sexta-feira, 11 de junho de 2010

A Companhia de Pessoa num Dia Triste




Fresta

Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,
Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado
Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.

Fernando Pessoa
 
 

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

4 comentários:

Fernanda disse...

Querida amiga Lourdes,

Os dias têm estado tristes e chuvosos, é verdade.
Resta-nos um bocadinho de sol que ficou guardado para poder,os aguentar este tempo de Inverno quase no Verão.

O poema é lindo e fala de entrega, soube-me bem, a doce. Gostei muito.

Beijinhos

Na casa do rau

poetaeusou . . . disse...

*
um negro Pessoa
como o seu fato,
como o seu chapéu . . .
,
conchinhas,
,
*

Dulce disse...

Bom dia, Lourdes

Pessoa sabe bem em dias tristes, amiga.
Um lindo poema.

Beijos e um bom final de semana

Flora Maria disse...

Existem dias em que mesmo em tempos de Primavera e com o sol a brilhar, a nossa alma está envolda em brumas frias de Inverno.

A nossa certeza é que "tudo passa, tudo sempre passará" e a alegria tornará a encher nossos corações e o riso ecoará pelos campos em flor...

Beijo