segunda-feira, 28 de março de 2011

Peças de Chocolate do Meu Pai

Actualmente, o meu pai tem-se dedicado a fazer peças em chocolate e como a época é de Páscoa, os trabalhos estão relacionados com esta época festiva.
Foi com peças idênticas às que está a fazer que ele, algumas vezes, foi premiado. Eis algumas, em vias de acabamento.

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Fotos: Ana Teresa


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

domingo, 27 de março de 2011

Fim de Semana com Baile da Pinha

Soito da Ruiva - Pinha


Tal como divulguei na passada semana, estive, no passado Sábado, no Baile da Pinha organizado pelos amigos do Soito da Ruiva.
Não me vou repetir, pois sempre que escrevo sobre os naturais desta povoação, é  para destacar a sua forma hospitaleira de receber os amigos e enaltecer o espírito de sacrifício com que se empenham, tendo sempre como objectivo a divulgação da sua terra e da sua região. As imagens que se seguem são prova  da forma abnegada  com que se disponibilizam para trabalhar de forma graciosa, para que corram bem todos os eventos que organizam.

Soito da Ruiva - Baile da Pinha
 
A bancada estava repleta de iguarias. A broa e o excelente queijo da região marcaram presença.
Os famosos coscoréis, estiveram sempre à disposição de todos,   nesta noite de animação e boa gastronomia.

As  cozinheiras não tiveram mãos a medir pois  passaram toda a noite  em laboração para repôr os artigos que se iam esgotando. 
Os utensílios estiveram sempre preparados para que os petiscos não faltassem e saíssem quentinhos pela noite dentro.
Presente  também uma  banca de artesanato muito bem recheada com artigos regionais.
Na sala,  a confraternização entre naturais do Soito da Ruiva e de aldeias vizinhas, foi uma constante.

 
Soito da Ruiva - Baile da Pinha
 
O baile, como sempre  foi abrilhantado pela acordeonista Paula Marques.  Decorreu de forma bastante animada e, já a noite ia alta, quando  dois dos elementos do grupo "Comtradições", a Dina e Carlos Correia foram coroados Reis do baile, pois foram o par que conseguiu abrir a "pinha".

Parabéns Comissão de Melhoramentos de  Soito da Ruiva!
Parabéns Grupo de Danças e Cantares do Soito da Ruiva!
Parabéns boa gente do Soito da Ruiva!

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sábado, 26 de março de 2011

Desafio

Já várias vezes aqui referi que, parte do meu tempo livre é passado no Pólo Cultural de Fernão Ferro, onde se desenvolvem várias actividades relacionadas com o artesanato, nomeadamente na área dos bordados. Existe mesmo uma parceria com revistas de bordados e as monitoras colaboram também com uma conceituada marca de linhas, a  DMC, cujo blog faz parte daqueles que habitualmente visito.
Periodicamente, lança concursos, sujeitos a vários temas. O último foi subordinado ao tema "Dia dos Namorados" e um dos prémios foi atribuído à amiga Filomena do "Filomena Crochet", minha colega e amiga dos cursos, com este lindo trabalho.

  (Foto da Filomena)

O próximo desafio já foi lançado e tem como tema "A Cozinha da Avó".
Como várias das minhas amigas blogueiras e da  minha região têm, como eu, um grande interesse  por esta área, lembrei-me de divulgar aqui, no meu espaço, esta iniciativa da DMC. O tema é sugestivo e aliciante. Concorram. Encontram informações mais detalhadas aqui .
Após o concurso e antes de serem entregues aos seus proprietários,os trabalhos estarão patentes na FIA, uma grande  exposição  de artesanato, que se realiza anualmente no início do  Verão, no Parque das Nações, em Lisboa.
De que estão à espera?
"Puxem pela cabeça", "dêem ao dedo" e concorram...


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



sexta-feira, 25 de março de 2011

Primavera no meu Jardim

Estes são alguns dos exemplares da flora do meu jardim que já me vão alegrando, mesmo em dias cinzentos como o de hoje.

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Poucas palavras porque as iagens falam por si.

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Primavera


A Primavera chegou. Entre dias  soalheiros e quentes e outros um pouco mais cinzentos, as flores do meu jardim estão a renascer com todo o seu esplendor, num matiz de cores que transmite alegria e bem-estar.
As flores são hoje o tema para a poesia, desta vez da autoria de Castro Alves.
As Duas Flores

São duas flores unidas
São duas rosas nascidas
Talvez do mesmo arrebol,
Vivendo, no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.




Unidas, bem como as penas
das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.




Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.




Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Baile da Pinha

Soito da Ruiva - Baile da Pinha
 
Uma vez mais o Grupo de Danças e Cantares do Soito da Ruiva vai estar em festa. Desta vez e a exemplo dos últimos anos, irá organizar o baile da Pinha. Este ano será  no próximo Sábado dia 26 de Março,  no Clube Recreativo da Ramalha, abrilhantado pela acordeonista Paula Marques, com início às 22 horas.
Mas, para que todos tenham forças para mais uma noite de bailarico, alegria e diversão, por volta das 18 h 30 m já estarão ao dispôr de todos quantos desejarem participar no evento, os tradicionais petiscos do Soito da Ruiva. Não faltarão, entre outros, o caldo verde, os torresmos, as bifanas, o arroz doce, a tigelada e os famosos coscoréis.
Os soitarruivenses esperam também a presença de amigos de  aldeias vizinhas para os apoiar e confraternizar, tal como acontecia no passado nas suas festas regionais.
Quem quiser passar uma noite animada, já sabe. Sábado no Clube Recreativo da Ramalha  a boa gente do Soito da Ruiva espera por todos e sabe receber os seus amigos como ninguém.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 22 de março de 2011

Uma Professora na Serra III

Após a partida dos pais,  começou a pensar a sua vida futura. Sempre vivera junto dos seus familiares, numa casa com todo o conforto. Naquele momento, completamente só, olhava para a casa que iria ser o seu lar durante os nove meses seguintes. Nessa altura, a adrenalina que a empurrara até ali desapareceu por completo. Sentou-se numa cadeira e, fixando o olhar na encosta que parecia prestes a desabar sobre a povoação , deixou as lágrimas rolarem livremente pelas faces, ficando ali inerte entregue aos seus pensamentos. Pensava ela que podia deslocar-se facilmente a Coimbra para aliviar as saudades e ir trazendo tudo aquilo que  necessitava. Apenas trouxera a mala da roupa e algum material escolar.


Como se enganara!  Por sorte na cozinha, a cantareira tinha alguma loiça que podia utilizar. Na arca havia roupas para a cama e para a mesa, tudo impecavelmente limpo.
Não sabe quanto tempo ali esteve. Despertou dos seus pensamentos, com um leve bater na porta. Levantou-se, passou os a mão pelos olhos  já secos de lágrimas e, desconfiada, dirigiu-se à janela. No balcão da casa, várias senhoras  aguardavam.
Desceu e abriu a porta.
Saudou-as e elas, humildemente vestidas mas de olhar meigo e  envergonhado deram-lhe as boas vindas, ao mesmo tempo que lhe ofereciam o que traziam em cestos ou na abada do avental.  Eram mães dos seus futuros alunos que lhe traziam produtos alimentares. Uma delas chegou mesmo a dizer-lhe que se quisesse deixava uma das filhas ir dormir com ela, para não se sentir sozinha.  Surpresa e sem jeito, começou por recusar mas, perante a insistência delas, aceitou e  lá foi agradecendo.
Partiram todas ficando apenas uma delas que lhe pediu os cântaros para lhe ir buscar água para casa. Cada vez mais desconcertada, olhou para ela, entregou um dos cântaros, ficou com o outro e propôs-se segui-la. A senhora bem insistia para ela não ir,  mas ela teimou e acompanhou-a. Se tinha que se adaptar à vida da aldeia era o que ia fazer já de início.  
Seguiu a senhora até ao local onde várias pessoas aguardavam a sua vez de encher o cântaro, numa pequena mina, situada na barroca. Na sua maioria eram raparigas e rapazes que conversavam e riam animadamente numa fila, ao longo dum estreito caminho. Ao repararem nela calaram-se de imediato.
A senhora que a acompanhava explicou quem ela era e logo, algumas  raparigas mais extrovertidas vieram para junto dela, iniciando   conversa e tentando saber algo sobre aquela desconhecida.
Mais tarde entendeu. O senhor que a acompanhara no caminho para a aldeia, era um dos comerciantes da terra  e  chegado ao estabelecimento, foi espalhando a notícia da chegada da nova professora. Era costume da serra receberem os forasteirso com o que de melhor tinham em casa e  ficavam até ofendidos quando as pessoas não aceitavam as ofertas.
Foi assim durante todo o ano letivo. As primeiras novidades eram divididas com ela. No tempo da matança do porco a casa enchia-se de carne. Leite e queijo nunca faltaram. Sempre que alguém cozia, lá tinha broa e bola  para vários dias. Por vezes sentia-se constrangida perante a pobreza de alguns,  sem saber como lhes retribuir.
À tardinha, a mina era o ponto de encontro dos jóvens da aldeia. Era o único local onde havia água potável e todos os habitantes da povoação ali tinham que se deslocar normalmente depois de chegarem dos trabalhos do campo. Era uma tarefa morosa que era aproveitada  para convívio que por vezes prolongavam para além das necessidades, originando um valente raspanete dos pais, à chegada a casa. 
Foi ali o que se iniciou a sua ligação à aldeia e começaram algumas amizades  que a marcaram para o resto da  vida. Foi naquela aldeia isolada na serra do Açor, que aquela menina se transformou em  mulher.





Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A Minha Aldeia Está Mais Pobre




Mais uma vez fui surpreendida por uma triste notícia. A tia Carmen deixou-nos.
Há algum tempo atrás recordei os fins de semana que passava em criança, no Seixal junto d e uma grande parte dos meus familiares e da comunidade sobralmagrense que ali era bastante numerosa.
A tia Carmen era uma dessas pessoas. Casada com um primo da minha mãe, trocou a sua terra natal pela terra do marido da qual gostava bastante. Era uma das amigas da minha mãe e, por arrasto, a filha era uma  das minhas amigas de infância e adolescência. O seu funeral realiza-se hoje às 11 h para o cemitério de Sobral Magro, onde terá a sua última morada.

Que a sua alma descanse em paz.
Ao marido, filha, genro, netos e demais família envio os meus sentidos pêsames.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sábado, 19 de março de 2011

Dia do Pai

Frases para Orkut


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 17 de março de 2011

"Chama Sobralmagrense"

Na recolha de notícias que fiz há tempos no boletim da freguesia, o "Notícias de Pomares",  dei de caras com esta pequena referência a um outro boletim da responsabilidade da Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro.


Foi em 1960 que foi editado um número único do qual mostro a primeira página.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


quarta-feira, 16 de março de 2011

Nabos de Farinha

Confesso que quando era criança e estava de férias no Sobral, a minha avó sofria tormentos com a minha alimentação. Já aqui contei o que ela passava por eu não gostar de broa. Outro alimento que eu detestava era hortaliça. Ambas eram base da alimentação da serra e daí a dificuldade que a minha avó tinha para me alimentar. Agora, recordo com saudade a comida  da avó. A broa continuo a não gostar muito mas a hortaliça faz parte obrigatória da minha alimentação diária.
E hoje cá em casa, foi dia de saudade no que diz respeito à culinária. Estava para cozinhar uns grelos de nabo e lembrei-me dos nabos de farinha da avó Ana. Como tinha mais folhas que grelos, foi o que fiz para o jantar.
Aqui vai a receita:

Nabos de Farinha da Avó Ana

A avó punha uma panela de ferro com água e um pouco de sal junto ao lume da fogueira.  Logo que a água começava a ferver juntava  as folhas dos nabos bem lavadas e deixava-as cozer.
Depois de cozidas, punha-as a escorrer.
Colocava depois uma frigideira com azeite sobre umas "trempes" na fogueira e picava para dentro um dente de alho. Juntava depois os nabos já escorridos, Mexia tudo com uma colher de pau, acrescentando  farinha, sem parar de mexer, até ficarem  sequinhos e a farinha não saber a cru.
Depois, quase sempre  servia de acompanhamento a sardinhas, carapaus ou bacalhau fritos.


Eu acompanhei com bacalhau frito. Devo dizer que os nabos de farinha estavam deliciosos, apenas faltando o travo amargo dos nabos criados no meio do milho, que amarujavam e conferiam um sabor caraterístico a este  prato da gastronomia da minha serra.
 
Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


terça-feira, 15 de março de 2011

Jogo de Naperons de Quarto

Há já algum tempo que não faço nenhuma postagem sobre artesanato. Hoje, ao arrumar uma gaveta encontrei um jogo de naperons dos vários que tenho guardados.
Jogo de Quarto


Ao olhar para ele, recordei aquele tempo em que trabalhava com linhas e agulhas muito fininhas. De vez em quando, tinha que interromper o trabalho, pois o  dedo onde a agulha trabalhava  a linha, estava todo em ferida.
Estes naperons foram realizados em linha nº 60.
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Continuam religiosamente guardados juntamente com outros idênticos, pois com esta linha, penso já não ter paciência para fazer mais nada e desejo deixá-los como recordação.

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Aniversário da Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro


A Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro está de Parabéns, pois completa hoje 59 anos de existência como associação legalmente organizada.
Muito tempo antes, já vários naturais da aldeia se tinham associado com o objectivo de  realizar algumas obras  na sua aldeia. As principais foram as construções da Escola e da primeira fonte no Largo da Barroca.


 
 

Finalmente, a 14 de Março de 1952, fundava-se uma associação com estatutos devidamente aprovados.
Aos poucos e graças ao esforço de homens simples e empenhados que lutaram abnegadamente pelos seus justos ideais, a aldeia foi-se modificando e as condições de vida melhoraram substancialmente. Sendo  pioneira em algumas obras que poucas aldeias do concelho tinham à sua disposição decerto constituiu  incentivo para melhorar cada vez mais. Actualmente os sobralmagrenses possuem as infraestruturas básicas que lhes permitem viver como nas grandes localidades, mas desfrutando dum ambiente puro e calmo.
Mas, essas obras para funcionarem devidamente necessitam de manutenção e, estando nós inseridos numa autarquia de parcos recursos, as Comissões de  Melhoramentos ainda continuam a  fazer sentido. Os Estatutos prevêem mandatos  anuais, mas os elementos que formam a lista atual foram-se disponibilizando para prolongarem o seu desempenho, conseguindo sempre substituir as lacunas que se foram verificando.  No entanto, o desgaste tem sido grande e chegámos a uma altura em que  a maior parte dos seus elementos manifestaram já a sua decisão de não continuarem.
Por isso, no dia de hoje, faço votos para que na Assembleia Geral a realizar no próximo dia 22 de Agosto no Sobral Magro, apareça uma nova lista que dê continuidade ao trabalho iniciado pelos nossos heróicos antepassados.
Como Presidente da Assembleia Geral , deixo  aqui o meu desejo de muitos anos de vida para a coletividade,  depositando a maior das confianças nos   meus conterrâneos no sentido de  não deixaram morrer a sua colectividade.
 
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Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

domingo, 13 de março de 2011

Parabéns Comissão de Melhoramentos do Vale do Torno


Vale do Torno

Tal como anunciei  há dias  realizou-se hoje o almoço comemorativo do aniversário da Comissão de Melhoramentos do Vale do Torno.
A exemplo de anos anteriores, estive presente. Desta vez,  a Quinta dos Girassóis, em Fernão Ferro, foi o local onde se realizou o evento.
Muitas caras conhecidas do Vale do Torno e de algumas aldeias vizinhas marcaram a sua presença. Para mim é sempre um prazer poder estar presente nestas ocasiões, pois acabo sempre por matar saudades de pessoas conhecidas que raramente tenho oportunidade de encontrar.
 

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- Porto Silvado e Soito da Ruiva, presentes -

O almoço foi muito bem servido e o ambiente que se viveu foi de alegria e confraternização.
No local havia à venda algumas recordações do Vale do Torno, bem como um álbum de fotografias onde pudémos apreciar a evolução daquela aldeia, através dos tempos.
A encerrar a comemoração, cantaram-se os Parabéns à Comissão, sendo depois distribuídas fatias de bolo e uma taça de espumante por todos os presentes.


Para os amigos do Vale do Torno, vão os meus sinceros
 PARABÉNS


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.




sexta-feira, 11 de março de 2011

Fim de Semana com Poesia de Thiago Mello


FULGOR DO SONHO
De tudo o que já me deu
agradeço à vida o sonho
da rosa que não ganhei.


Minha mão não alcançou
a estrela que desejei.
Seu fulgor o sonho inventa,
invisível no meu peito.


O navio embandeirado
que espero desde criança
está custando a chegar.


Não faz mal, canta o meu sonho,
nas águas que ele navega


Sabem a sal de esperança.
Nada perdi... como posso
perder o que nunca tive?


Vivo a vida do meu sonho,
meu sonho, de sonho vive.


Thiago de Mello

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


quinta-feira, 10 de março de 2011

Uma Professora na Serra II

Dormira muito pouco. A ansiedade era muita e, quando o relógio tocou, saltou da cama com a mesma energia duma noite bem dormida.
Os pais fizeram questão de ir levar a "sua menina" ao local onde ela iria passar os próximos meses dando início à sua actividade profissional.
Fizeram-se ao caminho. A estrada da Beira era mais ou menos conhecida no entanto, quando tiveram que sair para uma estrada secundária, as coisas começaram a complicar-se.
Passaram por várias aldeias. Engraçadas mas um pouco estranhas para as suas vivências.  Entretanto, acabara o alcatrão e uma enorme nuvem de poeira perseguia o carro. De vez em quando sentiam-se apedrejados pois, as pedras soltas ao serem pisadas pelos pneus, saltavam batendo na parte inferior do carro.
Chegados a Pomares, a sede de freguesia, pensaram que a aventura estava a terminar, mas quando perguntaram qual a estrada para o Sobral Magro, foram informados que não havia e que teriam que fazer o resto do percurso a pé,  por um caminho de bois. "Não há nada que enganar. Sigam sempre em frente, não saiam por ramal nenhum" - dizia-lhes um homem simpático de sacho ao ombro.
Já estavam por tudo e iniciaram a caminhada.
" Esperem lá. Está ali um homem do Sobral e vocês vão com ele que assim já não se perdem."- Era a voz da pessoa que lhes dera a informação, a gritar atrás deles.
Mais aliviados foram apresentados a um senhor simpático que subia a rampa montado num macho.
 

Quando lhe disseram que ela era a professora que iria lecionar na escola da sua aldeia, mostrou um sorriso afável ao mesmo tempo que saltava do macho   dizendo:  "Minha senhora o caminho é longo. É melhor montar no macho para não se cansar."
Ela ficou sem palavras pois tinha receio de montar o animal e recusou educadamente. No entanto, aceitou que lhe transportasse a mala da roupa e o saco com alguns mantimentos. Foi aconselhada a trocar de sapatos, bem como a mãe, pois com os que traziam  não chegariam   à aldeia.
Deram início à longa caminhada. O senhor era bastante simpático e comunicativo e foi-lhes falando da aldeia e dos seus habitantes. Subiram e desceram encostas sucessivas sempre rodeados de denso arvoredo. Os pés já doíam e, nas descidas as pernas tremiam. Durante o percurso,  os seus sonhos  foram-se transformando, o cansaço tomou conta do seu corpo e arrependeu-se de não ter aproveitado a "boleia" mas, fez-se forte e resistiu.
Chegados à aldeia, encaminharam-nos  para a casa  que iria ocupar. Feita em xisto, escura e triste era muito diferente da sua em Coimbra, mas estava tão dorida que só pensava em descansar.
Entraram. Em frente da porta da entrada havia dois pequenos quartos com uma cama de ferro cada um , cobertas com colchas de algodão, impecavelmente brancas. Num deles havia uma mesinha e no outro uma pequena arca.  Subiram depois a escada que terminava numa  salinha onde havia  uma mesa encostada a uma parede, sobre a qual se destacava um candeeiro a petróleo e,  em volta da mesa algumas  cadeiras. Numa outra parede havia também  pequena arca.
Da sala passaram para a cozinha. Na lareira duas panelinhas de ferro e um púcaro de barro estavam prontos para cozinhar. Ao lado, sobre uma pequena mesa via-se uma máquina que funcionava com petróleo. Encostada a uma das paredes via-se uma cantareira com algumas peças de loiça e dois cântaros no  local próprio. Na outra, havia  um lavatório,  um jarro e um grande alguidar pendurado no frontal. Alguns banquinhos completavam o mobiliário.  Foi então informada que na aldeia não água ao domicílio , nem luz elétrica, nem saneamento.
Os pais aconselharam-na a partir com eles mas ela negou-se pois,  se as professoras anteriores lá conseguiram permanecer, ela também teria que conseguir.
Os donos da casa ofereceram-lhes então comida e bebida deram-lhes algumas informações sobre o modo de vida na aldeia e passaram o resto tarde a arrumar os seus pertences. Quando finalmente se deitou, o cansaço era tanto que adormeceu de imediato sem sequer ouvir os pais que, no quarto ao lado, combinavam a forma de a fazer demover da ideia de ficar "presa" naquela aldeia.
No dia seguinte, já restabelecida, de nada valeram os pedidos dos pais que  partiram, na companhia da senhora que distribuía o correio.
À medida que os via a afastarem-se,  vendo a cara chorosa da mãe de cada vez que  olhava para trás para lhe acenar, ainda vacilou e sentiu uma vontade quase irresistível de correr atrás deles. No entanto, o seu orgulho falou mais alto. As lágrimas rolaram-lhe pela face mas, ergueu a cabeça e fechou a janela com a força de  quem encerrou  um ciclo de vida.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Almoço de Aniversário da Comissão de Melhoramentos do Vale do Torno

Após uma breve ausência, regresso com a divulgação de mais uma iniciativa duma aldeia da serra do Açor. Desta vez é o Vale do Torno que, no próximo Domingo dia 13 de Março pelas 12h 30 m,  realiza um almoço comemorando o 56º aniversário  da sua existência, na Quinta dos Girassóis em Fernão Ferro.
Como de costume, antecedendo  o almoço, realizar-se-á a Assembleia Geral Ordinária daquela colectividade.
 
Vale do Torno
 
 
A Ementa é a seguinte:
ENTRADAS

Paio fatiado, gambas cozidas, rissóis de carne, presunto fatiado, bolinhas de carne, rissóis de camarão, cubinhos de queijo, bolinhas de bacalhau.
Moscatel, Martini Rosso, Martini Bianco, Gin, Água Mineral, Vinho Branco e Refrigerantes

PRATOS QUENTES

Creme de Legumes
Bacalhau com Broa e Batatinhas a Murro
Lombo de Porco com Ananás

SOBREMESA

Pudim Flan Tropical

BEBIDAS

Vinho Tinto e Branco, Cerveja com ou sem alcool, Refrigerantes e Água Mineral
Café/chá, digestivos (Whisky novo, Licor Beirão, Licor de Whisky e Bagaceira)

Bolo de Aniversário e Espumante
Preço:

Maiores de 10 Anos … 25 €
Dos 4 aos 9 Anos …. 15 €




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Uma Professora na Serra


Corria a década de cinquenta. Sentada junto à janela de casa, contemplava a serra que a acolhera e que nos últimos meses aprendera a amar. Aproximava-se o dia da partida e, vendo o sol a descer no horizonte, recordava como tinha vindo parar àquela aldeia.

Nascera  em Coimbra  cidade que bem conhecia, onde sempre vivera. Poucas vezes de lá saíra, excepto nas férias de Verão que passava com os avós  na Figueira da Foz, quando ia a Lisboa visitar familiares e uma vez que tinha ido à serra da Estrela, numa excursão do Liceu, de que ela gostara muito.
Quando saíram os resultados dos concursos de professores, exultou de alegria por poder iniciar a sua vida profissional. Muitas das suas colegas tinham ficado sem colocação e ela tinha um local para trabalhar. A escola era longe e a localidade nem vinha no mapa. Na Direcção Escolar, informaram-na que a escola ficava  lá para a serra. Mas, que interessava isso? Ela já tinha ido à serra da Estrela e gostara muito. Além disso, ia ter uma escola, os seus primeiros alunos e ganharia o seu dinheiro. Decerto iria fazer novas amizades e, quando não pudesse vir a casa, ao fim de semana, aproveitaria para conhecer melhor a região. Alugaria um táxi e faria passeios com as raparigas da terra, que iriam ser suas amigas com certeza. Nunca tivera dificuldades em fazer amizades e não seria agora que isso iria acontecer.

Deitou-se imaginando uma simpática aldeia com muita juventude, onde iria passar bons momentos. O entusiasmos era tanto que, nessa noite quase não pregou olho. Pela sua cabeça passaram as imagens da excursão que fizera alguns anos atrás. Na subida para a serra, a estrada era  estreita, íngreme e cheia de curvas. Ela e as colegas caíam cada uma  para seu lado , conforme as curvas. Exageravam a queda o que provocava sonoras  gargalhadas  De vez em quando, apercebiam-se da paisagem que cercava a estrada; arregalavam os olhos soltando gritos de aflição ao verem  os precipícios à beira da estrada. Logo aparecia  outra curva e tombavam de novo,  recomeçando a risada.
Quando chegaram à Torre, ela  ficou extasiada. Talvez por  sempre ter vivido num meio urbano, adorava a  natureza e a  nudez dos cumes  rochosos  contrastando com a verdura  dos campos situados no sopé das montanhas, deixou-a boquiaberta. Lá no fundo, tudo parecia minúsculo e ela,  ali no alto, respirando a  brisa daquele dia quente de Verão, sentiu-se tão leve!
E foi assim, recordando as peripécias vividas nesse passeio, que  acabou por adormecer  já a noite ia alta. E sonhou. Sonhou com uma pequena mas bela aldeia onde nada faltava...
(Continua)



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.