segunda-feira, 19 de março de 2012

Dia do Pai






É um lugar comum dizer-se que dia do Pai são todos os dias do ano. No entanto, neste dia dedicado a S. José a minha atenção é redobrada para com o meu.
Desta vez, agradeço o amor e carinho com que me criou, os sacrifícios que fez para que nada me faltasse, a força e coragem que me transmite nos momentos em que me vou abaixo e nas constantes lições de vida que me dá a cada dia que passa com um lindo poema de Pablo Neruda.



PAI
O Pai Terra de semente inculta e bravia,
terra onde não há esteiros ou caminhos,
sob o sol minha vida se alonga e estremece.
Pai, nada podem teus olhos doces,
como nada puderam as estrelas
que me abrasam os olhos e as faces.
Escureceu-me a vista o mal de amor
e na doce fonte do meu sonho
outra fonte tremida se reflecte.
Depois... Pergunta a Deus porque me deram
o que me deram e porque depois
conheci a solidão do céu e da terra.
Olha, minha juventude foi um puro
botão que ficou por rebentar e perde
a sua doçura de seiva e de sangue.
O sol que cai e cai eternamente
cansou-se de a beijar... E o outono.
Pai, nada podem teus olhos doces.
Escutarei de noite as tuas palavras:
... menino, meu menino...

E na noite imensa
com as feridas de ambos seguirei.

Pablo Neruda,


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

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