quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Regresso à "Bijou"


Pela primeira  vez que  entrei na Bijou, após a cedência de cotas e, apesar duma alteração em alguns pormenores decorativos,  quase não senti a diferença. Os empregados eram os mesmos  e o novo patrão, simpaticamente, permitiu-nos entrar no interior do estabelecimento com o mesmo à vontade com que  outrora o fazíamos. 
Hoje tudo foi diferente. Não percebi bem porquê. O tratamento foi o mesmo mas,  quando os empregados começaram a recordar o passado, fui invadida por uma imensa nostalgia. 
Por momentos, alegrias e tristezas passaram por mim. As  emoções foram muitas e, em determinada altura, embargaram-me a voz, roubando-me as palavras.
Há 65 anos, apenas com 2 meses de vida, ali entrei ao colo do meu pai. Ali cresci e aquela casa foi o meu infantário, os sócios  os meus educadores de infância e os empregados os meus amiguinhos.
Pareceu-me ver alguns dos empregados que vinham ainda muito novinhos aprender um ofício e as traquinices que fazíamos. Eu era criança mas eles também e, tal como eu, queriam era brincadeira. Ficava furiosa quando eram chamados à atenção, pois muitas vezes a culpa era minha.
Dali proveio o sustento da minha família e de muitas outras  que por lá passaram.
Tive que sair mais depressa, pois estava a ser difícil conter as lágrimas que teimavam em querer cair.
Não sei quando terei coragem de lá voltar pois, se da primeira vez foi pacífico, desta saí bastante magoada. 







Obrigada pela sua visita. Volte sempre.







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