quinta-feira, 9 de julho de 2015

São Paio de Gramaços

A povoação de São Paio de Gramaços tem as suas raízes na pré-história, segundo os importantes vestígios arqueológicos encontrados na Quinta da Torre, mesmo junto ao povoamento. Do período Paleolítico, estavam presentes no solo da quinta três raspadeiras em xisto. Do período Neolítico (5000 - 2000 a.C.), os vestígios encontrados eram mais numerosos : dois machados de basalto, um objecto semelhante a pisa-papéis cuja utilidade ignoramos e quatro achas polidas.


Além dos testemunhos pré-históricos, outros objectos foram encontrados na Quinta da Torre, a quatro ou cinco metros de profundidade. Da civilização romana, foram recolhidos dois fusos de tear, um pisa-papéis, uma mó grande, perfurada ao centro, esta ainda não classificada com rigor, quatro mosaicos de argila, com fendas de encaixe, utilizados em pavimentações ; inúmeras tégulas a denunciar, bem como os mosaicos, que esse terreno foi urbanizado pelos romanos, que aí ergueram casas. Outros vestígios a este hipótese : uma pá de meio metro de base e o segmento com mais de 25 centímetros de diâmetro. Também foram encontrados vestígios romanos numa quinta contígua, que pertenceu à D. Josefina da Fonseca.
Nesta Quinta da Torre, foram ainda recolhidos pedaços de uma lança que o arqueólogo D. Fernando de Almeida classificou de moçárabes. Constata-se que S. Paio de Gramaços é uma povoação antiquíssima tenso sido habitada já na Idade da Pedra e posteriormente, que se saiba, pelos romanos, visigodos e árabes, além de cristãos, evidentemente. Exceptuando Bobadela e Lourosa, nenhuma outra povoação do concelho apresenta uma história documentada tão longa e tão rica.
Depois da presença de árabes e visigodos segue-se um período obscuro. A completa cristianização da freguesia e a consequente integração no território nacional deu-se com a conquista de Seia, em 1056, por Fernando Magno.
Em meados do século XII, no tempo de Afonso Henriques (?), aparece Dom Chavão, rico-homem das terras de Seia, com residência habitual em Gramácios ou Garamácios . Era figura do maior destaque, o representante do rei no vasto território de Seia ; e como tal, "tinha os direitos de padriado eclesiástico na vizinha paróquia de Sampaio de Garamácios ou Gramaços", como informa o historiador e investigador Professor Doutor António de Vasconcelos.
Nesse tempo, a povoação era constituída apenas por um pequeno agrupamento de casais implantados na encosta suave e luxuriante duma colina, dominada do cinto do monte por uma pequena e devota igreja dedicada ao Mártir S. Pelágio ou S. Paio.
As Inquirições de D. Afonso III em 1258 dão-nos conta que São Paio de Gramaços povoada o foro de cavalaria, que na alta Idade Média nacional, a igreja de S. Paio (e parece que também a vila) eram de D. Estevão Anes, "pretor" ou alcaide da Covilhã ; no entanto, a terra e o dono estavam sujeitos às leis de Seia.


A terra de Seia abrangia os actuais concelhos de Seia (excepto Vide, Teixeira e Alvôco), de Oliveira do Hospital e Tábua (quase inteiramente), Paços da Serra e Vila Nova de Tázem, no de Gouveia, Coja e Vila Cova, no de Arganil. Em meados do séc. XIV a terra de Seia englobava as seguintes paróquias, hoje enquadradas no concelho de Oliveira do Hospital : S. Pedro de Lourosa, Santa Maria da Bobadela; S. Cristóvão de Nogueira, Oliveira do Hospital, S. Pedro de Travanca, S. João de Lagos, S. Miguel de Meruge e Santa Maria de Lagares.
Em meados do século XVI (1543) foi constituída na igreja Paroquial a "Santa Irmandade do Mártir S. Pelágio", na qual D. João III se filiou e se declarou "Protector e Juiz Perpétuo", com estatutos próprios e grandes privilégios concedidos pelo Papa Júlio III (1550-1553).

No séc. XIX, os exércitos franceses de Massena, em retirada para Espanha, praticaram crimes contra uma população ordeira e indefesa. (in A 3.ª Invasão Francesa e as Terras de Concelho de Oliveira do Hospital, do Rev.ª padre Laurindo M. Caetano). Contra o Pe José Joaquim Garcia Abranches, então cura de S. Paio do Codeço, no seu relatório de 25 de Abril de 1811, que na retirada os soldados franceses permaneceram três dias e quatro noites durante os quais cometeram as maiores atrocidades, deixando a população na miséria. O mesmo sacerdote faz uma descrição minuciosa de todos os desacatos e crimes que passamos a sintetizar : sete mortos entre a população civil, onze feridos, sete casas incendiadas, das quais nada restou além das paredes ; roubos de toda a ordem na igreja e fora dela, só tendo escapado as imagens nos seus lugares. Ainda hoje se podem ver vestígios do incêndio na Casa da Família Vasconcelos, casa onde nasceu o Prof. Dr. António Garcia Ribeiro de Vasconcelos.

O topónimo Gramaços deriva de "Garamaços", do latim "Garamaz".
A freguesia era designada por S. Paio do Codeço, ou do Codesso, nome genérico de vários arbustos leguminosos, ao fim do séc. XVI e até meados do séc. XVII, como o mostra os registos paroquiais do Arquivo da Universidade de Coimbra. Será que os dois nomes eram usados? O arquivo passa depois a chamar a freguesia S. Paio de Gramaços. Mas oficialmente, só em 28 de Julho de 1919 passou a ter a actual denominação.
Fonte:Genealogia de Frédéric De Sousa

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