domingo, 23 de outubro de 2011

Poesia Escrita na Prisão de Peniche


No espaço onde funcionava o Parlatório há vários testemunhos de prisioneiros. Entre eles existe um manuscrito com um poema de António Borges Coelho que, na década de 70 foi musicado por Luís Cília.

As traineiras abrigam-se na barra,
os mastros em fantástico arvoredo.
São peixes coloridos, de brinquedo,
e eu o triste rapaz que solta a amarra.

Os telhados reúnem-se no largo,
assembleia de pobres e crianças.
Em falas, cantos cobram-se esperanças.
Homens chegam do mar com rosto amargo.

Lá baixo a vaga escreve na muralha
a história destes muros. Toda em brios
salta adiante o Baleal e falha.

E na gávea da velha fortaleza,
fico a seguir o rumo dos navios,
num choro de asas de gaivota presa.

António Borges Coelho


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

5 comentários:

Patricia disse...

Olá Lourdes!

Estou em dívida consigo, tenho falhado minhas visitas :(

Desde que o ano lectivo começou, tenho estado sem tempo para nada, agora com o tempo mais fresco e as crianças mais calmas, a ver se consigo organizar meu tempo.

Já conhecia este poema, bom relembrar, afinal é um belo poema, cheio de significado.

Beijinho grande e votos de uma semana feliz.

Maria Teresa disse...

Lourdes:
As palavras são instrumento de conforto e de companhia, sem dúvida.
Lindo poema.
Beijo carinhoso

alfacinha disse...

A prisão de Peniche é uma testemunha de um passado de cadeias para aqueles que tinham de ficar mudo.
cumprimentos

Idanhense sonhadora disse...

Um belo soneto do "colega " Borges Coelho . Bem haja por no-lo recordar, Lourdes
Bj
Quina

Isamar disse...

Conheci bem António Borges Coelho, professor universitário, que felizmente conheceu a Liberdade, um direito inalienável pelo qual lutou sempre. Abril chegou e deu-nos esse bem tão desejado.

Bem-haja!

Beijinhos