terça-feira, 15 de março de 2011

Jogo de Naperons de Quarto

Há já algum tempo que não faço nenhuma postagem sobre artesanato. Hoje, ao arrumar uma gaveta encontrei um jogo de naperons dos vários que tenho guardados.
Jogo de Quarto


Ao olhar para ele, recordei aquele tempo em que trabalhava com linhas e agulhas muito fininhas. De vez em quando, tinha que interromper o trabalho, pois o  dedo onde a agulha trabalhava  a linha, estava todo em ferida.
Estes naperons foram realizados em linha nº 60.
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Continuam religiosamente guardados juntamente com outros idênticos, pois com esta linha, penso já não ter paciência para fazer mais nada e desejo deixá-los como recordação.

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Aniversário da Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro


A Comissão de Melhoramentos de Sobral Magro está de Parabéns, pois completa hoje 59 anos de existência como associação legalmente organizada.
Muito tempo antes, já vários naturais da aldeia se tinham associado com o objectivo de  realizar algumas obras  na sua aldeia. As principais foram as construções da Escola e da primeira fonte no Largo da Barroca.


 
 

Finalmente, a 14 de Março de 1952, fundava-se uma associação com estatutos devidamente aprovados.
Aos poucos e graças ao esforço de homens simples e empenhados que lutaram abnegadamente pelos seus justos ideais, a aldeia foi-se modificando e as condições de vida melhoraram substancialmente. Sendo  pioneira em algumas obras que poucas aldeias do concelho tinham à sua disposição decerto constituiu  incentivo para melhorar cada vez mais. Actualmente os sobralmagrenses possuem as infraestruturas básicas que lhes permitem viver como nas grandes localidades, mas desfrutando dum ambiente puro e calmo.
Mas, essas obras para funcionarem devidamente necessitam de manutenção e, estando nós inseridos numa autarquia de parcos recursos, as Comissões de  Melhoramentos ainda continuam a  fazer sentido. Os Estatutos prevêem mandatos  anuais, mas os elementos que formam a lista atual foram-se disponibilizando para prolongarem o seu desempenho, conseguindo sempre substituir as lacunas que se foram verificando.  No entanto, o desgaste tem sido grande e chegámos a uma altura em que  a maior parte dos seus elementos manifestaram já a sua decisão de não continuarem.
Por isso, no dia de hoje, faço votos para que na Assembleia Geral a realizar no próximo dia 22 de Agosto no Sobral Magro, apareça uma nova lista que dê continuidade ao trabalho iniciado pelos nossos heróicos antepassados.
Como Presidente da Assembleia Geral , deixo  aqui o meu desejo de muitos anos de vida para a coletividade,  depositando a maior das confianças nos   meus conterrâneos no sentido de  não deixaram morrer a sua colectividade.
 
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Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

domingo, 13 de março de 2011

Parabéns Comissão de Melhoramentos do Vale do Torno


Vale do Torno

Tal como anunciei  há dias  realizou-se hoje o almoço comemorativo do aniversário da Comissão de Melhoramentos do Vale do Torno.
A exemplo de anos anteriores, estive presente. Desta vez,  a Quinta dos Girassóis, em Fernão Ferro, foi o local onde se realizou o evento.
Muitas caras conhecidas do Vale do Torno e de algumas aldeias vizinhas marcaram a sua presença. Para mim é sempre um prazer poder estar presente nestas ocasiões, pois acabo sempre por matar saudades de pessoas conhecidas que raramente tenho oportunidade de encontrar.
 

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- Porto Silvado e Soito da Ruiva, presentes -

O almoço foi muito bem servido e o ambiente que se viveu foi de alegria e confraternização.
No local havia à venda algumas recordações do Vale do Torno, bem como um álbum de fotografias onde pudémos apreciar a evolução daquela aldeia, através dos tempos.
A encerrar a comemoração, cantaram-se os Parabéns à Comissão, sendo depois distribuídas fatias de bolo e uma taça de espumante por todos os presentes.


Para os amigos do Vale do Torno, vão os meus sinceros
 PARABÉNS


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.




sexta-feira, 11 de março de 2011

Fim de Semana com Poesia de Thiago Mello


FULGOR DO SONHO
De tudo o que já me deu
agradeço à vida o sonho
da rosa que não ganhei.


Minha mão não alcançou
a estrela que desejei.
Seu fulgor o sonho inventa,
invisível no meu peito.


O navio embandeirado
que espero desde criança
está custando a chegar.


Não faz mal, canta o meu sonho,
nas águas que ele navega


Sabem a sal de esperança.
Nada perdi... como posso
perder o que nunca tive?


Vivo a vida do meu sonho,
meu sonho, de sonho vive.


Thiago de Mello

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


quinta-feira, 10 de março de 2011

Uma Professora na Serra II

Dormira muito pouco. A ansiedade era muita e, quando o relógio tocou, saltou da cama com a mesma energia duma noite bem dormida.
Os pais fizeram questão de ir levar a "sua menina" ao local onde ela iria passar os próximos meses dando início à sua actividade profissional.
Fizeram-se ao caminho. A estrada da Beira era mais ou menos conhecida no entanto, quando tiveram que sair para uma estrada secundária, as coisas começaram a complicar-se.
Passaram por várias aldeias. Engraçadas mas um pouco estranhas para as suas vivências.  Entretanto, acabara o alcatrão e uma enorme nuvem de poeira perseguia o carro. De vez em quando sentiam-se apedrejados pois, as pedras soltas ao serem pisadas pelos pneus, saltavam batendo na parte inferior do carro.
Chegados a Pomares, a sede de freguesia, pensaram que a aventura estava a terminar, mas quando perguntaram qual a estrada para o Sobral Magro, foram informados que não havia e que teriam que fazer o resto do percurso a pé,  por um caminho de bois. "Não há nada que enganar. Sigam sempre em frente, não saiam por ramal nenhum" - dizia-lhes um homem simpático de sacho ao ombro.
Já estavam por tudo e iniciaram a caminhada.
" Esperem lá. Está ali um homem do Sobral e vocês vão com ele que assim já não se perdem."- Era a voz da pessoa que lhes dera a informação, a gritar atrás deles.
Mais aliviados foram apresentados a um senhor simpático que subia a rampa montado num macho.
 

Quando lhe disseram que ela era a professora que iria lecionar na escola da sua aldeia, mostrou um sorriso afável ao mesmo tempo que saltava do macho   dizendo:  "Minha senhora o caminho é longo. É melhor montar no macho para não se cansar."
Ela ficou sem palavras pois tinha receio de montar o animal e recusou educadamente. No entanto, aceitou que lhe transportasse a mala da roupa e o saco com alguns mantimentos. Foi aconselhada a trocar de sapatos, bem como a mãe, pois com os que traziam  não chegariam   à aldeia.
Deram início à longa caminhada. O senhor era bastante simpático e comunicativo e foi-lhes falando da aldeia e dos seus habitantes. Subiram e desceram encostas sucessivas sempre rodeados de denso arvoredo. Os pés já doíam e, nas descidas as pernas tremiam. Durante o percurso,  os seus sonhos  foram-se transformando, o cansaço tomou conta do seu corpo e arrependeu-se de não ter aproveitado a "boleia" mas, fez-se forte e resistiu.
Chegados à aldeia, encaminharam-nos  para a casa  que iria ocupar. Feita em xisto, escura e triste era muito diferente da sua em Coimbra, mas estava tão dorida que só pensava em descansar.
Entraram. Em frente da porta da entrada havia dois pequenos quartos com uma cama de ferro cada um , cobertas com colchas de algodão, impecavelmente brancas. Num deles havia uma mesinha e no outro uma pequena arca.  Subiram depois a escada que terminava numa  salinha onde havia  uma mesa encostada a uma parede, sobre a qual se destacava um candeeiro a petróleo e,  em volta da mesa algumas  cadeiras. Numa outra parede havia também  pequena arca.
Da sala passaram para a cozinha. Na lareira duas panelinhas de ferro e um púcaro de barro estavam prontos para cozinhar. Ao lado, sobre uma pequena mesa via-se uma máquina que funcionava com petróleo. Encostada a uma das paredes via-se uma cantareira com algumas peças de loiça e dois cântaros no  local próprio. Na outra, havia  um lavatório,  um jarro e um grande alguidar pendurado no frontal. Alguns banquinhos completavam o mobiliário.  Foi então informada que na aldeia não água ao domicílio , nem luz elétrica, nem saneamento.
Os pais aconselharam-na a partir com eles mas ela negou-se pois,  se as professoras anteriores lá conseguiram permanecer, ela também teria que conseguir.
Os donos da casa ofereceram-lhes então comida e bebida deram-lhes algumas informações sobre o modo de vida na aldeia e passaram o resto tarde a arrumar os seus pertences. Quando finalmente se deitou, o cansaço era tanto que adormeceu de imediato sem sequer ouvir os pais que, no quarto ao lado, combinavam a forma de a fazer demover da ideia de ficar "presa" naquela aldeia.
No dia seguinte, já restabelecida, de nada valeram os pedidos dos pais que  partiram, na companhia da senhora que distribuía o correio.
À medida que os via a afastarem-se,  vendo a cara chorosa da mãe de cada vez que  olhava para trás para lhe acenar, ainda vacilou e sentiu uma vontade quase irresistível de correr atrás deles. No entanto, o seu orgulho falou mais alto. As lágrimas rolaram-lhe pela face mas, ergueu a cabeça e fechou a janela com a força de  quem encerrou  um ciclo de vida.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Almoço de Aniversário da Comissão de Melhoramentos do Vale do Torno

Após uma breve ausência, regresso com a divulgação de mais uma iniciativa duma aldeia da serra do Açor. Desta vez é o Vale do Torno que, no próximo Domingo dia 13 de Março pelas 12h 30 m,  realiza um almoço comemorando o 56º aniversário  da sua existência, na Quinta dos Girassóis em Fernão Ferro.
Como de costume, antecedendo  o almoço, realizar-se-á a Assembleia Geral Ordinária daquela colectividade.
 
Vale do Torno
 
 
A Ementa é a seguinte:
ENTRADAS

Paio fatiado, gambas cozidas, rissóis de carne, presunto fatiado, bolinhas de carne, rissóis de camarão, cubinhos de queijo, bolinhas de bacalhau.
Moscatel, Martini Rosso, Martini Bianco, Gin, Água Mineral, Vinho Branco e Refrigerantes

PRATOS QUENTES

Creme de Legumes
Bacalhau com Broa e Batatinhas a Murro
Lombo de Porco com Ananás

SOBREMESA

Pudim Flan Tropical

BEBIDAS

Vinho Tinto e Branco, Cerveja com ou sem alcool, Refrigerantes e Água Mineral
Café/chá, digestivos (Whisky novo, Licor Beirão, Licor de Whisky e Bagaceira)

Bolo de Aniversário e Espumante
Preço:

Maiores de 10 Anos … 25 €
Dos 4 aos 9 Anos …. 15 €




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Uma Professora na Serra


Corria a década de cinquenta. Sentada junto à janela de casa, contemplava a serra que a acolhera e que nos últimos meses aprendera a amar. Aproximava-se o dia da partida e, vendo o sol a descer no horizonte, recordava como tinha vindo parar àquela aldeia.

Nascera  em Coimbra  cidade que bem conhecia, onde sempre vivera. Poucas vezes de lá saíra, excepto nas férias de Verão que passava com os avós  na Figueira da Foz, quando ia a Lisboa visitar familiares e uma vez que tinha ido à serra da Estrela, numa excursão do Liceu, de que ela gostara muito.
Quando saíram os resultados dos concursos de professores, exultou de alegria por poder iniciar a sua vida profissional. Muitas das suas colegas tinham ficado sem colocação e ela tinha um local para trabalhar. A escola era longe e a localidade nem vinha no mapa. Na Direcção Escolar, informaram-na que a escola ficava  lá para a serra. Mas, que interessava isso? Ela já tinha ido à serra da Estrela e gostara muito. Além disso, ia ter uma escola, os seus primeiros alunos e ganharia o seu dinheiro. Decerto iria fazer novas amizades e, quando não pudesse vir a casa, ao fim de semana, aproveitaria para conhecer melhor a região. Alugaria um táxi e faria passeios com as raparigas da terra, que iriam ser suas amigas com certeza. Nunca tivera dificuldades em fazer amizades e não seria agora que isso iria acontecer.

Deitou-se imaginando uma simpática aldeia com muita juventude, onde iria passar bons momentos. O entusiasmos era tanto que, nessa noite quase não pregou olho. Pela sua cabeça passaram as imagens da excursão que fizera alguns anos atrás. Na subida para a serra, a estrada era  estreita, íngreme e cheia de curvas. Ela e as colegas caíam cada uma  para seu lado , conforme as curvas. Exageravam a queda o que provocava sonoras  gargalhadas  De vez em quando, apercebiam-se da paisagem que cercava a estrada; arregalavam os olhos soltando gritos de aflição ao verem  os precipícios à beira da estrada. Logo aparecia  outra curva e tombavam de novo,  recomeçando a risada.
Quando chegaram à Torre, ela  ficou extasiada. Talvez por  sempre ter vivido num meio urbano, adorava a  natureza e a  nudez dos cumes  rochosos  contrastando com a verdura  dos campos situados no sopé das montanhas, deixou-a boquiaberta. Lá no fundo, tudo parecia minúsculo e ela,  ali no alto, respirando a  brisa daquele dia quente de Verão, sentiu-se tão leve!
E foi assim, recordando as peripécias vividas nesse passeio, que  acabou por adormecer  já a noite ia alta. E sonhou. Sonhou com uma pequena mas bela aldeia onde nada faltava...
(Continua)



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.




quinta-feira, 3 de março de 2011

Acácias Mimosas

 
Nos últimos dias, a serra já começou a mostrar, embora timidamente, alguma da beleza que terá o seu apogeu durante a Primavera.
Aqui e além já se notam algumas manchas cor de rosa das urzes floridas, mas a cor que reina no momento é o amarelo das mimosas.



 Ao longo da estrada é notória a proliferação de acácias (mimosas) que  se estão a espalhar pela serra. Nesta época conferem um colorido espetacular a toda a região mas, se nada for feito, rapidamente tomarão conta de tudo, pois esta espécie  é a  invasora mais agressiva em Portugal.
É resistente e propaga-se com bastante facilidade principalmente após os incêndios. Sendo a nossa região frequentemente assolada por essa calamidade,  não admira pois, que as mimosas  alastrem e em pouco tempo venham a ocupar toda a serra, provocando a destruição de toda a mancha florestal endógena.





Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Fim de Semana na Serra

Tal como aqui mencionei, fui "à terra". A semana tinha estado com temperaturas primaveris e decidimos ir passar o fim de semana na serra.
Como os meus sogros viajaram connosco, aproveitámos para fazer uma visita ao Centro de Dia de Pomares do qual eles são utentes. Era Sábado e as funcionárias estavam a almoçar após terem feito a distribuição de refeições pelas aldeias da freguesia. Interromperam de imediato o almoço e vieram até ao carro para cumprimentarem a minha sogra. São pessoas extremamente afetuosas e todos os dias, mesmo Sábados, Domingos e Feriados entram alegremente pela casa de cada utente, levando alimento tanto para o corpo como para a alma.

Centro de Dia - Funcionárias



Ao fim da tarde, fui desafiada pela Ana Teresa e pela Renata, para uma caminhada. Aceitei o desafio e lá fui com elas, levando a máquina fotográfica para captar algumas imagens da serra.
A tarde caía amena e bonita e o passeio fez-me muito bem pois aproveitei para encher os pulmões de ar puro e desentorpecer as pernas.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 1 de março de 2011

8º Aniversário do G. E. Raízes de Sobral Gordo

No último fim de semana desloquei-me à aldeia. Regressei no Domingo e ainda cheguei a tempo de assistir a parte da festa de aniversário do Grupo Etnográfico Raízes de Sobral Gordo.
O salão da SFUAP estava repleto de pessoas amigas e de algumas entidades concelhias que não quiseram deixar de manifestar o seu apoio ao grupo aniversariante. Para além deste grupo actuaram também o Rancho Folclórico de Vale Flores (Feijó) e o Grupo de Danças e Cantares do Soito da Ruiva. Entre as actuações tivémos também oportunidade de apreciar as exibições de alguns pares de dança de salão.
Numa banca/venda, para além de artesanato diverso, bolos e doces da região, a ginjinha do Sobral Gordo foi a mais solicitada.

PhotobucketNão posso deixar de referir a presença dum animado grupo da freguesia de Pomares que esteve presente, tendo sido organizada uma excursão pela Sociedade de Melhoramentos para o efeito. Bonito gesto de apoio.
Não vou descrever tudo  aquilo a que assisti pois os outros blogs da região estão a fazê-lo muito bem, mas vou chamar a atenção para aquilo que me "tocou" mais fundo. É conhecida a   mágoa com que assisto à desertificação das aldeias onde estão as minhas raízes. No entanto,  nos dois grupos da freguesia de Pomares,  a Juventude está a marcar uma presença considerável. Para além disso,  a alegria que se vê estampada nos seus rostos e a garra com que se entregam  fez-me renascer a esperança.
Estas imagens são prova disso.



- A Juventude e a sua boa disposição -
(Foto: Jornal de Arganil)

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- Filha que segue os passos da mãe -


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- Avós que se revezam a cuidar das crianças.-

Mas o que mais me emocionou foi este bebé que faz parte do Grupo Etnográfico Raízes do Sobral Gordo desde os seus primeiros dias.



(Foto: Jornal de Arganil)





Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mãe

Há dia em que as recordações estão mais presentes e  a saudade aperta. Hoje foi um desses dias. A imagem duma pessoa muito querida não me saiu da cabeça. Alguém que muita falta me fez e faz ainda: a minha mãe. Perdi-a cedo. Primeiro, embora ainda cá andasse na Terra, já não conseguia entender-me quando eu necessitava de desabafar. Mais tarde, Deus levou-a para junto de Si e  sinto agora que  ela  me entende  quando, em momentos difíceis, desabafo com ela.
Hoje é  o   dia do seu aniversário e, onde quer que ela esteja, estará rodeada de muitos familiares que a acarinharão enquanto vão olhando pela família que têm na Terra.

 
Em sua homenagem, trouxe um poema do  Luís  que ele publicou no seu  blog  lidacoelho e   que achei adequado para o dia de hoje.

Recordações



O vento frio corta o rosto sereno
Perdido em nuvens de pensamentos
Que entram carregadas de perguntas
E devassam o canto do silêncio ameno.
Acordam na penumbra do esquecimento
As respostas que não tem entendimento.
A fúria das brisas suaves que nos marcam
Nos encantam e seduzem as vontades
Com desejos de carícias mansas e afagos
Que em tempo as mãos da mãe nos davam
São sonhos que conservo e ainda os trago
Presos nestas datas que os dias marcam.
São flores adormecidas num canto a sonhar,
Ventos frios vestindo roupas mais quentes
Manhãs lentas acordando saudades ausentes
Viagens longas que acabam de chegar.
Momentos finos de recordações que dobram
As curvas dos sonhos que ainda sangram.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

É Bom Recordar




Foi há 48 Anos. Na minha aldeia ainda se vivia nuna luta  devido à  falta de água potável. A população da Foz da Mourísia, um pequeno aglomerado anexo ao Sobral Magro, viu os seus objectivos  alcançados com a construção dum marco fontenário, onde se passou a abastecer. A notícia deste acontecimento veio publicada no jornal da freguesia, o Notícias de Pomares na sua edição de Fevereiro de 1963.




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

G.E.Raízes de Sobral Gordo

Uma vez mais, o Grupo Etnográfico Raízes de Sobral Gordo, irá  representar  a nossa região, respondendo ao convite da Câmara Municipal de Arganil. Desta vez, estará presente  no pavilhão da FIL, no Parque das Nações em Lisboa, onde   partilhará o stand com a ADIBER e outros municípios da Beira Serra, animando a Bolsa de Turismo de Lisboa.

 Este  evento realizar-se-á na próxima 6ª feira - 25, às  21 h  e este grupo irá certamente contribuir para o prestígio e divulgação da região da serra do Açor.
 
Grupo Etnogr   

Nas palavras da Odete, dinâmica coordenadora do grupo "Da nossa parte tudo faremos, para que mais uma vez o nosso Concelho e toda a nossa região não deixe os seus créditos por mãos alheias. Se estiver por Lisboa, não deixe de passar por o Parque das Nações e ir à B.T.L., apoiar o nosso grupo e todo o nosso Concelho".
Não faltem.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Regresso

No post anterior foi contada uma estória comum a uma grande parte das mulheres da Serra do Açor na primeira metade do século passado. Os homens rumavam à cidade onde procuravam emprego que muitas vezes  era  temporário. Assim, as mulheres ficavam na aldeia a trabalhar na agricultura para poderem garantir o sustento nas alturas em que não havia trabalho em Lisboa. Para além de se dedicarem  à agricultura, tinham também animais que criavam. Era normal terem  grandes rebanhos de cabras e ovelhas, um ou dois porcos, galinhas e coelhos. Era uma vida muito dura em que, em alguns anos, as colheitas nem sequer  compensavam o trabalho que tinham tido.


Com o passar dos tempos, alguns homens conseguiram empregos efectivos  e exigiram a presença das suas mulheres em Lisboa. No entanto, longe da sua terra natal, viviam com o desejo de um dia regressarem. Economizavam o mais que podiam  e, empregavam as suas economias na  construção  duma casa na aldeia. Finalmente, quando atingiam a idade da reforma  e os filhos já estavam "amparados" regressavam ao local que os vira nascer, para ali passarem os últimos tempos de vida. 
Este desejo era comum aos naturais de muitas aldeias e  Miguel Torga, que viveu durante algum tempo em Arganil, retrata como ninguém esse desejo no poema :



Serra do Açor
Regresso

Regresso às fragas de onde me roubaram.
Ah! minha serra, minha dura infância!
Como os rijos carvalhos me acenaram,
Mal eu surgi, cansado, da distância!




Cantava cada fonte à sua porta:
O poeta voltou!
Atrás ia ficando a terra morta
Dos versos que o desterro esfarelou.




 Depois o céu abriu-se num sorriso,
E eu deitei-me no colo dos penedos
A contar aventuras e segredos
Aos deuses do meu velho paraíso. 

MIGUEL TORGA


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Joaquina, Mulher da Serra

O dia amanheceu quente e ensolarado. Vergada pelo peso do molho do mato, Joaquina subia a custo a ladeira que a conduziria à sua fazenda. Levantara-se mais cedo  para se despachar pois o  "homem" reformara-se e vinha "de todo" para a terra.
Pelo caminho fez uma retrospetiva da sua vida já longa.
Nascera no seio duma família que, não sendo das mais abastadas, vivia desafogada. Tinham muitas terras de cultivo e o pai, pedreiro de profissão, tinha emprego quase todo o ano. Desta forma, para além dos produtos agrícolas   entrava dinheiro em casa, que lhe permitia algum desafogo na criação dos quatro filhos.
Já crescida, resolveu ir com outras raparigas da aldeia para as Minas da Panasqueira. Ali trabalhou durante algum tempo e, motivada pelas amigas ainda andava no salta-e-pilha. Assim juntou algum dinheiro para fazer o seu enxoval.
Como era hábito  os rapazes partirem para Lisboa em busca de emprego,  os irmãos de Joaquina também abandonaram a aldeia. A partir e então, deixou o trabalho nas minas para poder  prestar uma ajuda maior à mãe, passando a dedicar-se apenas ao amanho das terras.
Depois de casada, continuou na aldeia  como muitas outras mulheres enquanto os maridos  trabalhavam em Lisboa. Só pela festa e quando o trabalho do campo apertava mais, eles vinham dar uma ajuda.


Sempre que juntavam algum dinheirinho, empregavam-no na compra de terrenos. Na época, a riqueza das pessoas contabilizava-se pela quantidade de terras que possuíam. E, assim, cada vez a fazenda era maior e o trabalho também. Quis Deus que ela tivesse quatro filhos, todos eles rapazes. Trabalhou muito para os criar e, quando eles já lhe podiam dar uma ajuda, partiam para Lisboa. Toda a vida se lastimou por não ter uma "filhinha" para a ajudar.
Os anos de trabalho árduo foram-se sucedendo. Por vezes, em anos de seca em que  cada minuto de água era aproveitado para regar, tinha que o fazer de  noite, à luz da lanterna. E ela que tinha medo de tudo, passava a noite em sobressalto, assustada até com a sua própria sombra que se refletia no borralho do caminho.
Mas, nessa manhã acordara  mais alegre e a ansiedade apertava-lhe o peito. À   tarde chegava  o seu "homem"  para a ajudar e acompanhar o resto da vida.
E, nessa esperança, o caminho pareceu-lhe menos íngreme e o molho do mato muito mais leve.

Foto: Sónia Coisinha


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Pernil de Porco

Chegado o fim de semana, há algum tempo mais para cozinhar. Desta vez deixo uma sugestão culinária para quem não estiver em dieta ou não tenha problemas de engordar: Pernil de porco assado no forno.

Ingredientes:

1 Pernil de Porco
1 Cebola
Vinho branco - q.b.
3 dentes de Alho
Colorau
Louro
Pimenta
Azeite
Sal q.b.
Batatas

Confecção:

Dê uns golpes no pernil, esfregue-o com sal e coloque-o  num tabuleiro. Regue com azeite,  junte os alhos picados, vinho branco, um pouco de colorau, louro, pimenta e deixe-o assim,  de um dia para o outro.
No dia seguinte  junte uma cebola grande cortadas às rodelas,   acrescente água e leve a assar em  forno forte, baixando-se  depois para  a carne alourar sem deixar queimar. De vez em quando, regue o pernil  com o molho. Junte batatinhas pequenas previamente descascadas e deixe-as assar também no molho.
Se gostar pode acompanhar com arroz branco e uma boa salada.
Bom proveito!





Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

ArteIdeias - Mãos de Fada

Esta é a capa duma das revistas da Editorial Nascimento, onde são publicados alguns dos meus trabalhos  de rendas e bordados, bem como  das minhas colegas do Pólo Cultural da Junta de Freguesia de Fernão Ferro.
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Nesta revista, a Nº 43, saíram alguns  individuais e toalhinhas que terminei nos últimos tempos. Nela encontram-se os respectivos esquemas e pontos e picôs utilizados.

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Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Coisas de Professora

A minha vida profissional como professora do 1º ciclo iniciou-se no Sobral Magro. Na  aldeia vivia-se em condições precárias. Não havia luz elétrica, nem água canalizada mas, na casa dos meus pais tínhamos   um gerador de energia eléctrica , no sótão  um depósito que enchíamos ligando uma mangueira à fonte e no quintal havia uma grande fossa  que me  proporcionou  boas condições vida enquanto lá estive a lecionar. No entanto na escola nada disso havia. Os Invernos rigorosos eram uma aventura. Tínhamos uma salamandra na sala de aula mas não defumava em condições. De cada vez que a acendíamos,  num instante ficávamos  envoltos numa nuvem de fumo e o ar que se respirava na sala era insuportável. Muitas vezes chegávamos à Escola e não tínhamos visibilidade na sala. Ficávamos a conversar até o Sol romper as nuvens e termos luz suficiente para poder ler e escrever.
Foi o meu primeiro ano de trabalho docente e para mim foi muito positivo  porque conhecia muito bem o local que adorava. Reconheço que para quem não tivesse o mínimo conhecimento do que era viver na serra no século passado, não seria um embate muito agradável a chegada a uma aldeia isolada onde não se conhecia ninguém e onde se iriam passar os meses seguintes afastado da família e do seu meio. Eu não, estava entre a minha gente numa aldeia onde desde pequena passava as férias e me sentia muito bem.
Uma parte dos alunos vinham de longe e, era com grande admiração que via aquelas pequenas crianças chegarem à escola, de mãozitas geladas, faces queimadas pelo frio, mas sempre com um sorriso nos lábios.
Um deles, eu até conseguia adivinhar quando  estava a chegar pois ouvia-o, ao longe, a cantar ou a assobiar. Era o José Carlos que chegava com a Adelina, vindos do Sobral Gordo. Então, eu pensava como podia aquela criança enfrentar um longo e perigoso caminho para ir à Escola, com a alegria que sempre demonstrou.
O tempo passou e, hoje, não me admira  que ele seja um dos membros do Grupo Etnográfico Raízes do Sobral Gordo onde canta e me encanta pois ao ouvi-lo, sinto-me com 20 anos à porta da Escola do Sobral Magro, à espera que ele chegue com a sua companheira de aldeia.

Foto: Facebook do Raízes do Sobral Gordo

 
Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

8º Aniversário do G. E. Raízes de Sobral Gordo




O Grupo Etnográfico Raízes de Sobral Gordo está hoje de Parabéns. Há oito anos iniciaram a sua existência na garagem da sua coordenadora  Odete Francisco, mulher dinâmica que muito tem lutado pela valorização  e divulgação da sua aldeia (berço natal do meu pai).
Desde então, este grupo tem dignificado o nome do Sobral Gordo e da região por todo o lado onde têm atuado. De atuação em atuação vão divulgando a música, danças, cantares, usos e costumes da beira serra.
Para comemorar a data, vão realizar uma festa no próximo dia 27 de Fevereiro, na S. F. U. A. P.  na Cova da Piedade, para a qual convidam todos os que quiserem estar presentes.
Terão ao seu dispôr entre outras iguarias, a  broa de milho, o  mel e a  Ginjinha do Sobral Gordo.

O programa é o seguinte: 






Obrigada pela sua visita. Volte sempre.