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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Linguagem da Minha Aldeia - L

Continuando o tema iniciado em: Linguagem da Minha Aldeia, hoje vêm as palavras começadas com:


L

Laínça - Indivíduo com cabelo comprido.
Laje - Ladrilho em pedra de xisto rudimentar utilizado na execução de pavimentos lajedo
Lambada; Chapada, pancada com a mão
Lambão - comilão/que tira primeiro
Lambisgóia - pessoa espantada
Lambisqueiro - que, só come o que lhe agrada
Lamparina - Lambada, bofetada
Lampeiro - Desembaraçado
Lamúria - choramingueira
Lançar fora - Vomitar
Lancha - Pedra
Lapacheiro - lamaçal
Lapada - Bofetada
Laréu - conversa
Lavagem - Comida para dar aos porcos
Laurear - vadiar
Lazeira - preguiça 
Leira - Rego que o arado abre na terra, e no qual se lança a semente; sulco. 
Listrado- Aperaltado
Levedar - fermentar
Lixado -tramado
Lorpa - comilão
Luz-cu - pirilampo
Luzír - brilhar
Luzir - Render, ser compensador, ser lucrativo

 


 photo SobralMagro14.jpg
 

 
Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Linguagem da Minha Aldeia - I

Continuando o tema in iciado em: Linguagem da Minha Aldeia, hoje vêm as palavras começadas com:


I




Imberter - Verter, entornar
Imbusinado - Embusinado,  estômago cheio
Imonado - Chateado
Impar - Gemer
Impeçar - Impedir, estorvar
Impolado - Empolado, com bolha
Incaminhar - Encaminhar, orientar
Incertar – Encertar, começar
Inda - Ainda
Indemigo - Inimigo, demónio
Ingrimanço - Engrimanço, pessoa desluzida
Inguiçada - Enguiçada
Inguiço - enguiço, mau - olhado
Interpicar - implicar
Ingíves- Gengivas
Ingrilar – Engrilar, tentar ver  
Inté - até
Intura - untura, gordura
Inxaugar - enxaguar
inxunda - enxúndia, gordura
Irejo – hereje, ateu




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.






quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Linguagem da Minha Aldeia - G


Continuação do tema in iciado em: Linguagem da Minha Aldeia

G

Gadanha – concha da sopa
Gadelha - cabelo
Gafuge - crianças
Gaifanas - pestanas
Gambuzinos - pássaros imaginários que andam de noite
Gargalo - pescoço
Garroucho - Pau torto
Garruça - Carapuça, gorra
Garrudo - muito cabeludo pelo corpo
Gavelada - pequeno molho, paveia
Gosma - interesseiro
Goilão - esófago
Gomitar - vomitar
Gorlear   gloriar, pessoa que se compraz com o mal dos outros.
Guieira - vento frio
Grado - Que "gradou", grande
Gravetos - Lenha miúda
Guieira - vento frio
Guita - Cordel



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Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Linguagem da Minha Aldeia - F


Continuação do tema in iciado em: Linguagem da Minha Aldeia

F


Fanico - desmaio
Fariseu - mau/ que faz maldades
Forro- sótão
Fungar - choramingar
Fintar - fermentar
Folaita - gaita de beiços
fazenda - terrenos de cultivo
Farrombão - arrogante
Fedor - mau cheiro
Forfos - fósforos
Farpela - roupa
Fisga - fresta
Foita - confiante
Fraga - rocha
Frangalho - trapo
Fronha - cara
Fusco - sujo


 
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Obrigada pela sua visita. Volte sempre.
 




 


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Linguagem da Minha Aldeia - E


Continuação do tema in iciado em: Linguagem da Minha Aldeia

E

Embaçado - cansado
Embusinado– cheio
Empalamado - Doente 
Encertar - iniciar; começar a comer
Empandinado - de barriga cheia
Empernar - Emparelhar,;fazer equipa com
Empontar - mandar embora; expulsar

Encaramelado - enregelado
Enchaibido - pouco apaladado
Enchixarrado - vaidoso
Enfadado - cansado
Engadanhado – com frio
Engalinhado - cheio de frio
Enjorcado - arranjado 
Enrodilhar -embaraçar
Entrementes - entretanto
Enxerga – cama de pobre
Enxergar - ver
Enchapoçado - ensopado
Engalfanhado - emaranhado
Esbarrondar - demolir; fazer ruir
Esborcelar - partir o rebordo de um recipiente
Esborralhar - desmanchar
Esborralhar - desmanchar
Esbrinçar - partir
Escairado - inflamado
Escaleira - escadaria
Escanchada - passada largo
Escardar – escavar
Escarrapachado - montado com uma perna para cada lado
Escarrapeteiro - planta daninha com muito espinhos
Escarranchado - com as pernas muito abertas
Escochada – côdea da broa meia levantada
Esfandangar - despedaçar
Esgadanhado – arranhado
Esgaziado - doido
Esgravilhar - esgaravatar, mexer

Especado – parado
Espeque - escora
Espichar - esticar
Esquife - tumba; caixão
Esterco- estrume
Esterlicada - muito magra
Estiado - sem chover
Estonar - lavar bem lavado
Estortagar - torcer o pé
Estrofegado - assustado em pânico
Estrumada - recinto à porta das casas onde se punha mato para fazer estrume



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                                                     Obrigada pela sua visita. Volte sempre.
 









segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Linguagem da Minha Aldeia - D

Continuando o tema in iciado em: Linguagem da Minha Aldeia, hoje vêm as palavras começadas com:


D
Dalpardo - de alpardo, lusco-fusco
Delir - desfazer
Derreada - cansada,moída, 
Dormente – trave em cima da parede onde apoiam os barrotes ( que vêm da cumeeira)
Damonho – diabo
Degredo - martírio
Deborcar - virar um objecto
Degredo - martírio
Dejua - primeira refeição do dia
Derreado - Coxo, cansado, que se arrasta
Derriçar - tirar bagos das uvas
Desancar - bater
Desobrigar - confessar (Quaresma)
Destrambulhado - aparvalhado
Diacho  - diabo
Dormente – trave em cima da parede onde apoiam os barrotes ( que vêm da cumeeira)
 
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Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Linguagem da Minha Aldeia - C

Continuação do tema iniciado em: Linguagem da Minha Aldeia . Agora vêm as palavras começadas com a letra

C

Cabaço - recusa por parte da rapariga em dançar com um rapaz.
Cabo - fim
Cabito - lugar
Cachaço - Pescoço volumoso
Cachapeira -Árvore com  copa de  grande dimensão
Caçoila - tacho de barro
Cadela - bebedeira
Cantareira - móvel de prateleiras para arrumação de pratos e cântaros
Cântra - Cântara
Canucho - resto do caule do milho depois de cortado, Penas das aves quando estão a romper
Cramelo -  Gelo que se forma nos charcos ou nos tanques das hortas por acção do frio
Cagadouro - local onde as pessoas iam defecar
Caganátias - excremento de ovelha, cabra, coelho,...
Cagança - vaidade
Cagão - vaidoso
Cagoiço - va de ameixas pequenas
Cagueira - variedade de enchido
Caguinchas - medroso
Caldeiro -  Balde cilíndrico em chapa de zinco para fazer a comida do porco.
Caldeirão - Corrente presa no  telhado da cozinha onde se  pendura o caldeiro
Calhandreira - Alcoviteira
Calhandrice - coscuvilhice
Calhau - pedra de arremesso
Calhordas - fulano torto/ ruim
Cambulho - pessoa mal jeitosa
Canada – canal por onde é conduzida a água
Canalha - Criançada, miudagem
Canetas - Pernas finas
Canevadas - Chuva intermitente
Caniço - a parte do sótão por cima da lareira que servia entre outras coisas para secar as castanhas.
Cangalhas - óculos
Cangalheiro - agente funerário
Cangarilho - coisa desajeitada

Canojos - canoilos
Caralhota - planta espontânea Caravela - engenhoca para afastar os gaios e outra passarada das culturas
Carne fresca - carne de cabra assada no forno, chanfana.
Carolo - Parte dura (amarela) da farinha de milho com se fazem papas
Carujar - chuviscar
Caterva - grande quantidade
Catrapiscar - andar atraz duma rapariga para namorar
Catrino - O mesmo que "catano" aplicado numa forma mais suave
Carvalheiro - estaca para segurar os feijoeiros
Carujar - chuviscar  
Ceifadeira - ceifeira
Chabouco - buraco fundo
Chambaril - - utensílio de pau para pendurar o porco
Chamiço - Ramo de lenha para acender o lume
Chanca - Pé grande
Chavelho - Chifre pequeno
Checulateira - cafeteira de barro que servia para fazer o café
Cheringa - Seringa
Chiba - Cabra pequena
Chibato - Bode
Chincar - Picar, furar
Chisnada - queimada

Chiqueiro - lixo

Chispa - sai
Chós - armadilha para apanhar essencialmente perdizesChouriças - Manchas vermelhas que se formam nas pernas das mulheres devido ao calor das brasas
Chusma – muito, montão
Cisco - partícula de pó ou grão de areia
Clamar - Resmungar, ralhar
Coalhada - leite coalhado
Cobrão - Doença de pele (Zona)
Côca -  Entidade imaginária com que se assustavam as crianças
Codita - pequeno pedaço de pão
Coisito - bocadito
Cômbaro - socalco feito na encosta para cultivo
Comédias - espectáculo de saltimbancos
Corar- branquear roupa ao sol
Córleas - água dum vómito
Cornecho – pedaço
Coscorel - filhós
Cotunho - Pulso ou tornozelo, pé de porco
Cramunhar – falar em voz baixa
Cravela - Cata vento
Cravelho - peça de madeira que servia para segurar as portas dos currais
Crostos - Leite espesso que se tira,  às cabras e ovelhas quando acabam de parir, para facilitar a primeira mamada das crias
Cuidar – pensar


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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Linguagem da Minha Aldeia - B

Continuando o tema iniciado em  Linguagem da Minha Aldeia  hoje cabe a vez à letra


B

Babuge (andar à babuge) - andar à coca, andar à espera
Bachicar - molhar com água atirada com as mãos
Bacorada - coisa sem jeito
Baijas - vagens, feijão verde
Bachochada - parvoíce
Balcão - espaço à entrada de casa
Baldear-se -  atirar-se, cair
Balofo - Mole, sem consistência
Barroca - Vala para onde escorrem as águas duma enxurrada
Balouco - Barroco
Balseiro - gordo
Bansos - degraus duma escada
Baraço - cordel
Barbilho - pequeno pau que se metia na boca dos cabritos para não mamarem
Barbeiro - frio
Bardo - terreno vedado
Barranco - muro caído
Barrasco - varrasco
Barrela - Solução alcalina usada para clarear roupa suja
Barriscar - varrer o forno
Barroco - pequeno curso de água que seca no Verão
barroeiro - com o cio
Basto - junto
Bate-cu -  Queda, insecto que habita junto à água 
Bátega -   pancada ( de chuva )
Batoque - Rolhacom  que se tapam os pipos; pessoa gorda
Batorel - pequeno terrenoBeirito - um golo de liquidoBiscalho -  pequeno pedaço
Beirada - Terreno com árvores silvestres
Bem bonda - já não bastava…
Benzilhão - curandeiro
Bertueja - brotoeja, espécie de erupção cutânea.
Biqueirão - esquisito na alimentação
Biscalho - pedaço pequeno
Bitoiro - variedade de urze, que floresce no Inverno
 - bom
Bofes - pulmões
Bômente - boa mente, boa vontade
Boche - modo de chamamento dos cão
Bolo - pequenina broa, feito normalmente para dar às crianças
Bonda - basta
Bonecra - boneca
Borna - Morna
Bornal - saco da merenda
Borralheira - poeira
Borralho - cinza, terra fina feita em pó
Borrar - sujar
Borrega - ferimento com pus
Borrego - bocado de leite coalhado (quando se está a fazer o queijo)
Bostela - crosta de ferida
Botar – deitar, encher, por
Botelha - abóbora
Botelho- gordo
Breda - vereda
Britar - partir
Broxo - prego pequeno
Brugiada - Burzigada,  prato feito com miúdos de porco
Bucha - pequena refeição, merenda
Bucharda - Estômago dos ovinos
Bucho - estômago
Bulha - zaragata
Bulir - mexer, tocar em


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Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Linguagem da Minha Aldeia - A

O português é uma língua muito rica em vocábulos e expressões existindo mesmo regiões com um dialecto próprio.
Na serra do Açor, devido ao seu isolamento, durante muito tempo usaram-se termos que eram apenas usados na região ou zonas limítrofes. Existem também casos de palavras que apesar  de constarem dos Dicionários de Língua Portuguesa, eram usadas com mais frequência na serra, enquanto na maior parte do país eram mais usados os seus sinónimos. Ao longo dos tempos e à medida que as comunicações permitiram uma melhor ligação ao resto do país, alguns  desses termos caíram em desuso e, actualmente, já poucas pessoas, apenas os mais idosos, os usam.  
Muitas palavras   surgiram devido a uma deturpação da pronúncia o que torna difícil a sua escrita. No caso de  frases torna-se ainda mais complicado.
Há tempos iniciei este tema aqui no blog mas, devido à sua complexidade, tardei em dar-lhe continuidade. Estando numa zona de transição, muitas palavras circularam na boca das pessoas de província em província, fazendo com que na serra do Açor existam  influências das três Beiras e a tornem mais rica sob o ponto de vista linguístico.
Sendo um tema muito controverso e sem querer enveredar pela etimologia, fonética e outros aspectos linguísticos,  vou dar início a uma espécie de léxico de palavras outrora usados na minha aldeia( aqueles que me for lembrando) , ciente que a poucos quilómetros de distância, alguns deles são desconhecidos, têm significado diferente, ou  uma pronúncia deturpada.
Para uma melhor compreensão, as palavras e frases deturpadas   serão escritas em itálico).


A

Abada - regaço
Abagar - ruir, cair
Abalar - partir, ir embora
Acabidar - guardar
Acartar - carregar, levar dum lado para o outro
Achadiço - pessoa metediça
Acoitar - abrigar
Açúcre - açúcar
Advertir - divertir
Aferrolhar - poupar dinheiroAfinado - esperto
Afogueado - avermelhado, corado
Afolar - prenda que os padrinhos dão aos afilhados pela Páscoa
Afrontar - provocar
Agachar-se - baixar-se
Aganchar - puxar um ramo alto para apanhar um fruto
Agarimado - agrimado, abrigado
Aguado - com vontade ou desejos de...
Agulheiro - buraco da "poça" por onde saia a água para a rega
Aigro - amargo
Aixe ou axe - Ferida
Alancar -  Trabalhar arduamente
Alapado -  encolhido, agachado
Alcandório - lugar elevado
Alfeira - que não fecundou, isto com os animais
Alicrairo  - lacrau,  nome de um animal invertebrado , o mesmo que escorpião
Alinterna - lanterna 
Alpardo - amanhecer
Alpercata – espécie de sandália que se prende às pernas com tiras de pano ou couro
Aluado - com o cio
Aluir - desmoronar-se
Alumiar - iluminar
Ajojado - Prostrado, abatido, aturdido
Amachuído - prostrado
Amarujar - amargar
Amersendado - sentado
Amojo - mamas das cabras e ovelhas
Andor - daqui para fora
Apartar - separar
Aparvoado - tonto
Aperreado -  impaciente, apertado
Apoquentar - arreliar
Apôr - tomar a iniciativa
Arangar - resmungar
Arcádias - arrecadas, Brincos em filigrana
Arco-da-Velha - arco-íris
Arganel - argola metálica que se coloca no nariz dos porcos
Arnelas - fraco, somenos
Arranco - vómito
Arrear - espancar
Arrebanhar - juntar
Arrebossar - vomitar
Arredar - desviar
Arreganhado – com frio
Arremedar - imitar
Arrenegado - zangado
Arriba - acima
Arrifes - formação rochosa
Arrima-lhe! - chega-lhe!
Arrocho - Bocado de pau torto
Arvela - cabeça no ar
Astrever-se -atrever-se, ousar
Assomar - aparecer
Atão  - então
Atabafado - com falta de ar
Atentar - provocar
Ater-se - contar com a ajuda de outros
Atinado - bem comportado
Atordoado - aturdido, sem forças
Atupir - enterrar os grãos de milho com o sacho
Auga - água
Aventar – atirar
Avespinhar - abespinhar, zangar
Avessas - contrário
Avesseira - encosta ou vale onde os raios solares não chegam de Inverno
Avir-se - entender-se, conciliar-se
Avia-te - despacha-te
Aviar-se - ir às compras
Azadinho – jeitosinho

 

Esta postagem, bem como todas as que fizerem parte deste tema, ficarão em aberto e, à medida que me for lembrando de mais alguns termos ou os leitores do blog  forem sugerindo, serão acrescentados na respectiva letra, a fim de tornar este tema o mais completo possível.

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Termos Regionais

O dia amanheceu  com  Sol maravilhoso mas muito frio. Aos poucos o céu escureceu e, sem vontade de sair de casa, acabei por ficar no Facebook a trocar mensagens com amigos da minha aldeia e de aldeias vizinhas, que se foram juntando durante o  desenrolar da conversa. A língua portuguesa é muito rica e, para o mesmo objeto aparecem vários vocábulos conforme a região. Mesmo em localidades vizinhas, aparecem  palavras diferentes. 
Daquela conversa, surgiu a ideia de se fazer um dicionário de termos próprios de cada região para um determinado objeto. Gostaria de tornar este tema um pouco mais abrangente e, como  o Açor  também é lido por amigos do Brasil,  seria ainda mais enriquecedor se  também pudesse alargar o tema ao português do Brasil.
Se resultar, penso abrir um novo blog, destinado a este assunto.
Hoje começo com um dos animais mais importantes das povoações da serra do Açor. O porco.

 
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Só este animal trouxe-me à lembrança várias palavras algumas em desuso.
Na minha aldeia, o Sobral Magro, ao porco chamavam-lhe bácoro. No entanto de região em região o animal muda de nome.
Porco, bácoro, corrucho, , marrã, suíno, todas as palavras se referem a este  mesmo animal.
Todas as famílias tinham um ou dois que compravam na feira ainda pequenos. Eram alimentados e engordados durante o ano num curral, onde o chão era periodicamente coberto com mato, evitando assim o contacto do animal com os dejectos. Alguns currais tinham à porta um átrio também ele coberto de mato a que se dava o nome de quintã e onde o animal se podia deslocar ao ar livre. A mistura que se formava sobre o solo, ia-se decompondo e, ao fim de alguns tempos era retirada do curral, para acabar a sua decomposição ao ar livre formando o esterco que era  aproveitado depois para adubar as terras de cultivo. Em outros locais do país os porcos viviam em pocilgas e noutras ao ar livre.
Quase todas as sobras eram aproveitadas para a sua alimentação e juntavam-se com água para fazer a lavagem que era cozinhada à lareira, num caldeiro.
Normalmente a lavagem era composta também por farinha, botelha partida em pedaços, batatas, folhas de hortaliça,... O animal comia de tudo.
A lavagem era transportada  no mesmo caldeiro ou, como ele estava todo enfarruscado da lareira, despejava-se numa ferrada e levava-se então para o curral dos porcos onde se colocava numa pia de granito ou de madeira.
O porco é um animal muito mexido e frequentemente abriam brechas nas paredes do curral com o focinho e revoltavam o mato todo. Para evitar que tal acontecesse era-lhe colocado um arganel no nariz (uma espécie de argola metálica presa nas narinas) e, quando ele esfoçasse sentia dores, levando-o a tornar-se mais calmo.
Algumas das palavras que utilizei são termos usados na minha aldeia mas, a língua portuguesa é tão rica que, a poucos quilómetros de distância, o nome de determinado objecto tem outro significado e o objecto tem outro nome. Vejamos só em algumas palavras relacionadas com o porco:

Porco é o nome mais conhecido do animal. Mas, pode chamar-se também:  bácoro, corrucho, tó, marrã, suíno,... conforme a zona do país.
Botelha é uma  abóbora.
Esterco - estrume

Lavagem é o nome dado, na minha aldeia, à mistura de alimentos que se cozinham para a alimentação do porco. Poucos quilómetros ao lado chamam-lhe vianda mas na região do Sardoal chama-se também lavadura.

- Caldeiro -

O caldeiro é um recipiente cilíndrico onde, se cozinha a lavagem mas, numa povoação bem próxima, utiliza-se o mesmo objecto para ordenhar as vacas lá para dentro e tem o nome de ferrada.
Por sua vez, a ferrada na minha aldeia é um recipiente diferente e é também utilizado para transportar os alimentos para os porcos.


- O mesmo recipiente usado em pomares com o nome de ferrada -

Espero agora  mais algumas designações, usadas noutras regiões, para estas palavras.

 Obrigada pela sua visita. Volte sempre.