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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Caça


Sede como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas.


(Victor Hugo)








Outono é também tempo de caça.
Antigamente a serra do Açor era povoada por animais de caça em abundância. Em Outubro, era normal verem-se grupos de caçadores devidamente equipados, acompanhados pelos seus cães, subirem as encostas da serra em busca de coelhos bravos, perdizes e lebres.
Quando chegavam com os animais caçados pendurados à cintura, era grande a algazarra provocada pela alegria dos cães entusiasmados com a caçada.

- Caçador (José Mendes) com os cães e os coelhos-

Com o passar dos anos, os animais de caça foram escasseando e, por se encontrarem em perigo de extinção, foram aplicadas novas regras, e criadas reservas, tendo por fim proteger as espécies.

Hoje em dia, os caçadores da região passam dias percorrendo a serra e, a maior parte das vezes, não caçam qualquer animal.
Há dias, quando estive no Sobral Magro, andava o meu pai à caça e eu tive que me deslocar a Avô. Na estrada entre o Sobral Magro e o Agroal, avistei um grupo perdizes. Abrandei a marcha e pude observá-las saltitando e correndo na berma até que levantaram vôo.


- Três das perdizes no Vale das Videiras, na berma da estrada -

Pessoalmente, este desporto não me entusiasma nada, no entanto o meu pai é caçador. Escusado será dizer que, houve uma grande risada quando o meu pai chegou a casa sem qualquer animal e eu lhe mostrei a fotografia com as perdizes, que eu tirei ali tão perto.






Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Magustos





Comer e beber mantêm a alma e o corpo juntos.
(Heinrich Böll)


Antigamente, nas regiões do interior, tudo era pretexto para as pessoas se juntarem e se divertirem.
Após as colheitas e vindimas, em que o trabalho era intenso, chegava a época das castanhas. Quem tinha castanheiros, assava as castanhas nas lareiras de suas casas, umas vezes nas brasas da fogueira, outras usando um assador improvisado, furando um tacho velho ou uma lata. Na rua juntavam-se algumas pessoas para fazeremos magustos, isto é: assavam-se as castanhas numa fogueira feita com a caruma seca dos pinheiros. A acompanhar as castanhas, para não ficar embuchado e ajudar à festa, bebia-se água-pé, vinho, ou jeropiga.




Nestes magustos, as pessoas divertiam-se não só comendo as castanhas, como enfarruscando-se uns aos outros. Muitas vezes, os rapazes aproveitavam para se aproximarem mais das raparigas casadoiras pois nessa época, só em ocasiões festivas isso era possível.
Nas regiões urbanas, nesta altura do ano, era frequente encontrar-se o homem das castanhas, junto ao seu carrinho equipado com um fogareiro e um assador. As castanhas assavam enquanto ele apregoava:
"Quem quer quentes e boas?"
De vez em quando os transeuntes aproximavam-se com uma moeda na mão, que trocavam por um cartucho feito duma folha de jornal, cheio com castanhas quentinhas.



(Imagens Google, foto de José Gomes)

Hoje em dia, ainda se podem encontrar alguns vendedores ambulantes nas zonas mais movimentadas das cidades, em casa assam-se as castanhas no fogão a gás , em assadores de barro e, nas zonas rurais em datas especiais, ainda se fazem magustos, recordando os tempos passados.


- O meu assador de castanhas -










Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Medronhos


Além das aptidões e das qualidades herdadas, é a tradição que faz de nós aquilo que somos.
( Albert Einstein )








Sabemos que actualmente este tipo de bebidas só deve ser fabricada nas destilarias credenciadas, no entanto todos sabemos que aqui e além ainda há quem quem as produza de forma artesanal, para gasto próprio. Afinal tantas restrições só vão contribuir para a extinção dos nossos produtos artesanais tão apreciados por portugueses e estrangeiros. É o caso da aguardente de bagaço da região da serra do Açor, sobre a qual escrevi no meu último post. Para além desta, há outras qualidades de agurdente muito aprecidas nesta região, como são os casos da aguardente de medronho e da aguardente de mel.
Ao longo da estrada que liga Pomares ao Sobral Magro, junto do Vale do Torno, podemos observar os medronheiros, uns que resistiram aos incêndios e outros que renasceram das cinzas. Há dias quando passei uns tempos no Sobral Magro, ainda pude observar os medronhos nas árvores, dando a entender que a aguardente de medronho já não se fabrica como antigamente.



A proibição de se fazer aguardente nos alambiques artesanais , o envelhecimento e desertificação da região, vão fazer com que os frutos sequem nas árvores, em vez de estarem transformados em líquido dentro de garrafas e garrafões, nas adegas dos habitantes das aldeias serranas.







Obrigada pela sua visita. Volte sempre.