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quinta-feira, 3 de março de 2016

A Poesia de Carlos Paião

Cegonhas

Olá cegonha gosto de ti!
Há quanto tempo, te não via por ai!
Nem teus ninhos nos telhados,
Nem as asas pelo céu!
Olá cegonha! Que aconteceu?
Ainda me lembro de ouvir-te dizer,
Que tu de longe os bebes vinhas trazer!
Mas os homens vão crescendo,
E as cegonhas a morrer!
Ainda me lembro... não pode ser!
Adeus cegonha, tu vais voar!
E a gente sonha...é bom sonhar!
No teu destino, por nos traçado!
Leva o menino, que é pequenino, toma cuidado!
Adeus cegonha, adeus lembranças...
A gente sonha, como crianças!
Faz outro ninho, no som dos céus!
Vai de mansinho, mas pelo caminho, diz-nos adeus!
Adeus cegonha, tu vais voar!
E a gente sonha... é bom sonhar!
No teu destino, por nós traçado...
Leva o menino que é pequenino, toma cuidado!
Leva o menino... mas tem cuidado!
(Carlos Paião)




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.




quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Tempo de Poesia

Cavalo de várias cores



Quero um cavalo de várias cores,
Quero-o depressa que vou partir.
Esperam-me prados com tantas flores,
Que só cavalos de várias cores
Podem servir.

Quero uma sela feita de restos
Dalguma nuvem que ande no céu.
Quero-a evasiva - nimbos e cerros -
Sobre os valados, sobre os aterros,
Que o mundo é meu.

Quero que as rédeas façam prodígios:
Voa, cavalo, galopa mais,
Trepa às camadas do céu sem fundo,
Rumo àquele ponto, exterior ao mundo,
Para onde tendem as catedrais.

Deixem que eu parta, agora, já,
Antes que murchem todas as flores.
Tenho a loucura, sei o caminho,
Mas como posso partir sózinho
Sem um cavalo de várias cores ?

Reinaldo Ferreira


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.






segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Regresso com Poesia

Depois duma pausa, o Açor regressa com poesia.



Manhã de Inverno

Coroada de névoas, surge a aurora
Por detrás das montanhas do oriente;
Vê-se um resto de sono e de preguiça,
Nos olhos da fantástica indolente.

Névoas enchem de um lado e de outro os morros
Tristes como sinceras sepulturas,
Essas que têm por simples ornamento
Puras capelas, lágrimas mais puras.

A custo rompe o sol; a custo invade
O espaço todo branco; e a luz brilhante
Fulge através do espesso nevoeiro,
Como através de um véu fulge o diamante.

Vento frio, mas brando, agita as folhas
Das laranjeiras húmidas da chuva;
Erma de flores, curva a planta o colo,
E o chão recebe o pranto da viúva.

Gelo não cobre o dorso das montanhas,
Nem enche as folhas trêmulas a neve;
Galhardo moço, o inverno deste clima
Na verde palma a sua história escreve.

Pouco a pouco, dissipam-se no espaço
As névoas da manhã; já pelos montes
Vão subindo as que encheram todo o vale;
Já se vão descobrindo os horizontes.

Sobe de todo o pano; eis aparece
Da natureza o esplêndido cenário;
Tudo ali preparou co’os sábios olhos
A suprema ciência do empresário.

Canta a orquestra dos pássaros no mato
A sinfonia alpestre, — a voz serena
Acordo os ecos tímidos do vale;
E a divina comédia invade a cena.

Machado de Assis, in 'Falenas'










Obrigada pela sua visita. Volte sempre.





quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Uma névoa de Outono o ar raro vela



Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.
Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.
Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta  [...]

Fernando Pessoa


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.





quinta-feira, 19 de novembro de 2015

"Sorri" com Charlie Chaplin


Sorri
quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri
quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri
Quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri
Vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz.

Charlie Chaplin





Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



quarta-feira, 4 de novembro de 2015

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Como Nuvem

Como nuvens pelo céu
Passam os sonhos por mim.
Nenhum dos sonhos é meu
Embora eu os sonhe assim.


São coisas no alto que são
Enquanto a vista as conhece,
Depois são sombras que vão
Pelo campo que arrefece.


Símbolos? Sonhos? Quem torna
Meu coração ao que foi?
Que dor de mim me transtorna?
Que coisa inútil me dói?

Fernando Pessoa




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Hoje o Dia É De Poesia



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Hoje a Noite é de Poesia



Jardim perdido, a grande maravilha
Pela qual eternamente em mim
A tua face se ergue e brilha
Foi esse teu poder de não ter fim,
Nem tempo, nem lugar e não ter nome.
Sempre me abandonaste à beira duma fome.
As coisas nas tuas linhas oferecidas
Sempre ao meu encontro vieram já perdidas
Em cada um dos teus gestos sonhava
Um caminho de estranhas perspectivas,
E cada flor no vento desdobrava
Um tumulto de danças fugitivas.
Os sons, os gestos, os motivos humanos
Passaram em redor sem te tocar,
E só os deuses vieram habitar
No vazio infinito dos teus planos
Sophia de Mello Breyner Andresen




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Noite com Miguel Torga




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



quarta-feira, 1 de julho de 2015

A Poesia de Sophia de Mello Breyner: Um dia

Um dia
Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.
Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.


Sophia de Mello Breyner




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Que há para lá do sonhar?



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Hoje a noite é de poesia



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Esta Lisboa Que Eu Amo: Lisboa na poesia de Álvaro de Campos






Lisboa 

Lisboa com suas casas 
De várias cores, 

Lisboa com suas casas 

De várias cores, 

Lisboa com suas casas 

De várias cores... 

À força de diferente, isto é monótono. 

Como à força de sentir, fico só a pensar. 



Se, de noite, deitado mas desperto, 

Na lucidez inútil de não poder dormir, 

Quero imaginar qualquer coisa 

E surge sempre outra (porque há sono, 

E, porque há sono, um bocado de sonho), 

Quero alongar a vista com que imagino 

Por grandes palmares fantásticos, 
Mas não vejo mais, 
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras, 
Que Lisboa com suas casas 
De várias cores. 

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa. 
A força de monótono, é diferente. 
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo. 

Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo, 
Lisboa com suas casas 
De várias cores. 

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A poesia de Viriato Gouveia (Aldeia das Dez)

  NO COLCURINHO À BEIRA DA NATUREZA


Basta-me o ar que respiro

De madrugada sentado

À beira do mês de Abril

Paisagem de chão molhado.


Basta-me escutar o canto.

Das aves que vão noivar

Num rodopio de encanto

Milagre a continuar.


Basta-me o sol e o vento

A água fresca a correr

Neste cenário que invento

Sem poluição a crescer.

Basta que a minha alma cante

Basta que o sol brilhe nela

Luz viva e cintilante

A emergir da procela.


Basta amar a natureza

Basta nada e tudo ter

Descobrir toda a beleza

Da aurora ao amanhecer.


Basta o amor a reinar,

A verdade a dirigir;

A paz a secretariar

E a justiça a presidir.

  VIRIATO GOUVEIA



Obrigada pela sua visita. Volte sempre

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A Poesia de Florbela

 



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra



Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.
A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta. 

(Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos")



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Retrato de Cecília Meireles


RETRATO

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?


(Cecília Meireles)



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.






quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Canção de Outono


 photo PSOutono1_zps7cd8412c.jpg

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles
que não se levantarão...

Tu és folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...

Cecília Meireles



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.





quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Poesia Bucólica

Em tempo de férias na aldeia, encontrei na net esta poesia dum autor natural do Souto da Casa, mas que se adapta na perfeição à minha região.


A água cascalhava na ribeira
entre azenhas empoadas de farinha
e numa velha ermida sobranceira
ouvia-se o rumor na capelinha

Um dia fomos lá. Cada moleira
incorporou-se à tua ladainha;
sentia-se o moer da pedra alveira
e, em bailado, voava uma andorinha.

Que oração tão formosa, tão sincera!
Era como se fosse primavera
nesses montes floridos a rezar!
Tive vontade de beijar a santa, 
mas como não chegasse a altura tanta,
foi no teu rosto que eu a fui beijar.




Herculano Rebordão



Porto Silvado photo PA260074.jpg 
 
Obrigada pela sua visita. Volte sempre.