terça-feira, 31 de julho de 2012

Sobremesa Fresca

 Em época de festas regionais e com tempo quente apetecem sobremesas frescas. Fugindo um pouco aos típicos doces da serra, a receita de hoje servirá de sugestão para um final de refeição saboroso e refrescante.

Creme de Leite condensado com Gelatina

Ingredientes 
1 lata de leite condensado
2 latas de leite (utilize a lata de leite condensado como medida)
mais 1/2 copo de leite
2 ovos
2 colheres de sopa de amido de milho
2 pacotes de gelatina sabor morango
6 colheres de sopa de açúcar
4 copos de água (para fazer a gelatina)

Preparação
Numa panela coloque o leite condensado, as duas medidas de leite e as gemas e leve ao fogo, mexendo sempre
Acrescente o amido de milho dissolvido em meio copo de leite frio e deixe cozinhar, mexendo sempre para fazer um creme.
Coloque esse creme em forma refratária de vidro e coloque no frigorífico.
Dissolva bem a gelatina em dois copos de água quente.
Adicione duas colheres de açúcar e dois copos de água fria, mexendo bem para dissolver.
Bater as claras em neve (em ponto de suspiro) com quatro colheres de açúcar.
Misture muito bem esse suspiro com a gelatina fria, mas ainda líquida.
Coloque essa mistura da gelatina delicadamente sobre o creme do leite condensado.
Levar ao frigorífico, por cerca de quatro horas.



Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Uma Festa, Um Video

 
Num dos limites do concelho de Arganil, fica a freguesia de Celavisa da qual fazem parte algumas belas aldeias que ficam junto à  Ribeira de Celavisa.
O video de hoje, refere-se precisamente a essas aldeias que vão festejar Santa Catarina.




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Festa dos Povos da Ribeira de Celavisa

Mais uma aldeia em festa nos dias 3, 4, 5 e 6 de Agosto. Desta vez são os Povos da Ribeira de Celavisa que vão realizar a sua festa anual. 
Eis o Programa:


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A Poesia de Joaqim Pessoa




Nasci no campo, onde se cruzavam os cheiros de flor

Do limoeiro

Com o de hortelã e o do estrume. Brinquei
Por entre o milho, queimei em fogueiras o rosmaninho,
Persegui lagartixas, cobras e ouriços, capturei e destruí
Escaravelhos,
Defendi as carochas, roubei ninhos com ovos e pássaros
Implumes,
Colhi cachos ainda verdes, desesperei pelo amadurecimento
Dos figos, das romãs e dos alperces,
Tingi-me com amoras, fui irmão das abelhas, discuti com o
Vento
E mais do que a erva e as árvores aproveitei-me da chuva.
Agora moro num quarto andar e tenho um automóvel tão
Sólido como a minha infelicidade,
Viajo às vezes entre as árvores, e colinas com árvores e
Planícies com árvores
Mas está tudo longe, fora do alcance, fugindo de mim
Rapidamente, em sentido contrário,
Com a mesma rapidez com que a infância me fugiu.
Sou hoje um cidadão da pedra e do betão. Os meus pés não
Pisam já o alecrim,
Os meus olhos não se habituam já ao escuro da noite para
Observar o voo dos morcegos,
Guardo uma ideia vaga de como era um arado, tenho
Saudades
De ver o meu pai descalço a regar morangos e abóboras.
O piar dos tentilhões e dos picanços foi substituído pelo
Ruído do tráfego,
O desajeitado voar das borboletas parece-me às vezes vê-lo
Nos papéis
Que o vento levanta do chão, levando-os daqui para acolá,
E a minha vida é vivida de forma a comemorar o dia disto
E o dia daquilo
Sem comemorar nunca o dia em que começa a primavera.
Bom dia!, diz-me o cliente. Bom dia!, diz-me o fornecedor.
Bom dia!, digo eu, sem dizer nada.
Joaquim Pessoa
in Vou-me Embora de Mim,
 
Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Chegaram as Férias

Nos próximos tempos estarei no Sobral Magro. Como já expliquei, a partir de hoje as postagens ficam agendadas e serão publicadas em modo  automático.







Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



segunda-feira, 23 de julho de 2012

Porto Silvado

Naquele tempo, tudo era diferente..
Ao folhear o extinto "Notícias de Pomares" deparei com alguns excertos de textos que faziam parte das notícias da nossa freguesia em 1959.




Foi com grande desilusão que este ano não publiquei o Programa de Festas duma das aldeias "do meu coração" - o Porto Silvado.
Esta aldeia, após muitos anos de glória vive num marasmo que me dá uma enorme pena.
Como muitas aldeias da serra do Açor, vivia isolada do Mundo mas, após a fundação da Comissão de Melhoramentos,  tudo foi mudando.
Parcos em instrução e condições económicas mas, duma grande riqueza em   humildade e dignidade sempre lutaram em prol de melhrar as cndições de vida da comunidade.
Fiz parte duma geração dinâmica de que muito me orgulho,  pois sempre lutou tendo como exemplo  o trabalho árduo de seus antepassados e  em prol do bem-estar comum.
Neste momento, a aldeia atravessa um período já longo de estagnação que em nada dignifica a luta dos nossos antepassados.
Até quando, portossilvadenses?
Vamos lá, boa gente do Porto Silvado. Não deixem morrer aquilo que tanto custou a conseguir. Está na hora de mostrar o valor que têm e de inverter a situação.

 Força, amigos! 
Porto Silvado ainda vale a pena!!!!

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sábado, 21 de julho de 2012

Uma Festa, um Video

A Foz da Moura vai realizar a sua festa e, como aconteceu com outras aldeias, realizei um pequeno video com algumas fotografias,algumas  das quais tirei da net.




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Foz da Moura em Festa

Durante os próximos tempos , o blog estará em modo agendado, em virtude de me encontrar de férias. Estarei num local sem rede e sem internet. Daí a maior parte das postagens serem de divulgação de festas das aldeias da região, que me fizeram chegar os respectivos programas.

Desta vez, é a  Foz da Moura (Pomares) vai estar em festa  nos próximos dias 27, 28 e 29 de Julho. 
O Programa é o seguinte: 



Não faltem. A Foz da Moura e as suas boas gentes aguardam a visita de todos.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Linguagem da Minha Aldeia - B

Continuando o tema iniciado em  Linguagem da Minha Aldeia  hoje cabe a vez à letra


B

Babuge (andar à babuge) - andar à coca, andar à espera
Bachicar - molhar com água atirada com as mãos
Bacorada - coisa sem jeito
Baijas - vagens, feijão verde
Bachochada - parvoíce
Balcão - espaço à entrada de casa
Baldear-se -  atirar-se, cair
Balofo - Mole, sem consistência
Barroca - Vala para onde escorrem as águas duma enxurrada
Balouco - Barroco
Balseiro - gordo
Bansos - degraus duma escada
Baraço - cordel
Barbilho - pequeno pau que se metia na boca dos cabritos para não mamarem
Barbeiro - frio
Bardo - terreno vedado
Barranco - muro caído
Barrasco - varrasco
Barrela - Solução alcalina usada para clarear roupa suja
Barriscar - varrer o forno
Barroco - pequeno curso de água que seca no Verão
barroeiro - com o cio
Basto - junto
Bate-cu -  Queda, insecto que habita junto à água 
Bátega -   pancada ( de chuva )
Batoque - Rolhacom  que se tapam os pipos; pessoa gorda
Batorel - pequeno terrenoBeirito - um golo de liquidoBiscalho -  pequeno pedaço
Beirada - Terreno com árvores silvestres
Bem bonda - já não bastava…
Benzilhão - curandeiro
Bertueja - brotoeja, espécie de erupção cutânea.
Biqueirão - esquisito na alimentação
Biscalho - pedaço pequeno
Bitoiro - variedade de urze, que floresce no Inverno
 - bom
Bofes - pulmões
Bômente - boa mente, boa vontade
Boche - modo de chamamento dos cão
Bolo - pequenina broa, feito normalmente para dar às crianças
Bonda - basta
Bonecra - boneca
Borna - Morna
Bornal - saco da merenda
Borralheira - poeira
Borralho - cinza, terra fina feita em pó
Borrar - sujar
Borrega - ferimento com pus
Borrego - bocado de leite coalhado (quando se está a fazer o queijo)
Bostela - crosta de ferida
Botar – deitar, encher, por
Botelha - abóbora
Botelho- gordo
Breda - vereda
Britar - partir
Broxo - prego pequeno
Brugiada - Burzigada,  prato feito com miúdos de porco
Bucha - pequena refeição, merenda
Bucharda - Estômago dos ovinos
Bucho - estômago
Bulha - zaragata
Bulir - mexer, tocar em


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Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Castelo de S. Jorge em Tela

Mais uma tela terminada. Pertence a uma série que pintei sobre locais de Lisboa.
Esta representa o Castelo de S. Jorge.

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Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

terça-feira, 17 de julho de 2012

" De Verão ", Segundo Cesário

DE VERÃO

I
No campo; eu acho nele a musa que me anima:
A claridade, a robustez, a acção.
Esta manhã, saí com minha prima,
Em quem eu noto a mais sincera estima
E a mais completa e séria educação.

II
Criança encantadora! Eu mal esboço o quadro
Da lírica excursão, de intimidade.
Não pinto a velha ermida com seu adro;
Sei só desenho de compasso e esquadro,
Respiro indústria, paz, salubridade.

III
Andam cantando aos bois; vamos cortando as leiras;
E tu dizias: «Fumas? E as fagulhas?
Apaga o teu cachimbo junto às eiras;
Colhe-me uns brincos rubros nas ginjeiras!
Quanto me alegra a calma das debulhas!

IV
E perguntavas sobre os últimos inventos
Agrícolas. Que aldeias tão lavadas!
Bons ares! Boa luz! Bons alimentos!
Olha: Os saloios vivos, corpulentos,
Como nos fazem grandes barretadas!

V
Voltemos! No ribeiro abundam as ramagens
Dos olivais escuros. Onde irás?
Regressam os rebanhos das pastagens;
Ondeiam milhos, nuvens e miragens,
E, silencioso, eu fico para trás.

VI
Numa colina brilha um lugar caiado.
Belo! E, arrimada ao cabo da sombrinha,
Com teu chapéu de palha, desabado,
Tu continuas na azinhaga; ao lado,
Verdeja, vicejante, a nossa vinha.

VII
Nisto, parando, como alguém que se analisa,
Sem desprender do chão teus olhos castos,
Tu começaste, harmónica, indecisa,
A arregaçar a chita, alegre e lisa,
Da tua cauda um poucochinho a rastos.

VIII
Espreitam-te, por cima, as frestas dos celeiros;
O sol abrasa as terras já ceifadas,
E alvejam-te, na sombra dos pinheiros,
Sobre os teus pés decentes, verdadeiros,
As saias curtas, frescas, engomadas.

IX
E, como quem saltasse, extravagantemente,
Um rego de água, sem se enxovalhar,
Tu, a austera, a gentil, a inteligente,
Depois de bem composta, deste à frente
Uma pernada cómica, vulgar!

X
Exótica! E cheguei-me ao pé de ti. Que vejo!
No atalho enxuto, e branco das espigas,
Caídas das carradas no salmejo.
Esguio e a negrejar em um cortejo,
Destaca-se um carreiro de formigas.

XI
Elas, em sociedade, espertas, diligentes.
Na natureza trémula de sede,
Arrastam bichos, uvas e sementes
E atulham, por instinto, previdentes,
Seus antros quase ocultos na parede.

XII
E eu desatei a rir como qualquer macaco!
«Tu não as esmagares contra o solo!»
E ria-me, eu ocioso, inútil, fraco,
Eu de jasmim na casa do casaco
E de óculo deitado a tiracolo!

(...)
Cesário Verde

Pomares


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Mascote do Soito da Ruiva

Da Comissão de Melhoramentos do Soito da Ruiva recebi o pedido de divulgação dum concurso para eleger a sua  nova mascote.


Caros amigos !
Vamos criar a mascote do Soito da Ruiva????!!!!
A direcção da CMSR decidiu fazer um concurso, para eleger a mascote da sua terra, que será integrado nas festas do Soito da Ruiva, dias 11 e 12 de Agosto.
Divulguem o regulamento em baixo e e participem !!!!
Contamos com a vossa criatividade !!!
Abraços regionalistas
A Direcção
COMISSÃO DE MELHORAMENTOS DE SOITO DA RUIVA
Concurso Mascote / Símbolo do Soito da Ruiva
REGULAMENTO:
- Este símbolo / mascote não tem como objectivo substituir aqueles já instituídos mas sim, servir no futuro como a imagem do Soito da Ruiva, relacionado com merchandising, ou seja, aplicado em objectos (T-Shirts, canecas, postais, molduras, ou outro tipo de brindes…)
- Os participantes devem ser sócios da CMSR. Os não sócios, podem inscrever-se como tal no momento da entrega do trabalho, ou pagarão a quantia de 10 Euros (valor da quota anual) para poderem participar. Os sócios da CMSR ficam isentos de qualquer pagamento.
- Os trabalhos terão de ser entregues em formato A4 e a apresentação pode ser feita por meio de pinturas, desenhos, texto, colagens, fotomontagens, imagens 3d. Fica ao critério de quem participa e apenas condicionada ao formato definido (A4).
- O aspecto de símbolo fica ao critério de cada participante (seja mais rústico ou mais contemporâneo / jovem). No entanto, os elementos focados devem estar relacionados com as nossas tradições e com a origem da nossa aldeia (A origem do nome da aldeia está relacionada com a história de uma família e dos seus castanheiros – um soito. Conta-se que os seus donos tinham uma filha de cabelo ruivo com quem todos simpatizavam e quando iam apanhar as castanhas para o magusto, diziam que iam às castanhas ao Soito da Ruiva). Que tal uma RUIVINHA?
- Os particiantes terão de entregar os seus trabalhos à Cristiana Grácio (cristiana.gracio@hotmail.com ou 934946698) elemento da direcção, até às 12h00 de dia 11 de Agosto, num envelope branco e fechado, com o seu nome no interior (nunca escrito na folha em que consta o projecto).
- A cada trabalho será atribuído um número, por ordem de entrega, e todos serão expostos no dia 11 de Agosto, a partir das 15h00, no Largo do Bacelo.
- Cada participante pode entregar mais do que um projecto (aqueles que entender e o valor da inscrição será por participante e não por cada projecto que entregar). Cada um dos projectos terá um número atribuído e os votantes nunca saberão o nome do autor. Votarão no trabalho e não no autor.
- Dia 11 de Agosto (Sábado) – das 21h00 às 24h00 e dia 12 de Agosto – das 14h30 às 21h – no Largo do Bacelo, estará aberta a mesa de voto constituída por membros da direcção da CMSR.
- A mesa de voto fará a prova de sócio no local e entregará o coupon oficial de voto. Votarão todos os associados presentes. Os não sócios podem inscrever-se, como tal, no momento da votação, ou pagarão a quantia de 10 Euros (valor da quota anual) para terem direito de voto. Os sócios ficam isentos de qualquer pagamento.
- Em caso de empate será a direcção da CMSR a eleger o vencedor.
- A contagem dos votos será feita pela direcção da CMSR, na presença dos presidentes do conselho fiscal e da Assembleia-geral (ou alguém em sua representação).
- A divulgação do vencedor e entrega de prémio será no dia 12 de Agosto pelas 21h00.

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.





sexta-feira, 13 de julho de 2012

Uma festa, um video

No post de ontem não me foi possível colocar as fotos da aldeia.
Hoje tenho um pequeno video com fotos que tirei da net e com um poema dedicado pelos Corguenses à sua padroeira,  Nossa Senhora do Campo.

   
                          

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.


 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Festa nas Corgas

Uma das primeiras  povoações da freguesia de Pomares a estar em festa é a  aldeia das Corgas. Logo no início do mês de Agosto realiza-se a festa em honra de Nª Sª do Campo.
O programa é o que se segue:



A todos os amigos desta  bonita localidade desejo uma festa muito animada e concorrida.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Linguagem da Minha Aldeia - A

O português é uma língua muito rica em vocábulos e expressões existindo mesmo regiões com um dialecto próprio.
Na serra do Açor, devido ao seu isolamento, durante muito tempo usaram-se termos que eram apenas usados na região ou zonas limítrofes. Existem também casos de palavras que apesar  de constarem dos Dicionários de Língua Portuguesa, eram usadas com mais frequência na serra, enquanto na maior parte do país eram mais usados os seus sinónimos. Ao longo dos tempos e à medida que as comunicações permitiram uma melhor ligação ao resto do país, alguns  desses termos caíram em desuso e, actualmente, já poucas pessoas, apenas os mais idosos, os usam.  
Muitas palavras   surgiram devido a uma deturpação da pronúncia o que torna difícil a sua escrita. No caso de  frases torna-se ainda mais complicado.
Há tempos iniciei este tema aqui no blog mas, devido à sua complexidade, tardei em dar-lhe continuidade. Estando numa zona de transição, muitas palavras circularam na boca das pessoas de província em província, fazendo com que na serra do Açor existam  influências das três Beiras e a tornem mais rica sob o ponto de vista linguístico.
Sendo um tema muito controverso e sem querer enveredar pela etimologia, fonética e outros aspectos linguísticos,  vou dar início a uma espécie de léxico de palavras outrora usados na minha aldeia( aqueles que me for lembrando) , ciente que a poucos quilómetros de distância, alguns deles são desconhecidos, têm significado diferente, ou  uma pronúncia deturpada.
Para uma melhor compreensão, as palavras e frases deturpadas   serão escritas em itálico).


A

Abada - regaço
Abagar - ruir, cair
Abalar - partir, ir embora
Acabidar - guardar
Acartar - carregar, levar dum lado para o outro
Achadiço - pessoa metediça
Acoitar - abrigar
Açúcre - açúcar
Advertir - divertir
Aferrolhar - poupar dinheiroAfinado - esperto
Afogueado - avermelhado, corado
Afolar - prenda que os padrinhos dão aos afilhados pela Páscoa
Afrontar - provocar
Agachar-se - baixar-se
Aganchar - puxar um ramo alto para apanhar um fruto
Agarimado - agrimado, abrigado
Aguado - com vontade ou desejos de...
Agulheiro - buraco da "poça" por onde saia a água para a rega
Aigro - amargo
Aixe ou axe - Ferida
Alancar -  Trabalhar arduamente
Alapado -  encolhido, agachado
Alcandório - lugar elevado
Alfeira - que não fecundou, isto com os animais
Alicrairo  - lacrau,  nome de um animal invertebrado , o mesmo que escorpião
Alinterna - lanterna 
Alpardo - amanhecer
Alpercata – espécie de sandália que se prende às pernas com tiras de pano ou couro
Aluado - com o cio
Aluir - desmoronar-se
Alumiar - iluminar
Ajojado - Prostrado, abatido, aturdido
Amachuído - prostrado
Amarujar - amargar
Amersendado - sentado
Amojo - mamas das cabras e ovelhas
Andor - daqui para fora
Apartar - separar
Aparvoado - tonto
Aperreado -  impaciente, apertado
Apoquentar - arreliar
Apôr - tomar a iniciativa
Arangar - resmungar
Arcádias - arrecadas, Brincos em filigrana
Arco-da-Velha - arco-íris
Arganel - argola metálica que se coloca no nariz dos porcos
Arnelas - fraco, somenos
Arranco - vómito
Arrear - espancar
Arrebanhar - juntar
Arrebossar - vomitar
Arredar - desviar
Arreganhado – com frio
Arremedar - imitar
Arrenegado - zangado
Arriba - acima
Arrifes - formação rochosa
Arrima-lhe! - chega-lhe!
Arrocho - Bocado de pau torto
Arvela - cabeça no ar
Astrever-se -atrever-se, ousar
Assomar - aparecer
Atão  - então
Atabafado - com falta de ar
Atentar - provocar
Ater-se - contar com a ajuda de outros
Atinado - bem comportado
Atordoado - aturdido, sem forças
Atupir - enterrar os grãos de milho com o sacho
Auga - água
Aventar – atirar
Avespinhar - abespinhar, zangar
Avessas - contrário
Avesseira - encosta ou vale onde os raios solares não chegam de Inverno
Avir-se - entender-se, conciliar-se
Avia-te - despacha-te
Aviar-se - ir às compras
Azadinho – jeitosinho

 

Esta postagem, bem como todas as que fizerem parte deste tema, ficarão em aberto e, à medida que me for lembrando de mais alguns termos ou os leitores do blog  forem sugerindo, serão acrescentados na respectiva letra, a fim de tornar este tema o mais completo possível.

Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



terça-feira, 10 de julho de 2012

Os Mouros da Pampilhosa da Serra

Conta-se que antigamente, na Pampilhosa da Serra, existiam mouros. Essa comunidade de mouros morava numa gruta num sítio chamado "Ponte da Covilhã".
Certo dia, uma mulher moura que estava para ter bebé encontrou-se em grandes dificuldades no trabalho de parto.
O marido muito aflito foi procurar auxílio à povoação. Soube então de uma senhora que fazia partos e foi-lhe pedir ajuda.
Algumas pessoas não confiavam nos mouros e aconselharam-na a não ir porque eles podiam matá-la.
A senhora encheu-se de coragem e foi fazer o parto que por sinal correu muito mal. Em troca da sua bondade o mouro deu-lhe pedras de carvão. A senhora pelo caminho olhou fixamente para as pedras e disse:
 - Para que quero isto? - E atirou-as de seguida para o chão.
Pensou melhor e levou duas para casa. Quando chegou a casa, tirou as pedras de carvão para trás da lareira. De manhã quando olhou para a lareira, viu duas pedras de oiro. Vestiu-se rapidamente e foi a correr ao local onde tinha deixado as outras duas, mas estas tinham desaparecido.




Fonte:http://digitalblue.blogs.sapo.pt




Obrigada pela sua visita. Volte sempre.



segunda-feira, 9 de julho de 2012

Apresentação do Grupo AlGraça

Num dos últimos postes dei a conhecer um novo projecto musical do qual faz parte uma das minhas primas.

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Com poucos anos de idade, iniciou-se na música, estudando acordeão.  Os seus estudos académicos nada tiveram a ver com a área musical, pois formou-se em medicina dentária. No entanto,   a música nunca deixou de fazer parte dos seus sonhos e , com alguns  amigos, formou um grupo  a que deram o nome de AlGraça.  No passado Sábado, o sonho tornou-se realidade.
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Rodeados de muitos familiares e amigos, apresentaram-se ao público  para  o seu primeiro concerto, no Palácio do Egipto em Oeiras. Deram a conhecer  algumas das suas canções,  a maior parte da autoria do grupo, umas vezes conduzindo-nos pelos bairros típicos de  Lisboa no característico eléctrico 28, outras levando-nos numa viagem pelo mundo em busca de outras sonoridades.
Este grupo é formado por excelentes instrumentistas apoiados por uma magnífica voz aos quais auguro grandes sucessos.
Como não podia deixar de ser, estive presente com os meus familiares.
A minha prima estava duplamente feliz pois, nesse mesmo dia, completava mais um aniversário. Por essa razão, colegas e público acabaram o concerto a cantar os Parabéns a Você.
Desta noite, ficam as imagens, para mais tarde recordar.
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Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Sugestão para Fim de Semana na Serra do Açor

O fim de semana está aí e a minha sugestão para um passeio vai exactamente para serra do Açor.
Existe na região um local aprazível, um misto de terra e água, onde se podem fazer  belos passeios,  descobrir  pequenas aldeias, desfrutar da maravilhosa paisagem serrana e dar uns refrescantes mergulhos nas suas águas puras e cristalinas. Refiro-me à zona envolvente à barragem de Santa Luzia, do lado da serra do Açor. Já aqui divulguei noutras alturas esta bonita região mas hoje compilei algumas fotos num pequeno video, que espero servir de aperitivo  para uma visita ao local.


Obrigada pela sua visita. Volte sempre.
 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Bolo de Milho

Com o fim de semana à porta, fica a sugestão para um agradável bolinho, feito com a farinha que mais se usava na serra do Açor, o milho.

 
Ingredientes

Para o bolo:

  • 3 ovos
  • 2 ¹/² xícaras de açúcar
  • 2 ¹/² xícaras de farinha de milho fina
  • 1 xícara de farinha de sêmola (ou de trigo)
  • 200 ml de leite de coco
  • ¹/² caixinha de creme de leite
  • 2 colheres de manteiga
  • 50g de coco ralado  (¹/² pacote)
  • 1 ¹/² colher de sopa de fermento
  • Para a Cobertura:
    • 1 lata de leite condensado
    • 50g de coco ralado (¹/² pacote)

    Preparação

    Bata os ovos com a manteiga e o açúcar, junte as farinhas e o fermento, intercaladas com o leite de coco e o creme de leite. Acrescente metade do pacote de coco.
    Despeje a massa numa forma previamente  untada e polvilhada com farinha. Leve ao forno pré-aquecido a 260°C e deixe dourar por 20 minutos.  Baixe para 180°C até terminar.
     Desenforme e prepare a cobertura.
    Leve o leite condensado e o restante do coco ao microondas, durante  3 minutos. Retire, mexa e leve de novo ao microondas, de 1/1 minuto até ficar numa consistência boa para cobrir o bolo.
    Espalhe  sobre o bolo. Se gostar pode  polvilhar com coco ralado.

    Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

    quarta-feira, 4 de julho de 2012

    Hoje há Poesia

    Identidade

    Matei a lua e o luar difuso.
    Quero os versos de ferro e de cimento.
    E em vez de rimas, uso
    As consonâncias que há no sofrimento.

    Universal e aberto, o meu instinto acode
    A todo o coração que se debate aflito.
    E luta como sabe e como pode:
    Dá beleza e sentido a cada grito.

    Mas como as inscrições nas penedias
    Têm maior duração,
    Gasto as horas e os dias
    A endurecer a forma da emoção.

    Miguel Torga, in 'Penas do Purgatório'
    Miradouro de Santa Lizia


    Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

    terça-feira, 3 de julho de 2012

    AlGraça

    Na minha família surgiu um novo projecto musical. Chama-se AlGraça e um dos elementos, a minha prima Hélia, tem raízes na serra do Açor.
    A apresentação do Grupo vai ocorrer no próximo Sábado, 7 de Julho às 21h e 30 m, no Palácio do Egipto em Oeiras, com entrada gratuita.
    Para mais informações e para ouvir um dos temas, a página do Facebook do Grupo aguarda uma visita em https://www.facebook.com/os.algraca


    Com votos de muitos sucessos,
    Parabéns AlGraça!



    Obrigada pela sua visita. Volte sempre.

    segunda-feira, 2 de julho de 2012

    Romagem

    Acordei com a voz da Marquitas que me chamava da sua janela, separada da minha apenas pelo estreito quelhoto.
    Ergui-me dum salto, mexi os folhos da cama e puxei as orelhas aos lençóis. Já à cozinha, engoli uma malga de café, lavei os olhos, agarrei no cesto onde tinha a bucha arranjada na véspera e desci as escadas a correr.  A Marquitas e as mais já estavam à minha espera no Largo da Barroca.
    Íamos para a Romagem. O Vale de Maceira ficava longe e ainda era de alpardo.
    Umas atrás das outras seguimos por uma estreita vereda. Aqui e além, uma topada dava origem a pragas e algumas palavras menos próprias de quem vai a caminho duma festa religiosa. Todas riam às gargalhadas.
    Chegámos à entrada do Vale de Maceira. Uma poça com água serviu para nos refrescarmos e lavarmos os pés sujos de borralho do caminho. Com a travessa do cabelo, ajeitámos as melenas soltas e compusemos os carrapitos.


    Já prontas, seguimos para a aldeia repleta de gente. Por todo lado se viam camionetas vindas de localidades muito afastadas, carrosséis e outros divertimentos. Cruzando o recinto, vários grupos de tocadores afinavam os seus instrumentos enquanto os cantadores aqueciam as vozes. Pelas encostas laterais ao Santuário havia tendas de comes e bebes e muitos artigos de feira. Espalhadas pelo chão as mantas de fitas serviam para colocar uma toalha com a bucha e as pessoas se sentarem em toda a volta.
    Escolhemos também um local onde estendemos a nossa manta. A Marquitas colocou em cima uma bonita toalha de linho e os cestos da bucha.
    Aos poucos, chegavam familiares e amigos  que tinham ido de véspera e ali passaram a noite e se juntavam ao nosso grupo. Enquanto os mais velhos punham em dia as novidades, nós fomos dar uma volta às barraquinhas para fazer compras. A Marquitas comprou uma bonita colcha para o enxoval e um pião para o irmão. Eu um bolo doce para levar à minha avó.
    A Marquitas prometera pelo Manel, o seu conversado, que se ele voltasse da guerra de Angola, iria cumprir uma romaria à Nª Sª das Preces,  no Vale de Maceira. Ele também prometera transportar o andor de Nossa Senhora na procissão e viera de Lisboa para juntos cumprirem as promessas.
    Assim que ele chegou, espalhámos sobre a toalha os mais variados petiscos: bacalhau frito, coelho e galinha assados, queijo, chouriço e broa. Para beber, não podia faltar o garrafão de vinho. Eu fui com a Marquitas à barraquinha mais próxima comprar gasosas, laranjadas e pirolitos.
    Depois foi comer, beber e conviver. Quando perto passavam amigos doutras aldeias, eram logo convidados para se juntarem ao nosso grupo. Depois de bem comidos e melhor bebidos, os tocadores começaram a mostrar a sua habilidade, tocando as músicas mais conhecidas da região. Espontaneamente outros começaram a cantar e os restantes a dançar. Algumas raparigas dançavam umas com as outras mas logo apareceram rapazes de outras aldeias para desapartar e a roda alargava à medida que mais pessoas chegavam, motivadas pela música bem tocada e pelas exímias vozes que davam um maior brilho ao baile.
    O tempo passou rápido. O baile foi interrompido pelo toque do sino. Então, fez-se silêncio, a fé envolveu-nos  enquanto participámos na Santa Missa.


    A procissão foi uma linda e comovente cerimónia. O andor muito bem enfeitado de lindas flores passou junto de nós. Ajoelhámos à sua passagem e lá ia o Manel, envergando o seu fato de magala. A Marquitas, a seu lado, limpava-lhe carinhosamente o suor que lhe escorria pelas faces coradas, devido ao intenso calor daquele final de tarde estival.
    Depois foi a debandada geral. As camionetas estacionadas no recinto iniciavam o percurso de regresso, com alguma dificuldade pois a estrada depressa ficou repleta com os grupos de pessoas que seguiam a pé para as suas aldeias. À saída do Vale de Maceira descalçámos os sapatos, calçamos de novo os chinelos e aumentámos o passo, pois a noite não tardava.



    Obrigada pela sua visita. Volte sempre.