quinta-feira, 28 de agosto de 2008

APRESENTAÇÃO DO GRUPO RAÍZES DE SOBRAL GORDO




Os homens só serão grandes, se estiverem realmente decididos a sê-lo
(Charles de Gaulle)



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Tal como escrevi no meu post de ontem, a apresentação do Grupo Etnográfico Raízes de Sobral Gordo na festa de Sobral Magro, esteve a cargo de um grupo de senhoras, que o fizeram da seguinte forma:



Ó c´alma do diabo
Que é que lá vem a assomar?
Tanta gente n´ avesseira
Ouvi um harmónio a tocar!

Ai o catrino! Atão tu não vês?
Olha que uma como esta!
É um rancho do Sobral Gordo
Que vem para a nossa festa.

Ai meu Deus, a nha vida!
Ando toda consumida
Vêm aí os do Sobral Gordo
Tenho qu’ ir tratar esta ferida.

E cuidas que és só tu?
Também dei uma topada
E quando fui tratar as pitas
Fiquei toda esgarranchada.

Eu vou mas é pi arriba.
Tenho que me desengomar.
Ponho borralho na ferida
Que ela vai logo sarar.

Ai valha-me o S. Domingos!
E eu tão mal enjorcada,
Fui botar comer às cabras
E caí lá na quelhada.

Vai breve, põe-te bulir
E vê se te vais estonar
Vai lá mas é pi além
Depois vem-te aqui prentar.

Ai, mas que grande estrofego!
Deixa-as mas é ir embora
Que duas esgazeadas!
Não se colhem cá por hora…

Entrementes é de noite
E começa o bailarico.
Mal se percata acaba
Ainda lhe dá um fanico…

E a outra, pensas qu´é boa?
Não lhe dera um sumiço!
Quer arranjar conversado
Arranja algum achadiço.

Olhai-de como ela vem!
Vem aí toda listrada
Anda à cata de namoro
Parece que anda augada.

E a outra, vem azadinha
Aprontou-se num instante
Ao cabo de uns minutinhos
Já está aqui diante.

Já cá estou, vim às carreiras,
Mas estou muito agoniada.
Comi dois pratos de cabulo
Com fressura e tigelada.

Olha ela aqui aos arrancos!
Isto é coisa do indemigo!
Vê lá se saras depressa
Para ires dançar comigo.

Vê lá se vais lançar fora,
Vai mas é para o barroco.
Se te vires desacorçoada
Gomitas lá no chabouco

Olha a filha do diabo,
Ainda se vai arreboçar
Não tinha precisão disto.
Quem é qu 'a mandou enfardar?

Eu só comi uma esparvadela,
O que eu quero é bailar.
Comi um coisito de chanfana
Que eu já não estou a medrar.

Eu cá comi carne fresca
Coscoréis e tigelada
Pão leve e arroz doce.
Não comi quase nada!

Eu também comi chanfana,
E um caldo bem quentinho,
Uns bolos que fiz no forno
E uma malga de vinho.

Já passou a nha afronta
Arranja-me aí um cabito.
Por via das dúvidas assento-me
E espero pelo bailarico.

Assenta-te aí, está quedinha
P´ra morde não enjoares
Tu cuidas que eu não sei?
Tu morres se não bailares…

Ah bô tu faladeirona.
Eu estou a pegar contigo?
Só estás bem a empeçar
E a espreitar ao postigo...

Estão a ser muito somenos.
Com vocês eu não me avenho.
Quitem-se lá da nha frente
Senão levam c´um tanganho.

Homessa, faço-te enxeco?
Avento-te uma fragada.
Por via das dúvidas eu vou-me,
Já estou a ficar enfadada!

Não fiques arrenegada
Pára lá de fazer ronha
Eu estava a mangar contigo.
Olha qu'eu não tenho pessonha.

Olhai-de. Um é dos Filipes…
Vê lá tu, que enxergas bem
Diz lá se consegues descobrir
Quem são os que estão além.

Uns são filhos da tia Laura,
Outros Nunes e Agostinhos.
Alguns não enxergo bem .
Mas vêm todos arranjadinhos!

Olhai bem, lá vêm eles
Aprontem-se, vamos dançar
Os rapazes são azadinhos
E depois vão desapartar.

Damonhos da rapariga,
Vinha toda apoquentada.
Enxergou ali os rapazes
Já nem enjoa nem nada.

O S. Domingos oiviu-me
O mal já me está a passar.
Ó coisa tu não oiviste?
Lá estão eles a tocar.

Atão não houvera de oivir?
Eu ainda não estou mouca.
Vê lá mas é se te calas
Olha que estás a ficar rouca.


Eles já estão a chegar.
Agora já estais felizes?
São amigos do Sobral Gordo
E formam o grupo RAÍZES!
- G.E.R. do Sobral Gordo -
(Foto do Rouxinol de Pomares)

1 comentário:

Anónimo disse...

Parabens á escritoura ou escritor retrata muito bem o modo de falar dos nossos antepaçados PARABENS.

Os verços que eu escrevo
Acreditem não são meus
Vam-me saindo da mente
Foram-me ofercidos por Deus.

As terras do nosso Açor
São terras que eu muito amo
Acreditem no que eu digo
Pois eu nunca vos engano.

Antonio Assunção