sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Camba

 
Camba

A Camba é mais uma bonita aldeia de gente simpática e hospitaleira que pertence ao Concelho da Pampilhosa da Serra e freguesia de Fajão.
Fica situada numa das encostas da serra do Açor, rodeada de vegetação e bem próxima da barragem do Alto Ceira.
Na altura da construção desta barragem aumentou bastante a população da Camba com pessoas que para ali vieram trabalhar. Muitas delas, após a conclusão das obras ficaram por lá a viver. 

Camba
 
Esta aldeia também se  desenvolveu bastante durante o século passado, por acção da Comissão Associativa de Melhoramentos de Camba que após a sua fundação em 1955, em colaboração com a autarquia, a dotou com algumas infraestruturas básicas. No entanto, os cambenses olham o futuro com alguma apreensão pois a população está envelhecida e  os mais novos há muito que partiram para Lisboa, em busca das condições de vida que não tinham no seu torrão natal.
Neste momento, a Camba é habitada permanentemente por pouco mais de uma dúzia de pessoas  mas, na época do verão, os cambenses deslocam-se "à terra" em gozo de férias e, nessa altura, a povoação enche-se de novo de vida.

Se não puder visitar a aldeia da Camba, visite   o seu site em: http://camba.com.sapo.pt/


Camba





Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ponte de Fajão


Ponte de Fajo

Hoje continuo o meu passeio virtual pela serra do Açor e continuo no concelho da Pampilhosa da Serra.
Saindo da sede de freguesia de Fajão sigo para a Ponte de Fajão.
Outrora chamada de Vila Cova, esta povoação situa-se na margem direita do rio Ceira,  próximo da sua nascente, rodeada de arvoredo.

Ponte de Fajo
O rio confere-lhe maior beleza e torna esta aldeia num local privilegiado para um banho refrescante nos dias quentes de Verão. É isso que, quem quer que a visite a Ponte de Fajão, pode fazer na sua piscina fluvial.

Ponte de Fajo

 
Esta é mais uma das povoações que muito se desenvolveu devido à acção da sua Comissão de Melhoramentos mas que, como muitas outras, corre o risco de desertificação.


Mais dados sobre esta bonita localidade da serra do Açor, podem ser encontrados no site da aldeia em:



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Nostalgia

Este meu País faz-me lembrar um soneto de Florbela Espanca. É com ele que vos deixo, por hoje.

Nostalgia


Nesse País de lenda, que me encanta,
Ficaram meus brocados, que despi,
E as jóias que plas aias reparti
Como outras rosas de Rainha Santa!


Tanta opala que eu tinha! Tanta, tanta!
Foi por lá que as semeei e que as perdi...
Mostrem-se esse País onde eu nasci!
Mostrem-me o Reino de que eu sou Infanta!


Ó meu País de sonho e de ansiedade,
Não sei se esta quimera que me assombra,
É feita de mentira ou de verdade!


Quero voltar! Não sei por onde vim...
Ah! Não ser mais que a sombra duma sombra
Por entre tanta sombra igual a mim!


Florbela Espanca




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Fajão


Fajo


Durante as férias de Verão, é meu costume fazer alguns passeios com a família e amigos, pela serra. Há tempos fiz o percurso entre o Sobral Magro e Fajão que, oportunamente, descrevi aqui neste  espaço.

Photobucket  
 
Hoje levo-vos em passeio virtual até Fajão, uma das "Aldeias de Xisto", que muito apreciei  quando da minha visita no terreno.
Esta bonita aldeia, sede duma freguesia cheia de lendas e tradições, pertence ao vizinho concelho da Pampilhosa da Serra e está situada num local entre montanhas rochosas, em tudo semelhante a muitas outras aldeias da região. No entanto, tal como aconteceu no Piódão, foi também alvo dum trabalho de recuperação arquitectónica que a tem vindo a evidenciar  no que diz respeito  ao turismo.

Photobucket
 
Pertencem a esta freguesia, para além da sede, os seguintes lugares: Açor, Boiças, Camba, Castanheira, Cavaleiros de Baixo, Cavaleiros de Cima, Ceiroco, Ceiroquinho, Covanca, Gralhas, Mata, Ponte Fajão, Porto da Balsa e Vale Pardieiro.

Photobucket

Muito mais poderia escrever sobre esta povoação serrana,  mas melhor que isso é deixar-vos  o link do site que podem seguir e onde podem ficar a conhecer melhor a história e património de mais esta antiga aldeia da serra do Açor: http://fajao.no.sapo.pt




 

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.





segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Que Frio!



Animais

Está frio. Muito frio mesmo.
Acordei com chuva o que fez com que ficasse em casa para evitar que a constipação que me tem estado a ameaçar, me ataque a sério. Enquanto preparava o pequeno almoço espreitava pela janela da cozinha   e via a chuva a cair. Devia estar gelada. Nesse momento, em que me sentia tão quentinha no aconchego do meu lar, pensei em todos quantos fazem das ruas a sua habitação. Estremeci como se um frio gelado me percorresse o corpo e o café não passava na garganta.
Entretanto a chuva parou e um sol envergonhado foi despertando ao longo da manhã. Aos poucos, bandos de pardais povoaram o meu  jardim, namorando e saltitando por entre os galhos nus dos arbustos, ensaiando alguns trinados como se a interrupção da chuva lhes devolvesse a alegria. Ali passei a manhã, observando por detrás das vidraças sem coragem para abrir a porta e sair para o exterior. 




Obrigada pela sua visita Volte sempre.



terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Volto Já


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Bolo de Folha

Mesmo ao fim de muitos anos, há sabores que ficam de tal maneira entranhados em nós que não conseguimos esquecer nunca. Isto vem a propósito de ao fim de semana eu comprar sempre broa de milho.
Não que eu goste, mas a minha nora adora este tipo de pão.
Penso que já aqui confessei  que não sou apreciadora de pão de milho e, em pequena, o único senão das férias na aldeia era ter que comer broa. Diariamente, a minha avó tentava tudo para que eu a comesse.   Ela desfazia-a no leite ou no café, migava-a na sopa, mas em vão. Não me consegui  adaptar ao seu sabor.
No entanto, era costume da minha avó, aproveitar um pouco de massa da broa e envolver com ela uma sardinha, fazendo uma espécie de broa recheada mais pequena. Enrolava-a numa folha de couve e levava-a ao forno quando fazia o pão. Chamava-lhe ela, um bolo de folha. Bolo não era porque não era doce e a massa era a mesma da broa. O que eu sei é que o sabor era delicioso e, para mim, um manjar . Talvez  fosse devido à gordura  que escorria da sardinha, ou aos sucos que se desprendiam da folha de couve... Mas, o que eu penso,  é que era devido ao carinho com que ela tentava agradar-me que fez com que ainda hoje eu me recorde dos bolos de folha.
Ainda hoje raramente como broa, mas se for com sardinha lá me vem a lembrança dos bolos de folha da minha avó.

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Blogger ou Wordpress?

Esta semana tenho estado muito ocupada com a família.
Estou também com um problema de hospedagem de fotografias no Picasa e não sei muito bem como vou resolver a situação. Sendo autodidata nestas lides da informática, é nos foruns que me informo e tento colmatar as minhas dúvidas.
Como sou teimosa, continuo a tentar resolver a situação. Em último caso deixo o Blogger e mudo para o WordPress ou outro.

 




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Meu Pai Foi Notícia

Em consequência do prémio com que foi distinguida a Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro, o meu pai foi notícia na imprensa regional do concelho, através do Jornal de Arganil.
Eis a notícia, que me trouxe ainda mais orgulho.

À  Directora do jornal de Arganil os meus agradecimentos.


Obrigada pela sua vista. Volte sempre.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Leonor - 4º Aniversário



Hoje o dia foi de festa. A Leonor fez 4 aninhos e teve um dia bastante animado.
Sendo filha de pais separados, eles têm conseguido lidar com os seus horários profissionais de forma a que ela possa festejar o seu dia de anos com as duas famílias. Assim, almoçou com a família paterna, lanchou com os coleguinhas do infantário e jantou com a família materna. 
Chegou aqui a casa bastante divertida, de Barbie na mão (mais uma). Narrou-nos  as experiências vividas durante o dia, com especial entusiasmo quando nos falou dos seus amigos do colégio e das brincadeiras que fizeram.
Ao jantar, estiveram também presentes os tios que ela adora e  esteve sempre muito bem disposta. No final do jantar, ao som do "Parabéns a Você", apagou as 4 velinhas do seu terceiro bolo de aniversário, do dia.
Foi um dia bastante agitado para a Leonor em  que ela esteve sempre rodeada de carinho e afeto.

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Toalhinha de Chá

Entre as secagens de algumas telas que ando a pintar, terminei mais uma toalhinha de chá.  Esta tem uma tonalidade verde água e foi bordada com linha matizada em tons de amarelo e verde. São estes também os tons que empreguei no picô que fiz para contornar a toalhinha.





Eis um pormenor do bordado.



Espero que gostem tanto como eu gostei de a fazer.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Quando Está Frio no Tempo do Frio





Quando Está Frio no Tempo do Frio


Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das cousas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno —
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no fato de aceitar —
No fato sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só corri a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.


Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Memórias do Rio Alva




- O Alva em Avô -

Ser pai e ser mãe é tarefa complicada hoje e sempre. Quando vejo fotos de Avô, surgem-me logo lembranças da minha juventude, de como eu gostava de ir ao rio Alva dar uns mergulhos durante as férias do Verão. O que os meus pais sofriam!
No Sobral Magro  não tinha sido ainda  concluída a  estrada que ligaria a povoação a Pomares. Havia apenas uma estrada florestal sem alcatrão e cheia de buracos. Então, para me fazer a vontade, o meu pai tinha que conduzir pela borralhenta estrada , subindo e descendo as íngremes encostas   da serra e dar a volta por Aldeia das Dez, para eu poder passar umas horitas  no rio. Os meus pais passavam o tempo a "fazer horas" no Picoto, enquanto eu me ia encontrar  com outros jovens  da minha freguesia. Eram momentos bem divertidos e várias foram as situações engraçadas que ali vivemos. Uma delas ainda hoje me faz sorrir. Andávamos nós a atravessar o rio, quando vimos sair da água um casal, que se dirigiu para uma cesta que se encontrava junto a um arbusto numa das margens. Não demoraram e voltaram logo de seguida, trazendo um frasco na mão. Qual não foi o nosso espanto quando, depois de darem um mergulho, abriram o frasco  e  começaram a esfregar a cabeça com o seu conteúdo.  Era um frasco de champô e estavam a lavar a cabeça ali mesmo, no meio do rio. A risada foi geral, mas eles pouco se importaram e lá se continuaram a lavar.
Para mim, as tardes no rio eram muito agradáveis mas, para os meus pais  que deixavam de estar na aldeia na companhia dos familiares e amigos para me fazerem a vontade, nem tanto.
À tardinha, a viagem de regresso seguia o percurso inverso  pela mesma estrada e, quando chegávamos à aldeia, tínhamos que ir de novo ao banho, mas de chuveiro, pois íamos cheios de pó.
Actualmente, no Sobral Magro já existe uma piscina fluvial onde a juventude se pode divertir nas tardes de Verão. Pena é que já sejam poucos aqueles que passam as suas férias na aldeia.


 
Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Parabéns Ana Teresa




Hoje é um dia especial para O Açor. O post de hoje é inteiramente dedicado à Ana Teresa.
A Ana Teresa é a pessoa mais jovem a residir no Sobral Magro.  Entre a idade dela e a idade mais próxima há uma grande distância, não havendo outros jovens com interesses comuns, senão em datas festivas ou férias. Este era motivo mais que suficiente para eu lhe dedicar um post.
No entanto, já todos os que visitam este espaço devem ter percebido que, a Ana Teresa é uma grande colaboradora minha pois dá-me conhecimento, em cima da hora, dos acontecimentos da aldeia e da região,  com as suas fotografias. Começou timidamente com o telemóvel a fotografar o que lhe estava mais próximo e, rapidamente apanhou o "bichinho" e comprou uma máquina fotográfica.
Mas, o principal motivo que me leva a dedicar-lhe o post é porque ela faz anos hoje.
Por isso:
PARABÉNS!

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


Jogos e Brinquedos

Hoje o dia esteve novamente invernoso e triste. O vento  e fortes bátegas de chuva convidavam à permanência em casa. E, foi isso que aconteceu. A Leonor e a mãe vieram almoçar e, enquanto o almoço se fazia, estiveram a montar a casa da Barbie. De vez em quando compro-lhe uns móveis e outras pecinhas e elas adoram colocar tudo nos respectivos locais. Passam imenso tempo a brincar as duas numa cumplicidade que dá gosto.




Após o almoço, regressaram a sua casa e aqui fiquei na  companhia das minhas recordações. Como que por magia, vi-me no Sobral Magro em casa da  minha avó, ali bem junto ao Largo da Barroca.
O Largo da Barroca era o local  onde a garotada se juntava para  fazerem as suas brincadeiras e diabruras. 
E lá estavam eles. Pareceu-me ouvir uma grande algazara de meninas que se tentavam esconder enquanto a voz da Hortensita  contava:" Um, dois, três, quatro, ... cem. Arronda arronda quem quiser que se esconda."
E lá ia ela, muito pequenina mas cheia de genica, de esquina em esquina, na tentativa de descobrir as outras , que muitas vezes não conseguiam manter o riso e eram logo descobertas.
Aproveitando o facto de o tanque comunitário que havia na aldeia   estar quase sempre vazio, devido à falta de água que se sentia na época, um outro grupo de crianças brincava lá dentro. Ouvia-os dizer: "Dá-me lume" ao que o outro respondia "Vai àquela casa que te fume". Novamente se ouvia uma enorme berraria, enquanto trocavam de lugares.
O Agostinho, o Armindo, o Carlos,  os gémeos e outros rapazes jogavam à rolha. Às vezes desentendiam-se e acabavam à bulha mas, no dia seguinte, já estava tudo bem.
Eram jogos simples e não havia brinquedos, mas  as crianças gritavam e  riam entusiasmadas.
Eram outros tempos. Tempos de grandes dificuldades, mas as crianças da minha aldeia eram felizes. 



Obrigada pela visita. Volte sempre.


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Parabéns Pai!

Hoje vou, mais uma vez, homenagear o meu pai. Podem chamar-me  o que entenderem  que eu assumo.  No que diz respeito ao meu pai sou muito vaidosa e tenho um grande orgulho nele.
Desta vez, representando a Comissão de Melhoramentos de Sobral  Magro, venceu o concurso de presépios levado a efeito pela Biblioteca Biblioteca Alberto Martins de Carvalho de Coja com o seguinte trabalho:


 (Foto: A Princesa do Alva)

O presépio foi feito em madeira (as figuras), xisto (as paredes da cabana) e enfeitado com palha, todos artigos da região.
Parabéns Pai! 




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Dia de Reis

Hoje comemora-se no calendário litúrgico o Dia de Reis. Este dia é festejado de forma diferente pelo mundo fora. Em Portugal, termina a quadra natalícia.
 
Mensagens



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Vamos Cantar as Janeiras?

Vamos cantar as janeiras?
Esta é uma tradição bem portuguesa. Entre o Natal e os Reis, as pessoas, em especial das aldeias, saem   à noite e percorrem a sua povoação,  cantando algumas quadras a desejar  um bom ano aos seus habitantes. Páram em todas as casas, esperando que o dono lhes abra a porta e lhes dê qualquer coisa de comer ou beber.
Em alguns casos o cantar das janeiras é acompanhado pelo toque de diversos instrumentos. A letra das quadras que entoam diverge de região para região, mas o espírito é o mesmo.
Zeca Afonso escreveu uma canção, a que chamou Natal dos Simples, que imortalizou gravando-a em disco. Não sendo antiga, mantém a raíz popular desta tradição. 
NATAL DOS SIMPLES

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

O Grupo de Danças e Cantares de Soito da Ruiva tem vindo a cantar as janeiras em vários locais do concelho de Almada. No próximo dia 8 estará às 21 h no Solar dos Zagalos, na Sobreda, onde encerrará o cantar das Janeiras da última quadra natalícia.

Soito da Ruiva - GDCSR no Sobral
 
 
 
 
Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Até Sempre "Tio Bernardo"




Hoje o tio Bernardo encerrou o seu diário de vida. Não mais o escreverá na vida terrena e eu hoje só consigo escrever:
Até sempre "tio Bernardo"; descanse em paz.






Para a minha amiga Isabel e restante família envio as minhas sentidas condolências.
Mais informações em:
http://portosilvado.blogspot.com/


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O "Cobecas" I

No início do ano é vulgar nas nossas conversas cá de casa, fazerem-se rectrospectivas e programarem-se algumas coisas para o novo ano. Como 2011 se adivinha incerto, as conversas seguiram  rumo ao passado. É normal. Em casa ficaram só os mais entradotes porque os mais novos tinham ido passar o ano fora e, a partir de uma certa idade temos uma memória mais passada do que presente. A conversa levou-nos para a rua da minha infância, no bairro da Bica. Lá vivíamos quase como se vivia numa aldeia. Conhecia-se a vida uns dos outros, dava-se a salvação a quem por nós passava e, muitas vezes, viviam-se os problemas dos vizinhos como se de família se tratasse. Logo veio à baila o "Cobecas".
O"Cobecas" era o nome porque era conhecido um dos rapazes do meu bairro. Muito pequeno já se destacava dos outros, mesmo mais velhos,  pela sua vivacidade. Considerava-se o campeão da carica e do bilas lá da rua, mas aparecia, vezes sem conta, num grande pranto,  para fazer queixinhas à mãe, porque ficara sem os berlindes e sem o abafador.  
Os pais viam-se frequentemente em apuros pois ele nunca virava a cara a uma briga e, nem mesmo o tamanho dos rivais lhe metia medo. Claro que o resultado era voltar para casa a chorar, todo rasgado e, às vezes ferido. Tinha também  o hábito de andar na pendura  no elevador da Bica ou mesmo nos carros eléctricos. O elevador fazia um percurso pequeno, mas o 28, o eléctrico que passava no Calhariz, fazia um percurso muito grande. Por vezes, não se apercebia do passar das horas e só regressava pela noite dentro, tendo a mãe aflita,  posto o bairro em alvoroço, à procura dele.


(Imagem da revista Ilustração Portuguesa)

Muitas vezes, ouvia a voz da vizinha,  logo seguida pelas  dos diferentes vizinhos, gritar bem alto com voz desesperada:
- Ó Cobeeeecas!!! 
Eu já sabia. Ia haver tareia e castigo pela certa. Da tareia  ainda se livrava se  aparecesse a sangrar por ter caído do eléctrico ou do elevador. Aí a mãe já não tinha coragem de lhe bater, mas uma semana de castigo em casa, ninguém lhe tirava.
Era assim aquele rapaz, sobejamente conhecido por todos os habitantes do bairro, quase sempre pelas piores razões.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Happy New Year

Num início de ano que se avizinha tempestuoso para a nossa economia, uma música para amenizar a situação.
Os Abba eram um dos grupos do "meu tempo" e diz-se que vão voltar. Bem-vindos.
 HAPPY NEW YEAR!!

Obrigada pela sua visita . Volte sempre.



sábado, 1 de janeiro de 2011

Recomeça


2010 já lá vai. Está na hora de recomeçar e uma boa forma de o fazer é com a poesia de Miguel Torga, um autor que muito amou a nossa região.


RECOMEÇA

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.

E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

MIGUEL TORGA

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Fim de Ano no Sobral

A poucas horas do final do ano, na minha aldeia o entusiasmo é grande. Junto à capela arde a fogueira de Natal e, junto dela, há grande animação.




Na loja do Fernando, prepara-se a mesa dos "comes e bebes".




À porta faz-se o churrasco.
 
 


Um  grupo mais jovem inicia os festejos.





Agora que está tudo preparado, vamos juntar-nos aos nossos familiares e amigos para dar as boas-vindas a 2011. Feliz Ano Novo!

Até para o ano!

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Estória de Natal

 
A noite estava linda e as estrelas brilhavam no céu naquela noite de Natal de 1970.
Maria de Jesus, cabisbaixa como se carregasse o Mundo sobre os seus ombros, saía da capela após assistir à Missa do Galo. Nascera ao princípio do dia 25 de Dezembro há quarenta e cinco anos atrás, daí  a razão do seu nome, mas a vida sempre lhe fora madrasta.  Pouco tempo após o casamento,  o marido faleceu precocemente, deixando-lhe um filho para educar. Passou por muitas dificuldades para o criar e,  tal como muitos outros, chegada a idade da tropa foi mobilizado para a guerra do ultramar.
Já há algum tempo que Maria de Jesus  não recebia nenhum aerograma deo filho  e, o seu coração de mãe só pensava no pior.
Deslocava-se no meio de todos os habitantes da sua aldeia que alegremente conversavam à sua volta mas, enquanto os  vizinhos exuberavam de felicidade na companhia dos familiares que os tinham vindo acompanhar naquela quadra, ela estava mais só que nunca. 
Alheia a tudo e a todos seguiu para casa. De repente, sentiu-se mais triste ainda. Ao olhar para a janela  da sala, vendo-a  iluminada pensou que se esquecera da luz acesa. Como andava a sua cabeça... - pensou ela.
Arrastando-se pelo carreiro chegou  a casa. Abriu a  porta e ficou atónita. Sobre a mesa   um pequeno bolo-rei e, na sua frente, sorrindo para ela estava o seu Zé. Abraçaram-se  demoradamente e, entre choro e risos,  ele lá lhe foi explicando que tinha sido ferido numa emboscada, quando  a coluna militar onde seguia,  fora atacada. Devido ao seu desempenho heróico, ajudando a  salvar alguns dos seus colegas,  apesar de  ferido,  fora premiado com um louvor e  um mês de férias na Metrópole para se restabelecer. Pensando na data, não perdeu tempo e apanhou o primeiro avião. Após a chegada, gastou o pouco dinheiro que tinha consigo na compra dum bolo-rei e chegara alguns minutos antes.
Maria de Jesus sentiu que,  esse ano a vida lembrara-se dela e tinha-lhe oferecido  o melhor presente de sempre.

Sobral Magro
  
Passaram os anos.
A mesa estava posta com todas as iguarias tradicionais de Natal rodeando o bolo-rei.
José encontrava-se por detrás da vidraça, aguardando  os familiares que tinham ido assistir à Missa do Galo. Os seus olhos estavam fixos na entrada da capelinha da sua aldeia, tal como acontecera há muitos anos atrás mas, desta vez, no meio das pessoas que saiam da Missa do Galo, não vinha a sua mãe, que falecera no ano anterior.
Emocionou-se e uma lágrima furtiva rolou-lhe pela face. O neto que entretanto se aproximara, trouxe-o de volta à realidade, quando lhe chamou a atenção para tantas estrelinhas que havia no céu.
Era verdade naquele ano a noite de Natal estava linda e estrelada e ele pensou que, lá bem longe, no meio de todas aquelas estrelas do céu, a sua mãe estaria a sorrir para eles.


Obrigada pela seu visita. Volte sempre.



 

sábado, 25 de dezembro de 2010

Já Arde a Fogueira de Natal

Nesta época, é costume ancestral da minha aldeia, fazer-se a fogueira de Natal. No passado dia 19, um grupo de sobralmagrenses foi para o pinhal arranjar a lenha suficiente para alimentar a fogueira durante a quadra natalícia.





- A fogueira de Natal de 2010 -

Ontem, a fogueira foi acesa, mais uma vez, no adro da capela.
Como vem sendo hábito, a Ana Teresa esteve presente no local e mandou-me as fotos referentes a esta actividade.


- O grupo responsável -

O ambiente que se viveu foi de grande alegria e entusiasmo e culminou com o lançamento de foguetes.
Apesar de ser uma aldeia com poucos habitantes, esta é uma das tradições que  se vem mantendo.



A fogueira de Natal  ficará a arder, renovando-se a lenha, sempre que for necessário.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

É Natal

É Natal e por esse Mundo,
Quantos Corações sem Esperança
Quantas Lágrimas Rolando
Num Rostinho de Criança

Quanta Criança Descalça,
Rotinha, Magra, Faminta,
Apelando para o Mundo
Na Rua Estende a Mãozita...

Ah se eu fosse Poderosa
Bem Mais do que um Simples Ser,
Não Haveria no Mundo
Uma Criança a Sofrer
Por isso meu Bom Jesus
Quando o Sino Badalar
Vou fazer uma Oração
Tua Imagem Adorar

Pedirei Paz para o Mundo
Muito Amor para os Pequeninos
Alegria para os que Choram
E Pão para os Pobrezinhos

E Ajudando os que Sofrem
A Cada um Dando a Mão
Passaremos um Natal
Com mais Paz no Coração.

Maria da Luz Pedrosa






Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sonhos de Natal

Dos bolos e doces tradicionais de Natal, eu adoro sonhos. De cenoura, de abóbora ou simples constituem uma verdadeira perdição em minha casa. Normalmente faço poucas vezes mas, quando isso acontece, tenho que fazer uma grande quantidade  pois, enquanto os estou a fritar, ninguém resiste à tentação e começamos a comê-los ainda quentinhos.



Aqui fica a receita. Estes são sonhos simples.
3 dl de leite;
1,5 dl de óleo;
1 casca de limão;
Uma pitada de sal fino;
250 gr de farinha;
6 ovos inteiros grandes;
Óleo para fritar;
Açúcar em pó para polvilhar.


Deita-se o leite com o óleo, a casca de limão e o sal num tacho e deixa-se ferver. Adiciona-se  a farinha duma só vez e, mistura-se muito bem  com uma colher de pau, até  a massa se descolar do tacho.
Deixa-se  arrefecer e acrescentam-se  os ovos inteiros, um a um, mexendo sempre.
Coloca-se óleo  numa frigideira (funda) e deixa-se aquecer bem. Deitam-se  colheradas de massa e deixa-se fritar de ambos os lados. Retiram-se e deixam-se escorrer.
Polvilham-se  com açúcar misturado com um pouco de canela.

Nota:
Fritam-se poucos sonhos de cada vez, porque a massa vai abrir e aumentar o tamanho de cada sonho. Normalmente não é necessário virar os sonhos porque eles viram-se sozinhos, mas convém estar atenta para não fritarem só dum lado.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Recordações

A quadra festiva que atravessamos, em que a família e os amigos se juntam, é propícia a recordações. Umas boas outras menos boas, mas o que é certo é que por nós passam imagens do passado que fazem sorrir ou derramar uma lágrima que não conseguimos controlar.
Foi o que aconteceu comigo hoje. Lá fora chovia e eu, aqui em casa, fui acometida duma enorme nostalgia que me levou a recordar  os amigos e vizinhos com quem convivi na meninice.
Vi o prédio onde morava e ali, mesmo na minha frente, começaram a desfilar algumas das personagens que fizeram parte dessa época da minha vida.


Eu e os meus pais habitávamos o lado direito do rés-do- chão do prédio. Do lado esquerdo, a Deolinda, o Fernando e os três filhos (duas meninas e um rapaz) eram quase como nossa família. Separáva-nos o patamar da escada que servia de passagem para os andares superiores e também local de brincadeira com as meninas que habitavam no prédio. Nessa época as meninas tinham uma educação diferente da dos rapazes. Elas brincavam mais em casa, eles mais na rua. Assim, a Nanda e a Milú eram as minhas melhores amigas e delas restam apenas as recordações duma infância de dificuldades mas também de muita alegria. A Nanda foi acometida de uma doença fatal e a levou muito cedo. A Milú foi ama do meu filho nos dois primeiros anos de vida. Foi viver  para a Amadora pouco tempo depois de eu ter mudado para o Laranjeiro e perdi-lhe o rasto.
O primeiro andar era habitado pela D. Maria e o filho. A senhora era costureira e o filho estudava. Eu gostava muito de estar na sua companhia, admirando a forma hábil como ela fazia  vestidos maravilhosos e eu jurava a mim mesma que um dia usaria vestidos assim.
Mas, quando o filho deixou de estudar, conseguiu uma boa colocação nos caminhos-de-ferro em Angola e eles para lá partiram. Foi com grande tristeza que fui com a minha mãe despedir-me deles ao Cais da Rocha do Conde de Óbidos, onde o Vera Cruz os conduziu para um destino distante. Durante algum tempo, ainda trocou correspondência com os ex-vizinhos mas, aos poucos, foi escasseando até que deixámos de saber deles.
A inquilina do segundo andar era  viúva dum militar muito influente na época. Com ela moravam uma filha, mãe solteira, e uma neta mais ou menos da minha idade.
A casa era faustosa. Muito bem mobilada e com uns candeeiros que me magoavam a vista de tanto brilho, deixava-me maravilhada.
Dizia-se que tinham frequentado os salões da alta sociedade da época onde viveram  momentos de glória. Como na altura eram os homens que garantiam o sustento da casa, quando o senhor faleceu, a família entrou em decadência. No entanto, mantiveram sempre as aparências. Era vê-las a sair do prédio e subir a rua muito bem vestidas, desfilando as suas peles, de cabeça bem erguida,  irrepreensivelmente penteadas, aparentando um status que já não possuíam. Apesar de ser mãe solteira e ser alvo das conversas maldosas da vizinhança, a filha casou e abandonou o bairro levando consigo a família. No bairro, nunca mais se soube delas.
Finalmente, no terceiro andar moravam as pessoas mais idosas, a  D. Emília e o Sr. Maximino que eram naturais duma aldeia próxima da dos meus pais.  Entre as duas famílias existiu sempre uma grande cumplicidade e, como não tinham filhos,  a D. Emília  "adoptou-me". Passava muitas tardes em minha casa,  conversava com a minha mãe, fazia renda e  recordava os seus tempos de aldeia. Fazia-me as vontades todas e cheguei a ficar em sua casa, em alturas que os meus pais tinham que se deslocar à aldeia e eu não podia faltar às aulas. Após a reforma do Sr. Maximino, regressaram à aldeia natal, onde passaram o resto dos seus dias.
E, de recordação em recordação, a tarde foi passando e as imagens permaneceram no meu pensamento o resto do dia.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Semana de Natal

Um pouco por todo o mundo cristão, esta semana vamos preparar a festa maior do calendário litúrgico do ano.
A minha aldeia não é excepção e os preparativos começaram  por arranjar lenha para a fogueira de Natal.
As fotos que a Ana Teresa me fez chegar, dizem respeito a essa actividade.

É sempre um trabalho moroso, mas encarado pelos intervenientes com boa disposição e espírito natalício.
Agora está tudo a postos para se dar início à tradicional fogueira de Natal.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.