sentidos ou sentimentos de vidas nas folhas, na brisa, no prazer que se (vê) mas que (não existe)

Idanhense sonhadora disse...

Olá Lourdes , sempre pelo Pessoa e belíssima a sua paisagem ....
Eu , regressada a Lisboa ,tristemente ,espero que esteja tudo bem consigo .
Beijinhos
Quina

Luis Antunes disse...

Olá Lourdes
Esta imagem é espectacular
belissima imagem que transporta até aos escritos de Fernando Pessoa aos seus poemas que nos enchem a alma
parabéns por esta postagem magnifica
beijos