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sábado, 24 de outubro de 2009

Outono

Outono é outra primavera, cada folha uma flor.
(Albert Camus)





O Outono já está instalado em Portugal. A serra do Açor prepara-se para o Inverno, frio e agreste que nos acompanhará até à chegada da Primavera.
Nos dias que permaneci no Sobral Magro, as manhãs começavam assim:





- No Sobral Magro -

As noites já frescas aconselhavam a permanecer em casa, na companhia dum livro enroscada num cobertor quentinho.



- Em Pomares -
A propósito, um poema de Antero de Quental, extraído dum desses livros.



Voz de Outono


Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da Natureza:
— «Mais te valera, nú e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima soidão,


Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel deveza,
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da Ilusão!


Mais valera à tua alma visionária
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba vária,
(Sem ver uma só flor, das mil, que amaste)
Com ódio e raiva e dor... que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!»



— Antero de Quental, in "Sonetos"



- Em Avô -


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Feira da Castanha

A natureza delicia-se na comida mais simples. Todos os animais, exceto o homem, comem um só prato.
(Joseph Addison)

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Mais uma vez se vai realizar a habitual Feira da Castanha na povoação do Vale de Maceira, da freguesia de Aldeia das Dez, nos dias 24 e 25 de Outuro.
Esta vai ser a oitava edição desta mostra gastronómica e etnográfica da Beira Serra, que terá como rainha a castanha.
O programa será o seguinte:




Esta festa tem tido grande sucesso nas últimas edições e espero que a população das aldeias tanto da freguesia de Aldeia das Dez, como das freguesias vizinhas, acorram ao local e participem neste evento dando assim maior movimento à serra do Açor.





Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Menos um Habitante no Sobral Magro

Os mortos são apenas invisíveis, mas não ausentes.
(Leonardo Boff)





As nossas aldeias estão cada vez mais despovoadas. Desta vez foi o Porfírio que nos deixou.
Faleceu ontem e foi hoje o seu funeral, sendo cremado no cemitério do Alto de S. João. Não sendo natural do Sobral Magro, foi para ali viver há bastantes anos e por ali permaneceu até adoecer e ter que voltar para Lisboa.
Imagens como esta não se voltarão a repetir.




Que a sua alma descanse em paz.
À família enlutada apresento as minhas sinceras condolências.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

Magustos





Comer e beber mantêm a alma e o corpo juntos.
(Heinrich Böll)


Antigamente, nas regiões do interior, tudo era pretexto para as pessoas se juntarem e se divertirem.
Após as colheitas e vindimas, em que o trabalho era intenso, chegava a época das castanhas. Quem tinha castanheiros, assava as castanhas nas lareiras de suas casas, umas vezes nas brasas da fogueira, outras usando um assador improvisado, furando um tacho velho ou uma lata. Na rua juntavam-se algumas pessoas para fazeremos magustos, isto é: assavam-se as castanhas numa fogueira feita com a caruma seca dos pinheiros. A acompanhar as castanhas, para não ficar embuchado e ajudar à festa, bebia-se água-pé, vinho, ou jeropiga.




Nestes magustos, as pessoas divertiam-se não só comendo as castanhas, como enfarruscando-se uns aos outros. Muitas vezes, os rapazes aproveitavam para se aproximarem mais das raparigas casadoiras pois nessa época, só em ocasiões festivas isso era possível.
Nas regiões urbanas, nesta altura do ano, era frequente encontrar-se o homem das castanhas, junto ao seu carrinho equipado com um fogareiro e um assador. As castanhas assavam enquanto ele apregoava:
"Quem quer quentes e boas?"
De vez em quando os transeuntes aproximavam-se com uma moeda na mão, que trocavam por um cartucho feito duma folha de jornal, cheio com castanhas quentinhas.



(Imagens Google, foto de José Gomes)

Hoje em dia, ainda se podem encontrar alguns vendedores ambulantes nas zonas mais movimentadas das cidades, em casa assam-se as castanhas no fogão a gás , em assadores de barro e, nas zonas rurais em datas especiais, ainda se fazem magustos, recordando os tempos passados.


- O meu assador de castanhas -










Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Castanhas-Magustos


A gula começa quando deixamos de ter fome.
( Alphonse Daudet )

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Durante o Verão, os castanheiros junto à capela do Sobral Magro, apresentavam-se carregados de ouriços, dando para antever um Outono fértil em castanhas.
Castanhas que cozidas, assadas, quentinhas fazem as delícias de todos os que gostam deste fruto.
Nos últimos dias que passei na aldeia, já se viam alguns ouriços caídos no chão e, um grupo mais animado resolveu fazer o primeiro magusto da época.

Aqui ficam as fotografias.






Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Medronhos


Além das aptidões e das qualidades herdadas, é a tradição que faz de nós aquilo que somos.
( Albert Einstein )








Sabemos que actualmente este tipo de bebidas só deve ser fabricada nas destilarias credenciadas, no entanto todos sabemos que aqui e além ainda há quem quem as produza de forma artesanal, para gasto próprio. Afinal tantas restrições só vão contribuir para a extinção dos nossos produtos artesanais tão apreciados por portugueses e estrangeiros. É o caso da aguardente de bagaço da região da serra do Açor, sobre a qual escrevi no meu último post. Para além desta, há outras qualidades de agurdente muito aprecidas nesta região, como são os casos da aguardente de medronho e da aguardente de mel.
Ao longo da estrada que liga Pomares ao Sobral Magro, junto do Vale do Torno, podemos observar os medronheiros, uns que resistiram aos incêndios e outros que renasceram das cinzas. Há dias quando passei uns tempos no Sobral Magro, ainda pude observar os medronhos nas árvores, dando a entender que a aguardente de medronho já não se fabrica como antigamente.



A proibição de se fazer aguardente nos alambiques artesanais , o envelhecimento e desertificação da região, vão fazer com que os frutos sequem nas árvores, em vez de estarem transformados em líquido dentro de garrafas e garrafões, nas adegas dos habitantes das aldeias serranas.







Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Vindimas III


 
O vinho que se bebe com medida jamais foi causa de dano algum.
(Miguel Cervantes)
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Depois de algum tempo de fermentação, o mosto já transformado em vinho (novo) é distribuído pelos pipos onde vai ficar até atingir o ponto ideal para se beber, o que acontece mais ou menos por altura do S. Martinho. Daí o ditado popular que nos diz: "Em dia de S. Martinho, vai á adega e prova o vinho."
O cardaço (bagaço das uvas) junta-se para levar para uma destilaria para fazer a aguardente de bagaço.


- O bagaço das uvas -

Antigamente, este trabalho era feito de forma artesanal em alambiques existentes nas aldeias. Todas as famílias faziam aguardente para uso doméstico e para dar aos amigos. Passavam dias e noites nos alambiques, colocando lenha na fogueira e controlando a intensidade do calor, mudando a água do tanque à medida que vai aquecendo, substituindo o bagaço, provando a aguardente,...


- Um alambique artesanal -
Era com essa aguardente que, muitas vezes, os homens matavam o bicho logo de manhã, antes de começarem um árduo dia de trabalho, ou faziam os famosos champorriões misturando-a com mel, com os quais tratavam uma constipação nos dias frios de Inverno.
Outros tempos...

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

As Vindimas II

Os vinhos são como os homens: com o tempo, os maus azedam e os bons apuram.
(Cícero)

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Depois dos pipos preparados, é chegada a altura de se cortarem as uvas. Antigamente este era um serviço trabalhoso, mas também muito alegre. As pessoas juntavam-se e ajudavam-se mutuamente. Sob um sol, por vezes escaldante, por entre conversa animada e alegres cantorias, o trabalho surdia mais e tornava-se menos duro.
As uvas eram colocadas em cestas e eram transportadas para as adegas e lagares. Actualmente já se usam também, alguidares ou baldes de plástico.


- Uvas transportadas em cestas -

- Uvas transportadas em baldes de plástico reutilizados -
Nas adegas e lagares procedia-se à esmaga das uvas. Actualmente, este trabalho é realizado em esmagadores ou em prensas, onde são colocadas as uvas que depois são esmagadas.



- Um esmagador sobre uma dorna -


- O vinho a sair, resultante da prensagem das uvas -

Antigamente as uvas eram depositadas em dornas e em celhas onde os homens descalços, as pisavam até separarem o sumo (mosto) dos caules e casca dos bagos das uvas. Desta forma, era produzido vinho sem o tanino que se forma nos processos mecânicos.


- Mexendo o mosto -


Em qualquer dos casos, ficava tudo depois a fermentar durante mais ou menos 3 dias.



- A dorna após a pisa das uvas -






Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

As Vindimas

Até ao lavar dos cestos é vindima.
(Ditado Popular)




Há muito que não passava férias na aldeia nesta época do ano. A pesar das atribulações em que me vi envolvida, ainda tive tempo de dar conta de algumas actividades agrícolas próprias o início do Outono. Era mesmo impossível passar ao lado de algumas delas. Pelas ruas o cheiro a mosto entrava-nos pelas narinas, lembrando-me os tempos de menina quando passava o tempo de férias no Sobral Magro.
As próximas postagens vão ser dedicadas às vindimas e as fotos de hoje referem-se à lavagem dos pipos.

 

- O pipo está pronto para receber o vinho -






Obrigada pela sua visita. Volte sempre.





terça-feira, 13 de outubro de 2009

Eleições Autárquicas

O objecto principal da política é criar a amizade entre membros da cidade(Aristóteles)



Durante a minha permanência na aldeia, notou-se um movimento pouco usual nas povoações, normalmente quase desertas nesta altura do ano. Atravessávamos o período eleitoral para as autarquias. Não sendo grande adepta da política, acompanho os principais acontecimentos que se realizam no país, mantendo-me informada. Por isso, não me admirei nada com o aspecto diferente que nos apresentavam as principais aldeias e vilas da região. Cartazes dos diversos concorrentes e caravanas dos diversos partidos políticos encontravam-se frequentemente. No Sobral Magro estiveram presentes comitivas dos partidos que concorreram às eleições no passado Domingo no concelho de Arganil, que explicaram os seus programas eleitorais aos habitantes.
A foto que se segue refere-se à representação do PSD, a única que observei in loco, pois esteve no Sobral Magro à hora em que estive na Casa de Convívio a tomar a bica, após o almoço.



Por coincidência foi o partido que saiu vencedor na freguesia de Pomares e no Concelho de Arganil e aos quais endereço os meus Parabéns. Faço votos para que realizem um bom trabalho durante o mandato que têm pela frente, não defraudando todos os que neles depositaram a sua confiança e, que daqui a quatro anos estarão de novo nas urnas, para julgar o trabalho que desenvolverem durante esse período.







Obrigada pela sua visita. Volte sempre.





segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Rally de Carros Antigos na Serra do Açor

Mudar de preocupação faz-me tão bem como tirar férias.
(David Lloyd George)






Num dos dias em que tive que me deslocar a Oliveira do Hospital, foi com alguma surpresa que deparei com a estrada cortada e sem possibilidades de sair da aldeia.
Tentei saber a razão junto do guarda que se encontrava junto à estrada do Soito da Ruiva, que me informou que ia ali passar um rally de carros antigos.






Já que não podia sair da povoação fiquei a aguardar a passagem dos automóveis. Não sendo calhambeques, eram realmente carros já ultrapassados. No entanto, todos eles se deslocavam a grande velocidade se tivermos em conta o tipo de estradas da nossa região.






A competição era grande e assistimos a algumas ultrapassagens de veículos que ganharam tempo aos seus antecessores, durante o percurso que a vista alcançava. A prova prosseguiu até ao Piódão e realizou depois o mesmo percurso em sentido inverso.






Esta e outras provas desportivas, são também um bom meio de divulgar a nossa região. Apesar de me ter atrasado na minha ida a Oliveira do Hospital e de ter que percorrer um itinerário mais demorado, não dei o meu tempo por mal empregado, pois foi engraçado assistir a um desfile de veículos que no meu tempo de juventude eram o "último grito" da época.







Obrigada pela sua visita. Volte sempre.







domingo, 11 de outubro de 2009

De Regresso



Se todo o ano fosse de férias alegres, divertirmo-nos tornar-se-ia mais aborrecido do que trabalhar.
(William Shakespeare)


Após alguns dias na aldeia, regressámos hoje e aqui estou para partilhar com os amigos blogueiros os meus dias que eu pensava serem de férias, descansando e usufruindo plenamente da calma e tranquilidade que a nossa serra nos dá. Nada disso. Ainda não tínhamos passado por Santarém, já uma tia minha nos telefonava, avisando que o meu sogro se encontrava bastante doente.
Acelerámos e lá chegámos ao Porto Silvado. Chamado o médico o diagnóstico foi o esperado: bronco-pneumonia.
Entretanto, o meu pai que tinha obras em casa, precisava também da nossa ajuda para escolher materiais. A partir de então, foi uma correria entre o Porto Silvado e a farmácia de Avô, entre o Sobral Magro e as lojas de materiais de construção de Oliveira do Hospital e as costumeiras visitas à tia Leonilde residente no Lar de Coja.
Entretanto, a minha sogra ficou também com febre, o que não me admirou nada, tal o estado em que o marido se encontrava.
Neste momento, os doentes já estão bem e as obras decorrem em bom andamento. Espero agora que eu e principalmente o meu marido possamos passar alguns dias de repouso, aqui em casa.
Espero também poder daqui para a frente passar a postar mais assiduamente como fazia antes do Verão.
Para já, ficam algumas fotos dos locais por onde passei várias vezes nos últimos dias.


- Foz da Moura -


- Avô -

- Barril do Alva -



- Coja -


São locais bem bonitos do concelho de Arganil, aos quais aconselho uma visita.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

domingo, 4 de outubro de 2009

Parabéns Pai




Não há satisfação maior do que aquela que sentimos quando proporcionamos alegria aos outros.
(M. Taniguchi)




Estou neste momento no Sobral Magro e, neste dia, gostaria de partilhar com os meus amigos e visitantes a minha satisfação, pois o meu pai faz hoje 81 anos.
Ei-lo na foto seguinte, na altura em que apagava as velas:






Obrigada pela sua visita. Volte sempre.