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domingo, 17 de janeiro de 2010

Toalhinhas em Ponto de Cruz

A sabedoria suprema seria ter sonhos suficientemente grandes para não os perder de vista enquanto se perseguem.
(Wiliam Faulkner)



Nos últimos tempos,  não tenho apresentado aqui nenhum dos meus trabalhos de artesanato. A razão é porque  iniciei um novo blog, onde vou mostrando aquilo que vou fazendo.
No entanto, hoje resolvi mostrar aqui umas  toalhinhas que comprei há algum tempo. Tinham umas barrinhas óptimas para bordar em ponto de cruz e   terminei-as agora.




Para contornar as toalhinhas, procurei  uns picôs nos blogs amigos. Encontrei dois muito simples e  de que gostei bastante no Blog da Quinha  .

Eis um pormenor do primeiro:



E um também do segundo.





Muito simples e que deram um acabamento mais bonito às toalhinhas.
Para quem quiser saber o modo como se fazem, basta consultarem o referido blog, onde podem encontrar as explicações necessárias.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.





sábado, 16 de janeiro de 2010

Assembleia Geral da Comissão de Melhoramentos de Porto Silvado

A melhor forma de prevêr o futuro é criá-lo.
( Peter Drucker ) 



A Comissão de Melhoramentos de Porto Silvado, aldeia natal de meu marido, vai reunir em Assembleia Geral, no próximo dia 24.
Seguidamente transcrevo a mensagem enviada pela Célia Martinho, Presidente da Direcção daquela colectividade.








Caros Conterrâneos, Familiares, Amigos e Associados,

A presença e a opinião de todos é essencial e muito importante.
Achamos que o que “alimenta”as COMUNIDADES como a nossa, é o convívio, a partilha, o esforço e ajuda comum de acordo com as POSSIBILIDADES e CAPACIDADES que cada um têm naturalmente.
A manutenção, desenvolvimento e valorização das COMUNIDADES como a nossa, depende exclusivamente da harmonia e UNIÃO que em conjunto consigamos criar à volta de cada objectivo ou projecto, caso a caso, situação a situação, pessoa a pessoa.
Os eventos são necessários para promover o diálogo e o convívio e permitem também conhecermo-nos melhor, (só tentando, saberemos se somos capazes). Para tentarmos temos que querer e estar inseridos o mais possível na nossa COMUNIDADE.
A Comissão de Melhoramentos Porto Silvado 2009 pede por isso a todos os conterrâneos, Familiares, Amigos e Associados que estejam presentes dentro das suas POSSIBILIDADES de acordo com as suas CAPACIDADES e em nome da UNIÃO.

Lisboa, 16 de Janeiro de 2010

Por fim, a Convocatória para a referida Assembleia Geral

Convocatória Assembleia Geral



Dando cumprimento ao estabelecido pelos estatutos que regem a Comissão de Melhoramentos do Porto Silvado (capitulo V artigo 20º), convocamos todos os associados para a Assembleia Geral ordinária que se realizará no próximo dia 24 de Janeiro de 2010, pelas 14h30 na Casa da Comarca de Arganil, sita na Rua da Fé, nº 23 1º, em Lisboa, com a seguinte ordem de trabalhos:

1 - Discussão e votação do relatório e contas de 2009.

2 - Eleição de corpos gerentes para o ano de 2010.

3 -Informações e análise de assuntos com interesse para o futuro do Porto Silvado.

4 - Lançar as pontes necessárias para promover um maior e melhor espírito de comunidade entre todos os PortoSilvadenses e no Porto Silvado.

Se gostamos verdadeiramente da nossa terra temos que nos unir para cuidar dela, todos são necessários e ninguém é substituível.

De harmonia com os Estatutos se à hora marcada não houver número legal de sócios a Assembleia reunirá uma hora mais tarde com qualquer número de associados.


Lisboa, 06 de Dezembro de 2009.


Presidente da Assembleia Geral

Margarida Marques Gomes


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Catástrofe


A natureza não é benévola, e é com determinada indiferença que de tudo se vale para os seus fins.
(Lao-Tsé)



Durante a semana, várias vezes tentei escrever algo sobre o recente terramoto  no Haiti, mas os acontecimentos são de tal maneira trágicos e as imagens de destruição e morte que nos chegam em catadupa são tão horríveis, que me faltam as palvras para escrever o que quer que seja.
Mais uma vez me fui valer de um autor bastante conhecido, que gerou controvérsia entre a classe religiosa da  época, mas que descreveu num poema uma catástrofe semelhante, ocorrida em Lisboa em 1755.


Poema sobre o desastre de Lisboa

 

(...)Ó infelizes mortais! Ó deplorável terra!
Ó agregado horrendo que a todos os mortais encerra!
Exercício eterno que inúteis dores mantém!
Filósofos iludos que bradais «Tudo está bem»;
Acorrei, contemplai estas ruínas malfadas,
Estes escombros, estes despojos, estas cinzas desgraçadas,
Estas mulheres, estes infantes uns nos outros amontoados
Estes membros dispersos sob estes mármores quebrados
Cem mil desafortunados que a terra devora,
Os quais, sangrando, despedaçados, e palpitantes embora,
Enterrados com seus tectos terminam sem assistência
No horror dos tormentos sua lamentosa existência!
Aos gritos balbuciados por suas vozes expirantes,
Ao espectáculo medonhos de suas cinzas fumegantes,
Direis vós: «Eis das eternas leis o cumprimento,
Que de um Deus livre e bom requer o discernimento?»
Direis vós, perante tal amontoado de vítimas:
«Deus vingou-se, a morte deles é o preço de seus crimes?»
Que crime, que falta cometeram estes infantes
Sobre o seio materno esmagados e sangrantes?
Lisboa, que não é mais, teve ela mais vícios
Que Londres, que Paris, mergulhadas nas delícias?
Lisboa está arruinada, e dança-se em Paris.(...)
Voltaire (excerto traduzido)



- Que futuro? -

De entre as muitas imagens que circulam na net, escolhi para ilustrar o post,  uma das menos horríveis, a imagem duma criança.
Espero que, a boa vontade dos homens que, muitas vezes só nos momentos trágicos se unem, possam ajudar os que ficaram, a construir o seu futuro,  fazendo renascer dos escombros a sua cidade.
Que ninguém se esqueça que os acontecimentos do passado podem, de novo, bater-nos à porta a aqualquer instante...

 
 

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Estou Como o Tempo

Posso duvidar da realidade de tudo, mas não da realidade da minha dúvida.
(André Gide) 

Após um início de ano anormalmente calmo, deixei-me levar por uma estranha moleza e tenho permanecido em casa, sem vontade de sair. Será do tempo?
A chuva tem caído insistentemente  e as rajadas fortes de vento frio têm-me feito passar horas atrás das vidraças.
Olho para os pinheiros do terreno vizinho que  balançam ao sabor da ventania. De vez em quando, uma pinha cai e parte-se de encontro ao asfalto, assustando as minhas cadelas que logo se pôem a ladrar desalmadamente.
O jardim da Leonor ali está abandonado,  com os baloiços encharcados enquanto as bolas rebolam empurradas pelo vento, com mais força do que   se fosse pontapeada pelos seus pezitos.
Os passarinhos saltitam debaixo do telheiro da casa, abanando as suas asitas, para sacudir a água que lhes encharca as penas. Saltitam  e esvoaçam dum lado para o outro do telheiro. De vez em quando debicam alguns restos de comida das cadelas. Tão pequeninos, tão sensíveis e ali estão "fazendo-se à vida", enquanto   eu fico  qui, nesta melancolia, olhando para eles tão activos, insensíveis ao frio, ao vento  e à chuva.
O barulho da lenha que crepita na lareira embala os meus sentidos e ainda me motiva mais para permanecer naquela dormência, pensamentos à solta que, muitas vezes, me conduzem ao passado.


Não sendo saudosista,  não posso nem quero esquecer o passado. É recordando que dou valor ao meu presente e me torno mais tolerante,conformada e grata por tudo aquilo que Deus me tem dado ao longo da vida.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A Leonor Fez Hoje 3 Aninhos

Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a.
(Goethe )




As crianças sempre foram especiais para mim, pois foi com elas que exerci a minha actividade profissional.   Passei alguns dos meus melhores  momentos e ultrapassei outros bem maus. Após a reforma, foi a Leonor que veio preencher o espaço vago, deixado pelos meus alunos. Vê-la crescer tem sido uma dádiva de Deus.
De início, mostrou-se uma bebé muito bem disposta e meiga. Abraçava-nos muito,embora nunca fosse muito beijoqueira.
Fez hoje 3 aninhos e mostra-se já uma criança em desenvolvimento. Expressa  já os seus sentimentos e deixa-nos completamente babados quando, no meio duma brincadeira vem numa corrida direita a nós  e nos abraça e beija de forma espontânea.
Após a separação dos pais, as datas festivas têm que ser divididas pelos dois. Por isso, hoje almoçou com o pai e família paterna e jantou com a mãe e família materna.
No final do jantar cantámos os Parabéns a Você e ela apagou as três velinhas, dando-nos de seguida muitos abraços e beijinhos.

                            

- Apagando as velas -

O avô trouxe um lindo bolo da Bijou, com os bonequinhos da Branca de Neve e os Sete Anões, que ela adorou. Bateu muitas palmas  de entusiasmo e deixou-nos emocionados com a sua felicidade. Brincou o resto da noite com eles,  contagiando-nos com a sua alegria inocente.
Há dias que têm um significado especial nas nossas vidas e este foi um deles. Esta criança veio dar um novo sentido às nossas vidas e, começamos já a sentir o retorno do amor que lhe dedicamos, nas suas manifestações de afecto, nos abraços e beijinhos.


- Beijinhos à mãe -

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Histórias da Serra I

Por mais que na batalha se vença um ou mais inimigos, a vitória sobre si mesmo é a maior de todas as vitórias
( Buda)
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Nascera numa família humilde,  numa aldeia escondida na encosta duma remota montanha da serra do Açor. Nessa época, o princípio de vida das famílias serranas era duro, pois os sustento provinha da agrícultura e a riqueza das pessoas dependia dos terrenos que possuíam.
Com poucos anos de casado, o pai seguira as pegadas dos irmãos e partira para Lisboa. Tinha como intenção,   arranjar um emprego onde pudesse ganhar dinheiro  e, com ele, adquirir mais terrenos para  melhorar as condições de vida da sua família. A  mãe,  como a maior parte das mulheres da sua aldeia,  ficara para cultivar as fazendas  e  criar os filhos ainda pequenos.
Aquele rapazinho era pouco mais que uma criança  mas sendo ele o mais velho de três irmãos, passou a ser o braço direito da sua mãe,  fazendo todo o tipo de  trabalhos agrícolas, guardando  rebanhos e até mesmo a ajudando a criar o irmão mais novo, mudando-lhe e  lavando-lhe os panos que serviam de fraldas.
Quando abriu a Escola Primária, na povoação mais próxima, iniciou o seu curto período escolar, tendo que percorrer a pé, um difícil caminho, subindo e descendo os montes, durante   mais ou menos uma hora.
No entanto, antes de pegar no saco da bucha e na sacola dos livros, ainda  tinha que roçar um molho de mato e pô-lo nos currais das cabras e das ovelhas.
Muitas vezes, calcorreava outeiros e valeiros cobertos por um extenso manto de neve. Temia o aparecimento dos lobos pois,   nas noites longas de Inverno passadas ao redor da lareira, contavam-se histórias mirambolantes  que, naqueles momentos, lhe passavam pela cabeça e o faziam  arrepiar. Então, lembrava as palavras do avô que, para que ele não se assustasse, contava que um certo homem, ao ser atacado por um lobo, enfiara-lhe o braço na boca  e o virara do avesso. Assim, ele imaginava-se a fazer o mesmo e acreditando naquelas histórias, fazia-se de valentão.



 ( Foto: Ana Teresa)

Com tudo isto, quase todos os dias chegava atrasado,  provocando a irritação  da professora que, muitas vezes, o  punha de castigo.
Em dada altura, a escola recebeu um grande número de alunos e não colocaram mais nenhuma professora. Como ele  sabia ler, escrever, fazer contas e  pertencia ao grupo dos mais velhos, teve que dar o  lugar a outras crianças, passando a trabalhar no campo de sol a sol.
Cedo se tornou rebelde e inconformado. Revoltado com o seu destino, foi crescendo sonhando com o dia em que se pudesse libertar daquela vida que o oprimia cada vez mais. Pedia à vida um futuro melhor. E quem o podia condenar?
Um dia, ao ver partir para as Minas da Panasqueira, um grupo de homens da aldeia que ali trabalhavam, e que só vinham a casa ao fim de semana, pensou que o seu futuro podia começar por ali.
Como a mãe não concordasse com a ideia, pois ele era  muito novo e a sua ajuda era preciosa, um  dia agarrou num capucho e num bocado de broa e fugiu.
Para chegar às minas, havia um longo percurso a percorrer e ele não o conhecia. Fez uma paragem numa aldeia próxima  e foi pedir informações a um homem que, para seu azar , conhecia bem o avô. Quando reconheceu  o rapaz, convenceu-o a pernoitar em sua casa , prometendo-lhe mesmo  um emprego, evitando assim que ele fosse  mais longe. Inocente aceitou e, após comer alguma coisa, foi-se deitar. Entretanto, o homem  mandou o filho contar o que se passava  à mãe daquele rapaz. Esta que já andava aflita , sem saber do filho, dirigiu-se acompanhada pelo seu pai  à aldeia onde ele se encontrava a dormir. Após o reencontro e uma valente admoestação regressaram a casa.
Ao saber dos acontecimentos, o pai decidiu que o melhor era fazerem a vontade ao filho. Talvez perante as dificuldades do trabalho, ele  desistisse da sua ideia.
Assim, no princípio da  semana seguinte, aquele rapazinho partiu alegremente, com a cabeça cheia de sonhos, a caminho das minas da Panasqueira, juntamente com os homens da sua aldeia.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A Bijou do Calhariz

O objectivo não está sempre colocado para ser atingido mas para servir de ponto de mira.
(Joseph  Joubert )

Não sendo um ano que me deixasse muitas saudades, 2009 teve alguns aspectos positivos.
Hoje destaco a pastelaria Bijou do Calhariz, uma sociedade onde a minha famíla está representada há 60 anos. Sempre a servir a sua clientela, com um produto de qualidade,  viu distinguido o serviço prestado pelos seus sócios e restantes funcionários, com a distinção de figurar num livro, onde é  destacada  como uma  das vinte melhores pastelarias de Lisboa.
Do livro, da autoria dos jornalistas Clara Azevedo e Luís Chimeno Garrido,   constam algumas das especialidades desses estabelecimentos lisboetas e  saiu para o mercado em Outubro.

Agora a receita das Bolas de Berlim, tão apreciadas pelos clientes da Bijou.

6 ovos
1 kg de farinha
200 g de açucar
100 g de margarina
10 g de sal
leite q. b. ( pra amassar)
50 g de fermento de padeiro
aroma a laranja q. b.

Bata os ovos com a farinha, o açúcar, a margarina e o sal. Junte leite a pouco e pouco e, no final o fermento. Descansa no frigorífico de um dia para o outro.
Corte em pedaços de aproximadamente 50 g e role à mão. Deixe levedar uma hora e frite em óleo brando.
No final passam-se por açúcar.
Podem servir-se  simples ou recheadas  com creme de pasteleiro.


Não sei quais foram os critérios de selecção nem como foi feita a avaliação, mas uma coisa é certa, a Bijou, a minha Bijou, foi uma das escolhidas e, esse facto, encheu-me  de orgulho.






Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Cai Neve em Sobral Magro

Só porque há neve no telhado não se pode concluir que faz frio do lado de dentro.
( Provérbio americano )


O país tirita de frio e hoje "a minha aldeia" vestiu-se de branco. Logo de manhã o seu aspecto, visto do terraço da Ana Teresa,  era este:
Os flocos de neve caiam sobre a povoação, revestindo-a dum manto imaculadamente branco, dava à aldeia uma beleza acrescida.


                                     


Quando recebi as imagens que a Ana Teresa me enviou, lembrei-me do meu pirmeiro ano de trabalho, em que leccionei no Sobral Magro.
Nevou várias vezes durante esse Inverno.  Eu e as minhas crianças, no pátio da escola , faces rosadas, narizes vermelhos e pés  molhados, brincávamos saltando sobre a neve fofa, tentando apanhar no ar os farrapos que caíam e   fazíamos pequenos bonecos de neve  sem   sentir o frio. De vez em quando, algum escorregava e caía. A risada era geral, apontando para o rabo molhado e com neve agarrada, daquele que escorregara.
Éramos todos crianças.
Mais tarde já em casa, junto à lareira por detrás da vidraça, observava as  pessoas apressadas, que regressavam a suas casas, vindos do campo de tratarem  os seus animais, que tinham passado o dia inteiro fechados no curral. 
Os ramos da cameleira do quintal, ficavam cobertos de montinhos brancos  deixando aparecer aqui e além o vermelho da camélia que contrastava com toda aquela alvura.
Por vezes tinha que limpar as vidraças,  pois o vapor da minha respiração embaciava-as e eu deixava de ver a paisagem encantadora que rodeava a minha casa.


Enquanto a lenha crepitava na lareira transmitindo-me uma doce sensação de conforto e aconchego, eu  ficava alí a admirar aquela  magnífica tela pintada pela natureza.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.





1º Mimo de 2010

Amigo é a pessoa que sabe tudo sobre você e ainda assim lhe quer bem.
(Elbert Hubbard)






A minha amiga e colega dos Cursos de Bordados Filomena do blog Filomena Crochet e Outros Lavores, enviou-me o 1º Mimo deste ano, na forma duma Declaração de Amizade.

Este foi o texto:

VALE UMA AMIGA!!!!


Amigo é aquela pessoa que o tempo não apaga,
que a distância não esquece,
que a maldade não destrói.
É um sentimento que vem de longe,
que ganha lugar no seu coração
e você não substitui por nada.
É alguém que você sente presente,
mesmo quando está longe...
Que vem para o seu lado quando você está sozinho
e nunca nega um sentimento sincero
Ser amigo não é coisa de um dia,
são actos, palavras e atitudes
que se solidificam no tempo
e não se apagam mais
Que ficam para sempre
como tudo que é feito com o coração aberto.


OFEREÇA ESSE VALE DE AMIZADE


Funciona assim:
Escolhemos 5 amigos para entregar o vale da amizade e os nomeamos num post.
Em seguida visitamos seus blogs e comunicamos a nomeação.
Cada um deverá nomear mais 5 , e assim sucessivamente.

DECLARAÇÃO DE AFECTO

"A amizade permanente não se compra e não se vende, não se ensina e nem se aprende, nasce e morre com a gente. "
                                        

Não querendo escolher ninguém de entre todos os amigos que fiz nos meus blogs ao longo do ano, ofereço-a a todos os  que me visitarem e a queiram levar.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.




sábado, 9 de janeiro de 2010

Blogagem Colectiva de Janeiro

Devemos aprender a viver juntos como irmãos ou perecer juntos como tolos.
( Martin Luther King )



Uma vez mais vou participar na blogagem colectiva do blog  Aldeia da Minha Vida , a decorrer durante o mês de Janeiro, subordinada ao tema:



O texto que enviei foi uma adaptação de dois dos últimos posts d' O Açor, onde descrevi estes dois temas, sendo um deles o resultado duma vivência minha e o outro das narrativas dos meus pais.
Este texto será publicado no Aldeia da Minha Vida no próximo dia 16 de Janeiro.
É mais uma forma de divulgar a nossa região, o seu modo de vida e os seus usos e costumes, fazendo os possíveis  para que não caiam no esquecimento.

.

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.









sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Fernando Pessoa para o Fim de Semana

Não tropeçamos nas grandes montanhas, mas nas pequenas pedras.
(Augusto Cury)
Do vale à montanha




- Pomares, no sopé da montanha -

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por casas, por prados.
Por quinta e por fonte,
Caminhais aliados.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por penhascos pretos,
Atrás e defronte,
Caminhais secretos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por plainos desertos
Sem ter horizontes,
Caminhais libertos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por ínvios caminhos,
Por rios sem ponte,
Caminhais sozinhos.

Do vale à montanha,
Da montanha ao monte,
Cavalo de sombra,
Cavaleiro monge,
Por quanto é sem fim,
Sem ninguém que o conte,
Caminhais em mim.

Fernando Pessoa 24/10/1932



- Serra do Açor: Soito da Ruiva e Sobral Magro -



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.







quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

De Regresso à Vida Normal

Quando as pessoas são felizes, não reparam se é Inverno ou Verão.
(Anton Tchekhov)

Hoje o dia amanheceu muito frio. O céu estava azul mas a temperatura, um gelo. Liguei o computador e fiz a visita habitual aos amigos.
Após o pequeno almoço, senti-me tentada a enrolar-me numa mantinha e sentar-me no sofá, lendo ou bordando.  No entanto, havia compras para fazer e a casa precisava duma arrumação. Passada a quadra festiva, já não fazia sentido continuar com a decoração natalícia.
Comecei por ir ao Centro Comercial Rio Sul, onde passei a manhã. As  lojas anunciavam os saldos de Inverno. As montras ali estavam tentadoras,  oferecendo peças a metade do preço do mês anterior. No entanto, vazias. Seria culpa do frio ou da crise?
Senti-me  tentada. A Leonor está quase a fazer anos e acabei por comprar uma roupinha para ela. Está muito vaidosa e adora vestidinhos. Já a estou a imaginar toda satisfeita  a rodopiar à frente do espelho.
Segui para o Continente e fiz as compras de que precisava. Quando acabei eram  horas de almoço e acabei por almoçar por lá.
Regressei  a casa. O frio continuava e acendi a lareira.



De seguida, comecei  a desmanchar a árvore de Natal, a embrulhar as figuras do Presépio, retirar os arranjos de flores,  coroas e outros objectos de Natal e a  encaixolá-los  para os guardar no sótão, até ao próximo Natal.
Lá fora, o frio continuava, mas eu já não o sentia. Afinal não há nada melhor para tirar o frio do que o trabalho.
Agora, após o jantar regressei ao computador e pus-me para aqui a escrever. E toda esta conversa, deve-se ao facto de hoje  estar cansada e sem paciência.
Há dias assim...





Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Dia de Reis

O costume é o mestre de todas as coisas.
(Júlio César)


Hoje é Dia de Reis e dia de comer bolo-Rei. 
Actualmente já não se comercializa em tão grande quantidade como acontecia há alguns anos atrás mas, no dia que hoje comemoramos, é indispensável na mesa dos portugueses.
Eu nunca fui muito apreciadora deste bolo pois não aprecio as frutas cristalizadas e, há muitos anos que em minha casa o bolo-rei não as tinha. Isto tem acontecido com muitas famílias e, passou a ser comum aparecer nas montras das pastelarias  um bolo idêntico, mas sem esses frutos, a que passou a dar-se o nome de bolo rainha.
No entanto,  o bolo-rei continua a reinar na quadra natalícia.



Lembro-me de alguns serões, uns tempos antes do Natal,  em que eu e os meus pais embrulhávamos os brindes, que mais tarde se  colocavam juntamente com a fava, na massa do bolo-rei, antes de ir ao forno.
Eram miniaturas metálicas que se enrolavam em pedacinhos de papel vegetal. Como eram pequenos objectos de que as crianças da época gostavam, muitas vezes a vizinha do apartamento do lado, vinha com os três filhos, ajudar.


Eram serões que me alegravam bastante, pois enquanto os mais novos brincavam com as pequeninas peças, os adultos narravam as  experiências vividas nesta quadra, nos seus tempos de criança.
Lembro-me também  quando se partia o bolo-rei, os mais novos tentavam espreitar todas as fatias, para ver se descobriam onde se encontrava o brinde. Era uma grande algazarra, pois os pais bem diziam que tínhamos que comer a fatia que nos calhasse em sorte, mas  nós queriamos uma onde se vislumbrasse qualquer indício de brinde. Já a fava ninguém a queria. Diziam que   aquele a quem ela saísse, teria que pagar o bolo-rei seguinte.
Actualmente,  os brindes no bolo-rei foram proibidos pelas directrizes da União Europeia, no entanto a simbologia e o sabor continuam os mesmos.
A propósito: - Vai uma fatia?





Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

As Minhas Festas Natalícias de Criança

Podemos chegar ao conhecimento das coisas por dois caminhos, a saber experiência e a dedução.
(René Descartes)


Está a chegar ao fim a quadra natalícia e embora a  tradição já não se cumpra como antigamente, muitos foram os blogs que deram notícia de aldeias, vilas e cidades que se empenharam em divulgar as suas tradições, pondo-as em prática, embora em alguns casos as adaptassem à actualidade.
No meu caso, nunca passei esta época como a maior parte das pessoas. A razão é simples. O meu pai era sócio duma pastelaria, a Bijou do Calhariz,  onde exercia a profissão de pasteleiro.
Por essa razão, na véspera de Natal e de fim de ano, levantava-se muito cedo. Durante a madrugada, confeccionavam grandes quantidades de  bolo-rei para, logo de manhã,  haver fartura para vender. Eram os melhores dias do ano para o negócio e tinham que se aproveitar. Viviam-se tempos de dificuldade e, quando havia quadras festivas, tinha que se aproveiatr ao máximo.  Quando chegava a noite e o meu pai aparecia em casa completamente exausto,  jantávamos  e íamos, quase de seguida, para a cama.


- O meu pai e a sua equipa na fábrica da Bijou do Calhariz -

Pelo Natal, eu ia satisfeita  porque os meus pais diziam que o Menino Jesus só vinha trazer os presentes, quando eu estivesse a dormir. Assim, eu lá ia mais ou menos convencida depois de ter colocado o meu sapato na chaminé. Ainda tentava ficar acordada na ânsia de ver o Menino Jesus, mas acabava sempre por adormecer. De manhã, assim que acordava, corria para a cozinha e lá tinha umas meias, uma camisola, um balão, ou uns rebuçados.
A  noite da passagem de ano era mais complicada. No apartamento ao lado morava um casal com os seus três filhos. Eram pessoas com grandes dificuldades. O meu vizinho era bombeiro e não ganhava o suficiente  para alimentar a famíla. Muitas vezes eram ajudados pela Igreja do bairro, tanto em alimentos como em vestuário. Pelo Natal, ofereciam-lhes roupas  bonitas  e, na noite da passagem de ano, desfilavam em minha casa, mostrando como estavam bonitos para irem passar o ano no baile dos Bombeiros.
A minha cabeça de criança não entendia porque razão os meus vizinhos, tão pobrezinhos, se arranjavam e iam festejar a passagem do ano, enquanto eu ficava em casa a dormir. E nessa noite era mesmo difícil adormecer.
Claro que no dia seguinte, perante os meus queixumes, os meus pais  explicavam-me as suas razões mas, só mais tarde, eu entendi a forma como eles encaravam a vida, para que nada de  verdadeiramente essencial me faltasse.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.




segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Janeiras

A vida é um ciclo e você tem responsabilidade por tudo que faz, porque as coisas voltam.
(Provérbio Oriental)


Nos últimos dias, tenho descrito  alguns dos usos e costumes que ainda se mantém na aldeia que considero como a minha terra, o Sobral Magro.
Um dos costumes mais ancestrais  eram as Janeiras, mas há muito entraram em desuso.  Jóvens e crianças  juntavam-se e percorriam a aldeia batendo de porta em porta,  pedindo as Janeiras, esperando receber qualquer dádiva dos donos das casas. Quando havia quem tocasse uma concertina a alegria era redobrada. 
Nessa altura,a serra era  habitada por pessoas que viviam do amanho das terras.Terras que foram ganhas construindo socalcos nas vertentes dos montes. Era uma época de extrema dureza e alguma pobreza e,  todos os bocadinhos de terreno eram aproveitados para cultivar o milho, o feijão e os produtos hortícolas de que as pessoas se alimentarvam ao longo do ano.
No entanto, havia agricultores que possuíam mais propriedades e plantavam algumas árvores de fruto. Nesta altura, uma simples peça de fruta era muito bem recebida por qualquer jóvem ou criança. Assim, eram  as castanhas, nozes, laranjas, e às vezes um trigo (*) que   faziam a alegria da miudagem.
No final, dividiam-se os produtos recebidos pelos elementos do grupo, que os ingeriam como se de uma iguaria se tratasse.
Nesses tempos,  tudo o que fosse diferente do que se tinha no dia a dia era sempre  muito apreciado e dava-se muito mais valor às mais pequeninas coisas.
Com o andar dos tempos, este costume foi acabando e, hoje em dia, com a população completamente envelhecida, extinguiu-se por completo.


(Imagem da Net)


(*) Trigo era um pão feito de farinha de trigo que era considerado uma iguaria, uma vez que, na região, o cereal que se cultivava era o milho, de que se fazia a broa.
O pão de trigo só chegava às famílias mais ricas da aldeia e era preciso que se deslocassem  à sede de freguesia, ou  então quando chegava algum familiar de Lisboa.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Tempo e Poesia

O tempo é um costureiro especializado em alterações.
(Faith Baldwin)


No início da primeira fatia de 2010, a poesia de Carlos Drummond de Andrade.


CORTAR O TEMPO





Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no
limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e
entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra
vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra
diante vai ser diferente.

Carlos Drummond de Andrade




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sábado, 2 de janeiro de 2010

1º Dia do Ano no Sobral Magro

Você nunca sabe que resultados virão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados.
( Mahatma Gandhi )



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O Novo Ano começou com grande alegria na minha aldeia.  Muita comida, muita bebida e muita animação.
O frio e a chuva não foram suficientes para arrefecer os ânimos do grupo que se juntou no adro para, em conjunto, terem umas boas saídas e  melhores entradas, como é costume dizer-se...
Uma passagem de ano  como antigamente, onde só faltaram os tocadores que ao longo da noite mostravam os seus dotes com as suas concertinas e violas, enquanto os cantadores cantavam ao desafio e os pares rodopiavam em volta da fogueira.




No primeiro dia do ano, como de costume, houve Missa e, nem os problemas com a gripe A, fizeram com que não se cumprisse a tradição de beijar o Menino Jesus que se encontrava no  Presépio.



O Sr. Padre Sousa  foi-o buscar e,  uma a uma, as pessoas que assistiam à   Missa foram beijar o Menino.


A devoção dos meus conterrâneos afastou o medo da pandemia e a tradição cumpriu-se.




Antigamente, a Missa era muito mais concorrida. Todos os Domingos para além dos habitantes da aldeia que eram bastantes, vinham também os habitantes das povoações vizinhas. No Dia de Ano Novo ninguém faltava e a  Capela era pequena para albergar todos os crentes.
Há algum tempo que nada é com dantes. As povoações do interior estão a ficar desertas e os seus poucos habitantes pertencem, na sua maioria, a uma faixa etária elevada, que os impossibilita de se deslocarem.
Mas, como diz o povo: São poucos mas bons...

Fotos da Ana Teresa


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Início de 2010 em Sobral Magro

O Ano Novo ainda não tem pecado: É tão criança... Vamos embalá-lo... Vamos todos cantar juntos a seu berço de mãos dadas, A canção da eterna esperança.
( Mário Quintana )


A passagem do ano de 2009 para 2010 em Sobral Magro, foi assinalado  com fogo de artifício, (fogo de vista, como lá se dizia quando eu era jovem).
Uma vez mais, a Ana Teresa  deu um ajuda a este blog, fazendo um pequeno video para  mostrar, aos sobralmagrenses e amigos que o visitam.
Obrigada, Ana Teresa, pela colaboração que, ao longo do ano passado, deste a "O Açor" contribuiundo com as tuas fotos e videos, que serviram para partilhar com os sobralmagrenses que vivem longe da sua aldeia e para dar a conhecer a nossa pequenina aldeia ao Mundo. Apesar de, quase deserta, tem gente bairrista,  com amor à terra que os viu nascer e com  fibra para organizar e pôr em prática uma noite destas. E, se é verdade que  "Recordar é Viver", por certo, as imagens que tens partilhado com todos nós,  ajudam-nos  a viver cá longe recordando a nossa aldeia.
Espero poder continuar a contar com a tua ajuda, durante o ano de 2010.
Eis o video do fogo de artifício: